O papel de Cid no projeto Ciro – Por Érico Firmo

A esquerda do futuro que Ciro Gomes (PDT) pretende arquitetar, o “pós-Lula”, passa necessariamente e de maneira crucial por Cid Gomes (PDT). Será a segunda vez que o ex-governador cearense buscará empreitada nacional. A primeira durou 77 dias. Ele foi indicado ministro da área que seria prioridade do segundo mandato de de Dilma Rousseff (PT), a Pátria Educadora. Foi demitido em 18 de agosto, depois de bater-boca em rede nacional, com Eduardo Cunha (MDB-RJ), no plenário da Câmara dos Deputados. A presidente não queria se indispor com o então presidente da Câmara e disse que não teria como manter Cid. Ele foi demitido. Nove meses depois, Cunha abriu processo de impeachment contra a presidente. No ano seguinte, a presidente foi destituída; o ex-presidente da Câmara foi preso, e assim permanece.

O entrevero com Cunha é exemplar do que se pode esperar de Cid no Senado. Pelo estilo pessoal e o contexto político, é de se esperar que ele seja uma das estrelas da legislatura.

A projeção de Ciro

Cid será a mais relevante voz de Ciro. Precisará demarcar espaço na oposição, ao mesmo tempo em que se diferencia do PT. Precisará fazer barulho. Seus gestos, discursos e silêncios serão vistos como extensões da atuação de Ciro. Não parece ser papel que o incomode.

O estilo Cid

Cid é muitas coisas que Ciro não é: disciplinado, metódico. Lembra do mandato de deputado federal do irmão mais velho? O ponto mais baixo da carreira política. Um vexame. Um zero absoluto. Faltou a quase metade das sessões. Não apresentou um único projeto de lei, unzinho pra contar a história. Cid deve ser bem diferente, a levar em conta a história política, a visibilidade que terá e o papel estratégico para o projeto político do grupo.

Cid, no dia em que confrontou Cunha – Agência Câmara

Mas também tem muitas semelhanças com o irmão. O temperamento é explosivo, Cunha bem sabe. Normalmente, tem fala mansa, procura se apresentar como moderado, conciliador. Mas não leva desaforo para casa. Quando o bicho pega, só seus ex-secretários sabem como fica a fera.

Uma coisa é certa: será animado.

O papel de Mauro

Uma curiosidade é sobre o destino de Mauro Filho (PDT). Ele foi eleito pela primeira vez para a Câmara dos Deputados, onde o pai foi o mais assíduo orador por anos. Mauro é a pessoa há mais tempo em cargos no Governo do Ceará. Conhece os números por dentro. Foi secretário de Finanças de Ciro na Prefeitura; do Planejamento e, depois, do Governo, na gestão de Ciro no Estado. Nos dois últimos governos Tasso Jereissati (PSDB), foi presidente da Comissão de Orçamento. No governo Lúcio Alcântara, foi secretário da Administração. Nos governos de Cid Gomes e Camilo Santana, foi secretário da Fazenda.

Pelo histórico de quem tanto gosta e conhece o Executivo, Mauro é cotado para voltar à administração Camilo Santana. Foi eleito para seis mandatos na Assembleia Legislativa, mas só exerceu mesmo dois. Durante os outros quatro, passou a maior parte do tempo licenciado para ocupar cargos no Executivo. Fará isso de novo?

Bom para o governo Camilo seria. Como disse, Mauro conhece as finanças do Estado como talvez ninguém na história do Ceará. Mas não acho que seja o melhor para o deputado.

Mauro se projetou nacionalmente na campanha de Ciro. Concedeu muitas entrevistas e, muito pressionado, saiu-se muito bem ao explicar as propostas polêmicas do candidato. Chega com visibilidade e reputação, fundamentais para sobressair entre os outros 512. Tem potencial para ser na Câmara, para Ciro, um pouco do que Cid será no Senado. Como detalhe de que, tecnicamente, é mais qualificado que o irmão de Ciro.

Para ele e para o grupo, Mauro faz melhor se for para Brasília. Ocorre que haverá, também, pressão para Camilo Santana convocar integrantes da bancada federal para o secretariado, de modo a abrir vaga para suplentes. E não são propriamente numerosos aqueles em condições de ocupar cargo administrativo. Isso pode ser fator extra para levar Mauro de volta ao governo. Convenhamos, uma miudeza se for isso que pesar.

