Ceará gera 4,6 mil vagas de trabalho com carteira assinada em agosto de 2018, das quais 3,2 mil no interior

Os dados mais recentes, de agosto de 2018, mostram que foram criadas no Ceará 4.661 vagas de trabalho com carteira assinada, sendo o interior responsável por 3.295 e a Região Metropolitana de Fortaleza por 1.366 vagas. Com o resultado, o Estado ocupou a quarta posição no Nordeste e a oitava no Brasil na geração de empregos. O acumulado de empregos com carteira assinada até agosto de 2018, quando totalizou 15.175 postos, representou um crescimento de 1,35% sobre o estoque de empregos celetistas observado no Estado em dezembro de 2017.

O resultado em agosto de 2018 é bem diferente do saldo acumulado negativo de empregos observado no mesmo período do ano anterior (-5.217 postos de trabalho), refletindo uma recuperação do mercado de trabalho cearense. Os dados estão no Enfoque Econômico nº 200 – Desempenho do Emprego Celetista Cearense – Agosto de 2018, que acaba de ser publicado Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), órgão vinculado à Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) do Governo do Ceará.

De acordo com o estudo, elaborado pelo analista de Políticas Públicas Alexsandre Lira Cavalcante, que contou com a colaboração do estagiário Heitor Gabriel Silva Monteiro, Fortaleza foi o município que mais contratou no mês de Agosto de 2018 (+1.294 postos), puxado pelas atividades de ensino; comércio varejista; transportes e comunicação. Foi seguido por Várzea Alegre, com 337 postos; Sobral, com 290 postos; Granja, com 276; Limoeiro do Norte, com 221; Juazeiro do Norte (217); Icapuí (205); Iguatu (165); Aracati (151) e Maranguape (125).

Os municípios que apresentaram menores saldos negativos foram Aquiraz, com -110 postos, resultado devido à atividade de alojamento e alimentação; Maracanaú (-80 postos), consequência das demissões na indústria mecânica, de vestuário e atividades imobiliárias e mobiliárias e serviços técnicos. Seguido por Senador Pompeu (-47 postos), resultado influenciado pela indústria de calçados. O trabalho tem como fonte dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho para o mês de Agosto de 2018.

O documento também traz a informação sobre a dinâmica da geração de empregos com carteira assinada para o acumulado do ano e até o mês em análise nos últimos nove anos. O acumulado até agosto de 2018 foi o primeiro positivo da série ajustada desde o agravamento da crise em 2015, assim é possível observar um encerramento do ciclo recessivo das contratações celetistas e o início de um ciclo de crescimento dessas. Pelos movimentos da série histórica, espera-se um maior ritmo de contratações nos meses restantes do segundo semestre.

O Enfoque Econômico nº 200 mostra ainda que sete das oito atividades apresentaram saldos positivos de empregos em agosto de 2018 no Ceará com exceção de SIUP. A maior contribuição foi novamente dada pelo setor de Serviços (+1.517 vagas), puxada pela atividade de ensino, seguido pelo Comércio (+1.056 vagas) e pela agropecuária (+950 vagas) para citar as três maiores. O Brasil, em agosto deste ano, apresentou um saldo positivo, entre admissões e desligamentos, de 110.431 postos de trabalho. O setor de Serviços foi responsável por 60 por cento do saldo mensal (66.256 vínculos), puxado pelas atividades de ensino e comércio e administração de imóveis, valores mobiliários e serviços técnicos. Somente a atividade da agropecuária registrou saldo negativo (-3.349 vagas).

 

Com informações: ASCOM do Governo do Estado do Ceará

Quase 25% dos brasileiros pedem demissão de forma espontânea

Embora o mercado de trabalho esteja muito distante do seu melhor momento, a retomada da criação de vagas formais, ainda que em ritmo lento, já tem desencadeado uma movimentação entre os trabalhadores: neste ano há mais brasileiros trocando de emprego por vontade própria.

Entre janeiro e agosto, 2,253 milhões de brasileiros pediram demissão de forma espontânea das empresas. O número equivale a 23% do total de desligamentos registrados no país no período, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

Neste ano, há uma ligeira aceleração quando se observa o retrato de 2017. Entre janeiro e agosto do ano passado, 2,105 milhões – ou 21% – dos trabalhadores pediram demissão por vontade própria.

Até agosto deste ano, o Brasil criou 568.551 empregos com carteira assinada em todo o país. A expectativa é que o país encerre o ano com saldo positivo, apesar de as expectativas estarem sendo revisadas para baixo diante do crescimento mais fraco. Se os números positivos forem confirmados, será a primeira vez que a economia brasileira vai criar vagas formais de trabalho desde 2014.

“Com a retomada do mercado de trabalho, ainda que mais fraco do que o esperado, a quantidade de pessoas que muda de emprego tende a subir”, afirma o professor do Insper, Sergio Firpo.

A demissão espontânea costuma acompanhar os movimentos de melhora e piora do mercado de trabalho. Nos períodos em que o Brasil gerava muitos postos de trabalho, a demissão espontânea chegou a responder por 30% dos desligamentos registrados. Com a crise, a fatia dos trabalhadores que se desligava por vontade própria chegou a cair para 20%.

O endurecimento das regras do auxílio-desemprego também pode ter ajudado a aumentar os pedidos de demissões espontâneas. Até 2015, bastava o trabalhador ter ficado seis meses no emprego que ele poderia receber o benefício. Com as alterações, o primeiro pedido só pode ser realizado após 18 meses de trabalho com a obrigatoriedade de ter recebido 12 meses de salário.

As mudanças ajudaram a evitar, por exemplo, que patrão e empregado fizessem acordo por uma demissão sem justa causa mesmo quando trabalhador já tinha assegurado outro emprego.

“No período de crescimento do mercado de trabalho, aumentava o número de demissões e não de pedidos de demissões. O que se observa nas outras economias é o contrário”, diz Firpo, do Insper. “Essas mudanças dificultaram e fizeram com que as pessoas tivessem mais consciência.”

Com informações: Atitude FM / G1