Hospital de Messejana ameaça suspender atendimento de emergência

Em memorando interno, a direção do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes anunciou decisão de suspender o atendimento de emergência na unidade durante três dias. Entre a quinta-feira, 2, e hoje, apenas casos de infarto agudo do miocárdio com supra, bloqueio atrioventricular total sintomático ou risco imediato de morte seriam acolhidos. Procurada a assessoria de comunicação defendeu que o serviço não chegou a ser interrompido.

O memorando nº 70/2018 encaminhado pela direção à Chefia da Unidade de Emergência afirmava que a medida ocorria “em função da total incapacidade de atendimento da demanda explosiva da emergência, caracterizada pela inexistência de sequer um leito vago e após aquiescência do Sr. Secretário Estadual de Saúde, Dr. Henrique Javi”.

O documento cita o Conselho Regional de Medicina do Ceará, que estaria ciente da medida. Conforme o próprio hospital, na última quinta-feira existiam 103 pacientes internados além da capacidade de leitos.

Diante da situação, o Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec) notificou ontem a Sesa, o Cremec e a direção do hospital, solicitando esclarecimentos e providências. “Cogitar uma atitude como essa já é um absurdo”, afirma o presidente do Simec, Edmar Fernandes.

Conforme ele, um dos principais motivos para a situação é a falta de  hospitais que deem retaguarda à instituição.

O promotor de Justiça Luciano Percicotti, que atuou na Promotoria de Defesa da Saúde Pública, lembrou que no ano passado já havia ocorrido crise semelhante no mesmo hospital e em 2015 no Hospital Geral de Fortaleza. “Às vezes é a forma que a direção tem de pressionar o Governo em busca de melhorias, porque fica refém da superlotação e da falta de insumos”, justifica.

Entrevistas com a direção do HM e com Henrique Javi, titular da Sesa, foram solicitadas. Por meio de nota, o hospital informou que o atendimento da emergência segue de forma habitual. “Durante a noite de ontem (19h às 23h), quinta-feira (2), a triagem médica foi otimizada diante da grande demanda no hospital. Pacientes fora do perfil da unidade, que é de alta complexidade e que não apresentam risco de vida, estão sendo orientados a procurar outros serviços de emergência do SUS”, informaram. Já a assessoria da Sesa afirmou que a nota do hospital contemplava o posicionamento do órgão.

Com informações: O Povo

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