Artilheiro do Brasil, Gustavo dedica momento na carreira ao pai que está preso

O faro de gol de Gustavo nunca esteve tão afiado. Só em 2018, já foram 28 gols pelo Fortaleza Esporte Clube. Artilharia do Brasil, acesso garantido para a Série A do Campeonato Brasileiro e a possibilidade de se tornar campeão nacional ao término da temporada. No entanto, o jogador precisa vencer mais que as defesas adversárias para crescer no futebol, a partida que o centroavante trava diariamente é diante da saudade.

Com carreira iniciada nos campos da várzea paulista, aos 12 anos já dava os primeiros passos no esporte ao lado do pai Aloísio Antônio, no time Bad Boys Futebol Clube, criado pela família. Figura presente quando jogar profissionalmente ainda era um sonho para o filho, a paternidade então ficou distante quando as drogas e o cárcere se tornaram presentes. São três prisões em flagrante por tráfico, uma condenação de sete anos e uma ausência sentida e lembrada todos os dias que Gustavo calça a chuteira para jogar.

“A minha infância foi muito difícil porque ele não esteve muito presente. Esteve sempre fazendo escolhas erradas na vida e acabou sendo prejudicado por ele mesmo, mas toda vez que eu entro em campo, entro em campo pensando em fazer o meu melhor para poder ajudar ele a superar toda essa dificuldade que ele tem na vida e quando ele sair do lugar que ele está, que caia em si e veja que isso não é para ele”, afirmou o artilheiro em entrevista concedida ao programa Esporte Espetacular, da Rede Globo.

Aos 43 anos, Aloísio Antônio já acumula três passagens pela cadeia por envolvimento com tráfico de drogas

Apesar dos percalços na vida, Gustavo sempre demonstra solidariedade e carinho com o pai. Na vitória sobre o Paysandu por 1 a 0 na Arena Castelão, o artilheiro balançou as redes e correu para a frente das câmeras em busca uma mensagem para Aloísio: “Obrigado”. Das metas traçadas juntas ainda na infância, o jogador está prestes a se tornar campeão da Série B 2018 pelo Fortaleza com quatro jogos de antecedência.

“Queria que você estivesse do meu lado agora. Estou prestes a te dar o título brasileiro. Obrigado por tudo, te amo”, declarou visivelmente emocionado.

Na base, Gustavo passou pelo paulista Taboão da Serra, onde foi artilheiro da Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2014. Depois defendeu Criciúma, Bahia, Goiás, Fortaleza e Corinthians como profissional. O último, inclusive, é o time do coração do pai e atual detentor do seu passe enquanto jogador. Contratado no ano passado, o centroavante não conseguiu se firmar e foi negociado com o Tricolor do Pici à pedido do técnico Rogério Ceni, que ligou diretamente para o atleta.

“Na hora que ele (Rogério) falou isso, eu só pensei em chamar meu empresário e mandar ele fechar tudo porque, pelo que o Rogério Ceni tinha me falado, eu ia ter a sequência e a confiança que eu precisava para poder fazer o que eu mais gostava”, afirmou.

Com 64 pontos na tabela, o Fortaleza pode conquistar o título da Série B nesta terça-feira (6), quando enfrenta o vice-líder CSA na Arena Castelão. Caso conquiste o resultado positivo, basta que o Avaí não consiga a vitória diante do Atlético/GO na 35ª rodada para faturar a taça pela primeira vez na história do clube.

 

Com informações: Diário do Nordeste

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