 

Com informações: O Povo

Cid se aproxima do PSDB em busca de uma aliança de centro-esquerda

Uma parceria que durou duas décadas pode estar prestes a ser reatada. Os irmãos Ferreira Gomes romperam em 2010 uma aliança com o senador Tasso Jereissati (PSDB). Desde então caminharam por vias opostas.  O gelo foi quebrado na semana passada, quando Tasso e o senador eleito Cid Gomes (PDT) se reuniram em Brasília para discutir sucessão para a presidência do Senado, que acontece em fevereiro do próximo ano. O PDT tem reforçado o movimento de afastamento do PT, e busca se integrar com  outros partidos da centro-esquerda.

A ideia é formar uma nova força de oposição ao governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) que ser protagonista de um novo tempo, em vez de continuar a reboque do PT, que terá 53 deputados federais e seis senadores a partir de 2019. A primeira medida é a disputa de espaços nas duas Casas Legislativas.

O presidente do PDT Carlos Lupi, adianta que o partido não será inimigo do PT, mas não será liderado por ele. “Vamos construir o nosso caminho”, disse.

O senador eleito Cid Gomes tomou para si a missão de articular com os tucanos a parceria. Ele observa que o objetivo é construir um grupo que não será oposição sistemática ao presidente Jair Bolsonaro, mas ao mesmo também não integrará a base aliada.

A formação grupo deverá ocorrer em duas etapas. Inicialmente a criação de bloco de centro-esquerda no Congresso Nacional com PSB, Rede e PPS. A segunda etapa será construir uma frente de blocos partidários que possam atuar de forma conjunta em pautas específicas e em disputas internas — como na eleição para a presidência das Câmara e Senado. Para comnsolidar esse projeto, o PDT quer a adesão de partidos como PSDB, Solidariedade, Podemos, PHS e até mesmo legendas próximas a Bolsonaro como DEM e PP.

Com relação ao Senado, Tasso Jereissati é um nome apontado como uma opção que agradaria o grupo. Cid destaca que a conversa com o PSDB é buscar uma aproximação estratégica no cenário nacional. “Estivemos em lados diferentes, mas o respeito sempre foi mútuo”, disse.

 

Com informações: Ceará Agora / Folha de S. Paulo

Tasso ganha força na disputa pela presidência do Senado

A eleição para a presidência do Senado é apenas em fevereiro do ano que vem, mas as negociações ganharam ritmo acelerado na última semana. Nessa briga, o nome do senador Tasso Jereissati (PSDB) se fortaleceu.

O tucano lidera hoje as articulações para uma candidatura de oposição à de Simone Tebet (MDB-MS). Antes cotado para a disputa, o ex-presidente do Congresso Renan Calheiros (MDB-AL) desistiu de sua postulação para apoiar a correligionária.

Pelas redes sociais, o presidente nacional da sigla, senador Romero Jucá, disse que o “MDB será a maior bancada do Senado e vamos trabalhar para fazer o próximo presidente da Casa”.

O ex-governador do Ceará conta com simpatia inclusive dentro do PDT de Cid Gomes, que conquistou cadeira no Senado em 2018 ? a terceira vaga será ocupada por Eduardo Girão (Pros), aliado do empresário.

Para apoiadores e mesmo adversários, o tucano teria perfil ideal para suceder o também cearense Eunício Oliveira (MDB) na cadeira de presidente. O emedebista, que não se reelegeu, deixa o comando da Casa em janeiro.

“Tasso tem duas coisas que vão contar muito ano que vem: um passado limpo e o peso da experiência”, disse uma fonte à reportagem.

“Ele é um nome de independência”, acrescentou o presidente do PSDB no Ceará, o ex-prefeito de Jaguaribara Francini Guedes. De acordo com o dirigente, o fato de o senador haver liderado o partido “em direção a uma autocrítica” também o cacifa para a corrida presidencial.

Guedes se refere à pressão que Tasso fez, quando presidiu interinamente a legenda, para que o PSDB reconhecesse os próprios erros, entre os quais ele inclui a aliança com o governo de Michel Temer (MDB).

Para o deputado federal Danilo Forte (PSDB), a candidatura de Tasso tem viabilidade caso o tucano consiga “atingir um caráter suprapartidário”, apresentando-se como um nome que reúne as melhores condições de presidir o Legislativo. Nessa hipótese, afirma o parlamentar, “Tasso teria chances”.

