Agressor de Bolsonaro é transferido para presídio federal em Campo Grande

Preso na tarde da última quinta-feira (06/9), após esfaquear o presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, Adélio Bispo de Oliveira foi transferido na manhã deste sábado (08/9) para um presídio federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. A definição foi dada pela juíza Patrícia Alencar Teixeira de Carvalho, da 2ª Vara Federal de Juiz de Fora, em audiência de custódia.

A informação foi confirmada pela equipe de plantão da sede da Polícia Federal, na cidade do interior de Minas Gerais, onde foi preso em flagrante e indiciado na Lei de Segurança Nacional pelo delegado responsável.

A juíza federal decidiu na audiência à favor da manutenção da prisão de Adélio Bispo de Oliveira, convertendo de flagrante para preventiva.

Após o ataque, o agressor, de 40 anos, foi prontamente levado para uma delegacia e, lá, assumiu o crime e disse que teria agido por contra própria e “em nome de Deus”.

Adélio estava provisoriamente no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp), em Juiz de Fora, antes de ser transferido.

A Lei de Segurança Nacional (n° 7.170) define, no artigo 20, os crimes contra a segurança nacional, a ordem política e social, inclui os crimes pela “prática de atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas”.

A transferência para um presídio federal foi a pedido da bancada do PSL, conforme apurou o jornal O Estado de S. Paulo, e teria tido aceitação de todas as partes na audiência de custódia, inclusive do Ministério Público e da defesa de Oliveira. Houve consenso de que a prisão em uma instituição federal seria uma forma de manter a segurança do acusado.

Defesa e familiares preocupados

Familiares haviam demonstrado preocupação quanto à integridade física de Adélio. Um dos advogados dele, Zanone Manuel de Oliveira Júnior, admitiu a tendência de condenação. “Se a defesa vai trabalhar neste processo, ela vai trabalhar até com um pedido de condenação. Mas um pedido de condenação levando em consideração todas as circunstâncias atenuantes: a conduta da vítima, a confissão espontânea..”, disse.

Acusado tem quatro advogados particulares

Representante de Jair Bolsonaro no caso, o deputado federal Fernando Francischini (PSL-PR) se mostrou favorável ao cumprimento da prisão preventiva em cela separada para evitar, nas palavras do próprio parlamentar, “queima de arquivo”.

Francischini demonstrou estranhamento com o fato de Adélio contar com quatro advogados particulares. “Chama-nos muita atenção — e aqui eu faço o registro de que é um direito do acusado ter advogados —, mas alguém, em situação de pobreza como a gente viu, ter quatro advogados e não ter a defensoria pública acompanhando… Só aí eu deixo para vocês que não há indícios de que não é um ‘lobo solitário’, sem estrutura financeira nenhuma”, disse.

Segundo Oliveira Júnior, o grupo aceitou defender Adelio “por questões de igreja e familiares”. “Fomos contatados por membros da igreja para que viéssemos aqui”, declarou, em referência às Testemunhas de Jeová.

Motivação política

Adélio vivia em Juiz de Fora havia cerca de 15 dias. Na pensão onde morava, foram apreendidos um notebook e dois celulares, além dos dois que ele carregava no momento em que esfaqueou Bolsonaro.

O agressor foi indiciado na Lei de Segurança Nacional, que prevê punições a crimes com motivação política. O Artigo 20 diz respeito a “atentado pessoal por inconformismo político”. O próprio investigado admitiu ter agido por motivações políticas e religiosas. A cena foi registrada em vídeos por apoiadores do presidenciável.

De acordo com o advogado, até mesmo a motivação política do atentado serviria como atenuante. “A própria motivação política, o próprio discurso de ódio da vítima. Ele (Bolsonaro) trazia, até como meta de campanha… Nosso constituinte (Adélio) é negro, se considera um negro, e aquela declaração de que um negro não serviria nem sequer para procriar atingiu de uma forma avassaladora a psique de nosso constituinte”, afirmou o advogado Oliveira Júnior, citando fala de Jair Bolsonaro em palestra na Hebraica do Rio, em 2017. A declaração foi motivo de pedido de processo por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Outros suspeitos

No entendimento dos representantes de Bolsonaro, Adélio não agiu sozinho. A própria Polícia Federal admitiu a investigação de pelo menos outros dois suspeitos de envolvimento no caso. Representante da Subseção de Juiz de Fora da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Robson Feijão disse que as investigações iniciais apontam que uma mulher, de cerca de 25 anos, e um homem, não identificado, podem ter participado do ataque.

Com informações: Correio Braziliense

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *