Ciro dispara críticas contra superministros

Ao tecer duras críticas às escolhas do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para os ministérios, o candidato derrotado ao Palácio do Planalto, Ciro Gomes (PDT), caracterizou a relação entre Paulo Guedes, futuro superministro de Economia, e Sérgio Moro, que ocupará o superministério da Justiça e Segurança Pública, como “filho de jabuti com macaco prego”.

“A gente não sabe o que é que vem da cabeça do Paulo Guedes e do Sérgio Moro arbitrado pelo Bolsonaro”, reforçou. Na opinião dele, o presidente eleito agirá como uma “espécie de relações públicas do governo”, enquanto está “feudalizando” o governo em superministérios “com funções absolutamente estanques”.

Ciro também criticou a maneira como as relações exteriores estão sendo tratadas pelo governo de transição. “É um negócio de doido. Com nove dias, já tem conflito com o Mercosul, conflito com a China e conflito com o mundo árabe”, citou. Ele disse não ver qual o objetivo de mudar a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém e caracterizou de “pirado” o chanceler indicado por Bolsonaro. “Simples e puro despreparo, loucuras”, definiu.

As afirmações foram feitas ontem durante palestra de encerramento da semana de workshops PfoR Ceará: Aprendizados e Novos Desafios, realizado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), em parceria com o Banco Mundial, no Centro de Eventos.

Mesmo com todas as críticas, Ciro afirmou estar torcendo para que tudo funcione para o novo governo. “É claro que eu torço, quero que dê certo, mas não é provável”, aponta. Para ele, contudo, a eleição do capitão reformado não representa uma ruptura democrática, o que ele define como “o terror que o PT espalhou”. “Não houve nenhuma ruptura com a democracia. Cabe vigiar, porque democracia não é um regime de concessão, é um regime de conquista”, ressaltou.

Um dos nomes centrais de uma frente de oposição ao governo Bolsonaro, o pedetista afirma que não há intenção de isolar o PT, mas que a “meta é não deixar que o PT dê o tom da sua atitude desastrada, antinacional, antipública”.

Sobre uma possível candidatura, Ciro diz acreditar ainda ser muito cedo. “Para quem conhece o Brasil como eu conheço, 2022 está tão longe, tão improvável, tão cheio de improbabilidade, impossibilidades e possibilidades”, afirma.

O momento, segundo ele, é de “parar para pensar e fazer reflexões mais internas para entender como é que o pensamento progressista brasileiro se vulnerou ou vulnerou a sociedade civil brasileira a tal ponto para entrar uma coisa tão estranha quanto é o Bolsonaro”.

“Tosco”

Ciro afirmou que o governo de Jair Bolsonaro se baseia em um “direitismo tosco, rude”. “O que nós estamos assistindo é uma agenda retrospectiva aos piores e mais obscuros tempos da Idade Média”.

“Nunca nos agradou o distanciamento com o Tasso”

Sobre a aproximação entre o senador eleito Cid Gomes (PDT) e Tasso Jereissati (PSDB) visando à eleição para a presidência do Senado Federal, Ciro Gomes (PDT) afirmou que “nunca nos agradou o distanciamento com o Tasso”.

Para ele, a articulação entre os dois políticos cearenses, que estarão juntos na Casa a partir de 2019, “não é uma questão do Ceará, mas uma questão nacional”. Ele elogiou o tucano, afirmando se tratar de “um cara sério, um cara de nível”, embora “tenha visões diferentes das nossas”.

Cid Gomes havia dito ao O POVO, no último dia 21 de novembro, que Tasso Jereissati “atenderia a esse perfil” para a presidência do Senado, mas que o PSDB “precisaria querer”. Já o tucano reconheceu diálogo com Cid Gomes, também durante a última semana. “Tivemos uma longa conversa (há duas semanas). Acho que a articulação dele tem sentido”, disse o senador.

Ciro Gomes afirmou também que é um momento oportuno para unir forças com outros políticos que tenham “responsabilidade com o país independente das nossas percepções e diferenças”. O candidato derrotado à presidência afirmou estar fazendo articulações com ex-presidenciáveis.

Após reunião para discutir com a ex-presidenciável Marina Silva (REDE) para discutir a oposição ao governo Bolsonaro no começo de novembro, ele afirmou também ter entrado em contato com Geraldo Alckmin (PSDB), mas não deu maiores detalhes.

 

Com informações: O Povo 

“Ou me esquece, ou me convida para jantar”, diz Ciro sobre Haddad

O candidato derrotado à presidência da República, Ciro Gomes (PDT), disse, em entrevista concedida ao Valor Econômico, que ainda não conversou com o também derrotado Fernando Haddad (PT) após a eleição. Esta foi a primeira entrevista de Ciro após cirurgia na próstata à qual foi submetido.

Questionado sobre a relação com o petista, disse ser “excelente”, apesar de não saber se restaram ou não mágoas no petista em razão do comportamento pouco participativo na campanha do segundo turno. “Não misturo pessoalidades com meus adversários, todos eu cumprimento.”.

Em seguida, mencionou entrevista à Folha de S. Paulo em que o petista “falando de mim toda hora”. “Desse jeito, ele tem de me esquecer. Ou me esquece, ou me convida pra jantar!”.

Na entrevista referida, a primeira depois da derrota, Haddad fala que Ciro não soube fazer a coalizão com o PT, vista por ele como a única que o levaria à vitória.

O ex-ministro da Educação disse que o filósofo Mangabeira Unger, um dos mentores intelectuais do ex-governador do Ceará, afirmou que Ciro não poderia dar continuidade ao lulismo,  nem receber o “bastão” do ex-presidente. Na conversa, Haddad também diz que o PDT é um partido de esquerda, “pero no mucho”.

Sobre o futuro do PT, Ciro projetou que, enquanto a “grande tese” for a campanha Lula Livre, a sigla irá definhar. Entretanto, ressaltou que é um partido importante, que tem base.

Bolsonaro

Ainda na conversa com o Valor Econômico, o pedetista disse que o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), não representa uma ruptura democrática. Avaliou este argumento como incitação petista ao terror. Apesar disso, não amenizou o tom ao falar do militar. “Eu o considero, como já falei na campanha, uma cédula de 3 reais. Ele é qualquer coisa e é nada”.

 

Com informações: O Povo

Ciro Gomes recebe alta após cirurgia na próstata em hospital de SP

O ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes, que disputou as eleições presidenciais pelo PDT, recebeu alta médica do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, nesta quinta-feira (22) depois de ter sido submetido a uma cirurgia na próstata segunda-feira (19), para tratamento do crescimento benigno da glândula.

Em nota divulgada na quarta-feira em sua conta no Instagram, Ciro Gomes diz que “o procedimento, realizado pelo dr. Miguel Srourgi, transcorreu com normalidade”.

Durante a campanha eleitoral, Ciro Gomes precisou fazer um procedimento cirúrgico também no Sírio-Libanês. No dia 25 de setembro, Ciro foi “submetido a uma intervenção cirúrgica de menor porte com cauterização das áreas hemorrágicas”. O procedimento foi endoscópico, sem corte, e durou 30 minutos.

Na época, o hospital divulgou o boletim médico afirmando que “no futuro, talvez torne-se necessária novas avaliações para se evitar repetição de episódios semelhantes”.

 

Com informações: G1

Ciro Gomes passa por cirurgia na próstata em SP

O ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes, que disputou as eleições presidenciais pelo PDT, realizou na última segunda-feira (19), no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, uma cirurgia na próstata para tratamento do crescimento benigno da glândula.

Em nota em sua conta no Instagram, Ciro Gomes diz que “o procedimento, realizado pelo dr. Miguel Srourgi, transcorreu com normalidade”.

Ciro Gomes deve receber alta até o final desta semana, segundo a nota.

Ciro Gomes divulgou nota sobre sua cirurgia— Foto: Instagram/Ciro Gomes

Cirurgia durante a campanha

Durante a campanha eleitoral, Ciro Gomes precisou fazer um procedimento cirúrgico também no Sírio-Libanês. No dia 25 de setembro, Ciro foi “submetido a uma intervenção cirúrgica de menor porte com cauterização das áreas hemorrágicas”. O procedimento foi endoscópico, sem corte, e durou 30 minutos.

Na época, o hospital divulgou o boletim médico afirmando que “no futuro, talvez torne-se necessária novas avaliações para se evitar repetição de episódios semelhantes”.

Com informações: G1 Ceará

Ciro Gomes diz que Bolsonaro não representa risco à democracia

Seguindo o posicionamento que adotou desde o fim do primeiro turno das eleições deste ano, Ciro Gomes (PDT) voltou a se contrapor ao PT durante palestra para investidores da XP, na semana passada. Segundo a revista Veja, o pedetista repetiu o discurso de que ele e seu partido, diferente dos petistas, não farão uma “oposição raivosa” ao próximo governo.

Ainda de acordo com a publicação, durante sua participação na palestra, Ciro Gomes teria dito que o presidente eleito, Jair Bolsonaro(PSL), “não representa risco à democracia”, pois, segundo ele, “falta vontade do capitão e porque não haveria meios para se aplicar um golpe à essa altura do campeonato”.

Em entrevista para o jornal Estado de S. Paulo, nesta segunda-feira (19), o senador eleito Cid Gomes (PDT), irmão de Ciro, já havia afirmado o PDT irá fazer uma oposição “programática” ao novo governo e que se o PT quiser se juntar a eles, terá que fazer uma “revisão” de sua postura histórica como oposição sistemática.

Com informações: Diário do Nordeste

O papel de Cid no projeto Ciro – Por Érico Firmo

A esquerda do futuro que Ciro Gomes (PDT) pretende arquitetar, o “pós-Lula”, passa necessariamente e de maneira crucial por Cid Gomes (PDT). Será a segunda vez que o ex-governador cearense buscará empreitada nacional. A primeira durou 77 dias. Ele foi indicado ministro da área que seria prioridade do segundo mandato de de Dilma Rousseff (PT), a Pátria Educadora. Foi demitido em 18 de agosto, depois de bater-boca em rede nacional, com Eduardo Cunha (MDB-RJ), no plenário da Câmara dos Deputados. A presidente não queria se indispor com o então presidente da Câmara e disse que não teria como manter Cid. Ele foi demitido. Nove meses depois, Cunha abriu processo de impeachment contra a presidente. No ano seguinte, a presidente foi destituída; o ex-presidente da Câmara foi preso, e assim permanece.

O entrevero com Cunha é exemplar do que se pode esperar de Cid no Senado. Pelo estilo pessoal e o contexto político, é de se esperar que ele seja uma das estrelas da legislatura.

A projeção de Ciro

Cid será a mais relevante voz de Ciro. Precisará demarcar espaço na oposição, ao mesmo tempo em que se diferencia do PT. Precisará fazer barulho. Seus gestos, discursos e silêncios serão vistos como extensões da atuação de Ciro. Não parece ser papel que o incomode.

O estilo Cid

Cid é muitas coisas que Ciro não é: disciplinado, metódico. Lembra do mandato de deputado federal do irmão mais velho? O ponto mais baixo da carreira política. Um vexame. Um zero absoluto. Faltou a quase metade das sessões. Não apresentou um único projeto de lei, unzinho pra contar a história. Cid deve ser bem diferente, a levar em conta a história política, a visibilidade que terá e o papel estratégico para o projeto político do grupo.