Embora negue que o assunto seja tratado dentro da sigla – o partido tem reunião amanhã para discutir os cenários nacional e local -, o deputado estadual Carlos Matos (PSDB) reconhece que “a candidatura de Tasso seria boa para o Brasil”. Segundo ele, porém, “isso é decisão pessoal do senador”.

Outro ponto que pode favorecer a candidatura de Tasso é a postura adotada por Eunício desde a eleição de Jair Bolsonaro (PSL). O ex-ministro tem demonstrado independência em relação ao militar, que tenta viabilizar uma candidatura mais flexível à agenda do novo governo, cujo principal item é a reforma da Previdência.

Nesta semana, Eunício contrariou interesses de Bolsonaro por duas vezes: a primeira, ao autorizar a presença de jornalistas em sessão conjunta da Câmara e Senado, na terça-feira, 6, durante solenidade de homenagem aos 30 anos da Constituição.

Um dia depois de o superministro da Economia Paulo Guedes afirmar que o Congresso precisaria de uma “prensa” para votar a Previdência ainda neste ano, o emedebista colocou em pauta o reajuste de 16,4% nos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A medida, levada à votação por iniciativa de Eunício, produz um efeito cascata nos vencimentos do funcionalismo, o que deve criar dificuldades para Bolsonaro. No Congresso, o gesto foi interpretado como uma resposta do senador ao futuro governo.

 

Com informações: O Povo

Tasso e Cid se reúnem a sós para discutir eleição da Mesa do Senado

Tasso Jereissati (PSDB) e Cid Gomes (PDT) se reuniram na quarta-feira da semana passada no gabinete do senador tucano, em Brasília. A conversa entre os dois se deu no âmbito das articulações políticas em torno da eleição da futura Mesa diretora do Senado. O encontro foi pedido por Cid, senador eleito do PDT, a Tasso, que vai iniciar em janeiro a segunda metade do seu segundo mandato de senador.

A conversa durou cerca de 60 minutos. O encontro se caracterizou pelos ânimos desarmados.  Tanto um quanto o outro saíram satisfeitos. Há mais de oitos anos que Tasso e Cid não se reuniam em articulações políticas. Em 2010, se deu o rompimento político entre eles. Naquele ano, ao fim de seu primeiro mandato de senador, Tasso foi candidato à reeleição sem o apoio do grupo político de Cid e Ciro Gomes. Desde então, tornaram-se rivais na política do Ceará.

Agora, a dinâmica natural ao jogo político pode até fazer Cid e o bloco do qual o PDT dará parte apoiarem uma possível candidatura de Tasso a presidente da Casa. “Não haveria nenhuma restrição de nossa parte. Pelo contrário”, disse Cid em relação à possibilidade. O PDT articula no Senado a formação de um bloco partidário entre o PDT (4 senadores), a Rede (5), o PSB (2), o PPS (2) e mais o senador Reguffe, que está sem partido e foi convidado por Cid para se filiar a uma das siglas do novo bloco.

As negociações para as composições das Mesas da Câmara e do Senado estão em pleno andamento. Como é usual, a conversa entre os partidos considera que a negociação para a eleição em uma casa se relaciona com os acordos para a eleição da outra.

 

Com informações: Focus

Veteranos e novatos já se movimentam para comandar o Senado a partir de 2019

Tão logo as eleições de outubro se encerraram e Jair Bolsonaro (PSL) venceu a corrida pelo Palácio do Planalto, o foco nos carpetes azuis do Senado se voltou para a disputa que definirá, em fevereiro de 2019, quem comandará a Casa pelos próximos dois anos.

A derrota de Eunício Oliveira (MDB-CE) nas urnas tirou do páreo o atual presidente do Senado e abriu caminho para nomes da velha guarda da Casa, como Renan Calheiros (MDB-AL) e Tasso Jereissati (PSDB-CE), e até mesmo novatos, como o ex-governador do Ceará Cid Gomes (PDT).

Porém, velhos rostos que voltam à Casa no ano que vem, como o senador eleito Esperidião Amin (PP-SC), pretendem pegar carona na onda conservadora para pleitear o posto número 1 do Senado.

Correndo por fora, a atual líder do MDB, senadora Simone Tebet (MS), aglutina votos da bancada ruralista e empolga quem gostaria de ver uma mulher comandando a Casa pela primeira vez.

A três meses da eleição interna, as movimentações no plenário, nos corredores e nos gabinetes do Senado ainda é silenciosa.

Embora alguns nomes sejam ventilados apenas para testar a viabilidade eleitoral, há quem pretenda aproveitar os meses de transição entre as legislaturas para consolidar uma candidatura e já começar a pedir votos.

Recém-reeleito para o quarto mandato consecutivo de senador, Renan Calheiros segue uma estratégia de se cacifar nos bastidores como opção para assumir, mais uma vez, o comando do Senado, posto que ele já ocupou em outras três oportunidades.

Relatos ouvidos no Senado dizem que Renan tem telefonado para senadores novatos em busca de apoio para uma eventual candidatura para a presidência da Casa. Emedebistas próximos ao parlamentar alagoano já estão, inclusive, atuando como cabos eleitorais, pedindo votos.

Em público, entretanto, ele desdenha da candidatura, afirma que há “excelentes” opções para assumir a cadeira de Eunício Oliveira em praticamente todos os partidos, mas, de forma cautelosa, destaca que não se pode “antecipar essa discussão” e é preciso “aguardar”.

“Eu tenho dito: ‘Eu não cogito, não quero’. Já fui presidente. Essa discussão deve ser levada para janeiro. Não podemos inverter os sinais, antecipar essa discussão (Renan Calheiros)

Renan é considerado pelos próprios colegas um dos mais hábeis articuladores políticos do Congresso. Sem assumir candidatura, ele voltou do recesso branco do período eleitoral e, imediatamente, começou a articular. No plenário, ele circula sorridente em todas as rodas de conversas, com as mãos nos ombros dos senadores.

Renan Calheiros conversa com senadores durante sessão do Senado — Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Renan Calheiros com senadores durante sessão do Senado — Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Há, entretanto, quem enxergue nas movimentações de Renan somente um “balão de ensaio” para, mais tarde, se não conseguir viabilizar a candidatura para o comando do Senado, ao menos assegurar a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a principal da Casa.

Apesar do bom trânsito com as diferentes correntes, o ex-presidente do Senado não é unanimidade. Caso venha a se lançar à sucessão de Eunício, deve sofrer oposição dos parlamentares mais ligados ao presidente eleito Jair Bolsonaro e de integrantes do seu próprio partido, o MDB.

Absolvido da acusação de desvio de dinheiro público no caso Mônica Veloso, Renan foi citado várias vezes em delações da Lava Jato e ainda é alvo de inquéritos no Supremo Tribunal Federal.

“Eu teria muita dificuldade de votar em Renan Calheiros. Os senadores que se elegeram com o discurso da renovação e da ética também”, afirmou um senador reeleito. “Renan não dá. É o candidato do mais do mesmo”, declarou um novato.

“Defendo um esforço suprapartidário para uma agenda em favor do Brasil. Para que nós possamos retomar o crescimento da economia, gerar emprego, aliás, em primeiríssimo lugar, essa é a coisa que mais interessa aos brasileiros. Mas não uma frente contra o governo”, afirmou.

Candidato dos bolsonaristas

Até então sem representação no Senado, o PSL, partido de Bolsonaro, elegeu quatro senadores na eleição de outubro, entre os quais o mais votado da Casa, Major Olímpio (SP).

Com o apoio de Bolsonaro, o novo senador paulista obteve 9.039.717 votos. Um dos filhos do presidente eleito, Flávio Bolsonaro (RJ) também vai reforçar a bancada do PSL no Senado.

Apesar da força política que obteve ao vencer a disputa pela Presidência e conquistar a segunda maior bancada da Câmara, dirigentes do PSL, até o momento, têm afirmado que não há pretensões de lançar candidato para o comando das duas casas legislativas do Congresso.

O próprio Bolsonaro disse nesta semana, em entrevista coletiva concedida no Rio de Janeiro, que recomendou ao PSL não lançar candidatos à presidência das duas casas. Em troca, espera atrair apoio de deputados e senadores de outros partidos às propostas que pretende apresentar ao Legislativo a partir de janeiro, como a reforma da Previdência.

“O que eu conversei com o meu partido é de que poderíamos apoiar outro partido para angariar a simpatia de outras legendas para os nossos projetos” afirmou Jair Bolsonaro.

Major Olímpio afirmou que o PSL deve priorizar a governabilidade de Bolsonaro apoiando no Senado uma candidatura que possa dar maior sustentação ao presidente eleito. Ele reafirmou que não será candidato nesta eleição.

Figura influente há décadas na política de Santa Catarina – estado que deu uma das maiores votações proporcionais ao presidente eleito –, Amin manifestou voto em Bolsonaro durante a campanha e mantém bom trânsito com a ala mais conservadora do parlamento.

Ex-governador catarinense, o novo senador é filiado ao partido Progressista, sigla do Centrão que pode assegurar, no Senado, até cinco votos ao Planalto na análise de reformas e de leis ligadas a costumes, que devem ser apresentadas no ano que vem pelo novo governo.

Procurado, Amin disse que, atualmente, não tem nenhum vínculo com o futuro governo, apesar de ter apoiado a candidatura de Bolsonaro.

O senador eleito afirmou que não é candidato à presidência do Senado, mas admitiu que já foi procurado por futuros colegas que o sondaram para o posto como candidato do governo. “Eu sou candidato? Não. Não estou pedindo votos. Meu nome está sendo especulado? Bota pra frente, espalha”, disse Amin.

“Sempre digo: ‘não descarto’ [ser candidato à presidência do Senado]. Agradeço com muito carinho. Se o sujeito me diz que estou sendo cogitado, é uma pequena medalha que você recebe”, afirmou.

Dono da maior bancada do Senado, embora tenha encolhido de 18 para 12 senadores, o MDB está com receio de ficar de fora da presidência da Casa pela primeira vez nos últimos 11 anos.

Os emedebistas têm se reunido nos últimos dias para tratar da sucessão de Eunício Oliveira.

De acordo com integrantes do partido, a palavra de ordem nesses encontros é tentar convencer a bancada a votar no mesmo nome na eleição secreta que escolherá o novo presidente do Senado.

“Para a instituição, seria importante que uma mulher viesse a assumir esse honroso cargo. A líder do MDB Simone Tebet tem todas as condições. É mulher, muito preparada e experiente. […] Assim, o MDB daria mostra de contemporaneidade”, argumentou a senadora Ana Amélia (PP-RS).

Uma das lideranças da bancada ruralista, a senadora gaúcha não poderá votar em Simone Tebet caso se confirme a candidatura da colega porque abriu mão da tentativa de reeleição para disputar o cargo de vice-presidente da República na chapa derrotada do tucano Geraldo Alckmin.

Frente de esquerda e PT isolado

O nome de Renan Calheiros para a presidência do Senado agrada especialmente ao PT.

Na campanha deste ano, o emedebista – que comandava a Casa à época em que os senadores aprovaram o impeachement de Dilma Rousseff – se reconciliou com o PT mirando os votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste.

Ele chegou a subir no palanque ao lado de Fernando Haddad (PT) e criticou duramente o presidenciável do MDB, Henrique Meirelles.

Nas eleições de 2018, a participação do PT no Senado diminuiu (de nove para seis senadores). Entre os petistas que deixarão o Senado no ano que vem estão a presidente nacional da legenda, Gleisi Hoffmann (PT-PR), eleita deputada federal, e o vice, Lindbergh Farias (PT-RJ), derrotado na disputa pela reeleição no Rio de Janeiro.

Ex-governador da Bahia e ex-chefe da Casa Civil do governo Dilma, o senador eleito Jacques Wagner deve se tornar a principal referência do PT no Senado a partir de 2019.

Ele, contudo, ainda não pretende entrar em uma disputa pelo comando da Casa, informou um dos interlocutores do petista.

Parceiros históricos como PDT e PSB se afastaram do PT após as eleições de outubro. As duas siglas de esquerda negociam a construção de uma frente parlamentar de oposição ao governo Bolsonaro na Câmara e no Senado, mas não querem contar com os petistas no bloco.

O PCdoB, legenda que integrou a coligação encabeçada por Fernando Haddad (PT), candidato derrotado a presidente, não elegeu senadores em 2018 e ficará fora da Casa a partir do ano que vem.

No Senado, há uma movimentação embrionária para tentar viabilizar a candidatura de Cid Gomes para a presidência.

O PDT conversa com PSB, Rede e PPS a fim de montar a frente parlamentar que daria musculatura à intenção de lançar o ex-governador do Ceará.

Irmão de Cid, o presidenciável derrotado do PDT, Ciro Gomes, saiu da disputa eleitoral ressentido com o PT e está disposto a liderar um movimento de oposição a Bolsonaro sem a participação de petistas.

“Não vamos formar frente com o PT nem na Câmara nem no Senado. O PT sempre quer tudo ao redor dele, e nós cansamos disso”, disse o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi.

“Vai ter muita coisa para acontecer até fevereiro. Ainda vamos ter muitas emoções”, declarou o dirigente pedetista.

A direção do PT convocou uma reunião para o final do mês a fim de discutir o cenário político. As eleições da Câmara e do Senado estarão em pauta.

Segundo integrantes do partido, há possibilidade de apoio a uma eventual candidatura do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), adversário histórico da sigla, mas considerado por petistas um parlamentar “com quem é possível dialogar”.

Petistas disseram que o partido priorizará no Senado o comando de comissões temáticas. Embora não acreditem que o diálogo com as outras legendas de esquerda esteja inviabilizado, o PT está disposto a fazer concessões e apoiar até mesmo um tucano, se for necessário, para garantir a presidência de comissões importantes.

“O PT quer tentar garantir protagonismo nas comissões, mas pode se juntar à frente de esquerda quando os ânimos da eleição se acalmarem”, destacou um petista da equipe de Jacques Wagner, referindo-se ao fato de que o PDT de Ciro Gomes se sentiu traído por Lula na disputa presidencial.

Com informações: G1

Cid prepara ato para receber Ciro e artistas pedem volta e apoio do pedetista a Haddad

No mesmo momento em que um grupo de artistas que se declara eleitor de Ciro Gomes no primeiro turno divulga vídeos nas redes sociais cobrando uma posição do pedetista a favor de Fernando Haddad (PT), o senador eleito Cid Gomes (PDT) lidera uma mobilização para recepcionar o líder político em sua volta das férias na Europa. O ato está marcado para o aeroporto Pinto Martins, na noite de sexta-feira, 26.

Nos vídeos, nomes como os da atriz Sonia Braga e da cantora Beth Carvalho fazem um apelo para que o terceiro colocado do primeiro turno volte ao Brasil na reta final da eleição e, “em nome da democracia” se posicione contra Jair Bolsonaro.

Os movimentos paralelos até passam a ideia de que foram ensaiados. Para Ciro, torna-se muito confortável declarar apoio mais firme a Haddad, na véspera da eleição, passando a ideia de que não podia deixar de atender aos apelos de personalidades da cultura.

 

Com informações: Fábio Campos

Camilo descarta rompimento com Cid: “sem possibilidade de acontecer”

O governador Camilo Santana (PT) descartou nesta quarta-feira (17), durante compromisso em Brasília, um rompimento com o senador eleito e padrinho político Cid Gomes, após as declarações do aliado ao Partido dos Trabalhadores durante ato pró-Fernando Haddad promovido em Fortaleza no início da semana. Para o petista, que também se diz crítico a algumas posturas da legenda, as manifestações representaram um “momento de desabafo”.

“Eu vejo sem possibilidade de isso acontecer. O PDT é um aliado nosso no Ceará. O PDT me apoiou no Estado do Ceará, somos aliados. O PDT teve um candidato a nível nacional, que foi o Ciro Gomes, que concorreu com o candidato do PT”, disse Santana. “Problemas sempre existem e existirão. Ali foi um momento de desabafo do ex-governador Cid Gomes. A nossa preocupação agora é com o País, é com o futuro do Brasil e dos brasileiros. Eu considero essa hipótese afastada”, completou.

Camilo Santana afirmou que, assim como Cid Gomes, já deu declarações que repercutiram nacionalmente para que a direção do PT reconheça alguns erros que, segundo ele, foram cometidos. “Sugeri inclusive isso à direção nacional. Essa é minha opinião há muito tempo”, frisou.

Com informações: Diário do Nordeste

Guimarães: ‘Cid nos tratou de forma desrespeitosa’

O deputado federal José Guimarães (PT), coordenador da campanha de Fernando Haddad no Ceará, reagiu à explosão crítica contra o PT que o senador eleito Cid Gomes teve ontem à noite. Para Guimarães, a atitude de Cid, irmão de Ciro Gomes, “foi desrespeitosa”.

“Lamento profundamente a forma desrespeitosa como fomos tratados pelo senador Cid Gomes (o senador que o PT apoiou) ao criticar o PT em um momento inadequado e que só contribuiu para gerar desconfiança e incertezas da nossa vitória”, afirmou.

Com informações: BR18

Confira o resultado final das eleições no Ceará

GOVERNADOR

Candidato Votação % Válidos
CAMILO (PT) 3.457.556  (79,96%)
GENERAL THEOPHILO (PSDB) 488.438 (11,30%)
HÉLIO GÓIS (PSL) 282.456 (6,53%)
AILTON LOPES (Psol) 90.611 (2,10%)
GONZAGA (PSTU) 5.060 (0,12%)
MIKAELTON CARANTINO (PCO)* Indeferido 0 (0,00%)
Total de eleitores 6.342.532
Abstenção 1.099.042
Comparecimento 5.243.490
Brancos 246.430
Nulos 672.939
Votos válidos 4.324.121

SENADO

Candidato Votação % Válidos
CID GOMES (PDT) 3.228.533 (41,62%)
EDUARDO GIRÃO (PROS) 1.325.786 (17,09%)
EUNÍCIO (MDB) 1.313.793 (16,93%)
DRA. MAYRA (PSDB) 882.019 (11,37%)
PASTOR PEDRO RIBEIRO (PSL) 334.561 (4,31%)
ANNA KARINA (PSOL) 316.922 (4,09%)
DR MÁRCIO PINHEIRO (PSL) 183.949 (2,37%)
PASTOR SIMÕES (PSOL) 150.644 (1,94%)
JOÃO SARAIVA (REDE) 21.654 (0,28%)
ROBERT BURNS (PTC) *Indeferido 0 (0,00%)
ALEXANDRE BARROSO (PCO) *Indeferido 0 (0,00%)
Brancos 853.822 (8,14%)
Nulos 1.849.607 (17,64%)
Anulados 25.690 (0,24%)

PRESIDENTE

Candidato Votação % Válidos
CIRO GOMES (PDT) 1.998.597 (40,95%)
FERNANDO HADDAD (PT) 1.616.492 (33,12%)
JAIR BOLSONARO (PSL) 1.061.075 (21,74%)
CABO DACIOLO (PATRI) 54.786 (1,12%)
GERALDO ALCKMIN (PSDB) 53.157 (1,09%)
HENRIQUE MEIRELLES (MDB) 27.902 (0,57%)
JOÃO AMOÊDO (NOVO) 23.198 (0,48%)
MARINA SILVA (REDE) 18.071 (0,37%)
GUILHERME BOULOS (PSOL) 15.103 (0,31%)
ALVARO DIAS (PODE) 8.142 (0,17%)
VERA (PSTU) 1.563 (0,03%)
EYMAEL (DC) 1.261 (0,03%)
JOÃO GOULART FILHO (PPL) 808 (0,02%)
Brancos 111.881 (2,13%)
Nulos 252.676 (4,82%)
Votos válidos 4.880.155 (93,05%)

Com informações: O Povo

PDT e PT definem voto em Cid Gomes para o Senado e liberam filiados para escolher 2º postulante

Duas das principais legendas que dão sustentação à coligação encabeçada pelo governador Camilo Santana, o PT e o PDT definiram voto no candidato Cid Gomes (PDT) para o Senado e liberaram os filiados para votarem no postulante de sua preferência para a segunda vaga em disputa. Isso faz com que muitos membros da base aliada optem por nomes que não fazem parte do bloco governista.

De acordo com pesquisa Ibope encomendada pela TV Verdes Mares, divulgada pelo Diário do Nordeste na segunda-feira, 24, as intenções de voto em branco ou nulo são de 12% para a primeira vaga e 21% para a segunda. Cid Gomes soma 64% das intenções de voto e Eunício Oliveira (MDB), em segundo lugar, tem 39%. Eduardo Girão (PROS) vem depois, com 10%, seguido por Dra. Mayra (PDSB), com 9%. Os demais postulantes alcançam até 3%.

O presidente estadual do PDT, deputado federal André Figueiredo, afirmou ao Diário que o partido não indicou voto para a segunda vaga ao Senado. “Não existe definição sobre quem será a segunda vaga e está todo mundo liberado”, ressaltou.

O presidenciável Ciro Gomes (PDT), em entrevista ao Diário em agosto passado, informou que seu candidato ao Senado era o irmão, Cid Gomes, e que estaria em busca de outro nome para a segunda vaga. O pedetista ainda não definiu o segundo voto ao Senado, mas não seguirá orientação de Camilo, que apoia a reeleição de Eunício.

Com informações: Diário do Nordeste