Cid, no dia em que confrontou Cunha – Agência Câmara

Mas também tem muitas semelhanças com o irmão. O temperamento é explosivo, Cunha bem sabe. Normalmente, tem fala mansa, procura se apresentar como moderado, conciliador. Mas não leva desaforo para casa. Quando o bicho pega, só seus ex-secretários sabem como fica a fera.

Uma coisa é certa: será animado.

O papel de Mauro

Uma curiosidade é sobre o destino de Mauro Filho (PDT). Ele foi eleito pela primeira vez para a Câmara dos Deputados, onde o pai foi o mais assíduo orador por anos. Mauro é a pessoa há mais tempo em cargos no Governo do Ceará. Conhece os números por dentro. Foi secretário de Finanças de Ciro na Prefeitura; do Planejamento e, depois, do Governo, na gestão de Ciro no Estado. Nos dois últimos governos Tasso Jereissati (PSDB), foi presidente da Comissão de Orçamento. No governo Lúcio Alcântara, foi secretário da Administração. Nos governos de Cid Gomes e Camilo Santana, foi secretário da Fazenda.

Pelo histórico de quem tanto gosta e conhece o Executivo, Mauro é cotado para voltar à administração Camilo Santana. Foi eleito para seis mandatos na Assembleia Legislativa, mas só exerceu mesmo dois. Durante os outros quatro, passou a maior parte do tempo licenciado para ocupar cargos no Executivo. Fará isso de novo?

Bom para o governo Camilo seria. Como disse, Mauro conhece as finanças do Estado como talvez ninguém na história do Ceará. Mas não acho que seja o melhor para o deputado.

Mauro se projetou nacionalmente na campanha de Ciro. Concedeu muitas entrevistas e, muito pressionado, saiu-se muito bem ao explicar as propostas polêmicas do candidato. Chega com visibilidade e reputação, fundamentais para sobressair entre os outros 512. Tem potencial para ser na Câmara, para Ciro, um pouco do que Cid será no Senado. Como detalhe de que, tecnicamente, é mais qualificado que o irmão de Ciro.

Para ele e para o grupo, Mauro faz melhor se for para Brasília. Ocorre que haverá, também, pressão para Camilo Santana convocar integrantes da bancada federal para o secretariado, de modo a abrir vaga para suplentes. E não são propriamente numerosos aqueles em condições de ocupar cargo administrativo. Isso pode ser fator extra para levar Mauro de volta ao governo. Convenhamos, uma miudeza se for isso que pesar.

 

Com informações: O Povo

Ciro aproveita o movimento para isolar o PT e estimula filiações ao PDT

O PT já está isolado no cenário nacional. O fato de não ter conseguido fazer uma ampla aliança para disputar a Presidência da República, já foi uma demonstração do pouco apreço que tem hoje da grande maioria das lideranças partidárias. Ciro Gomes não tem encontrado barreiras no seu trabalho de unir políticos, antes próximo aos petistas, para fazer oposição ao Governo do presidente Jair Bolsonaro, a partir de janeiro próximo, isolando o PT.

As bases dessa oposição estão fincadas. Se mantida a promessa do próximo presidente, de não cooptar políticos, acabando a velha negociação da troca de apoio por cargos, o grupo oposicionista será significativo, mesmo persistindo a atração governista da maioria dos que conquistam mandatos eletivos. Não está sendo difícil deixar os petistas sem o protagonismo que sempre tiveram no cenário nacional nos últimos anos.

Não será surpresa, mantido o quadro atual, de alguns filiados ao PT trocarem de partido. O comportamento de lideranças nacionais na disputa presidencial última  contrariou a vários deles, quando afastou velhos e tradicionais aliados de outras siglas, deixando Fernando Haddad, o escolhido unicamente por Lula para ser o candidato do partido, praticamente só após todo o desgaste forçado pelo próprio ex-presidente, preso, por conta de condenação criminal.

Aliás, ontem, a senadora Marta Suplicy, que por muitos anos conquistou mandatos filiada ao PT, ao responder uma indagação sobre “que papel Lula teve nesta eleição”, disse que foi “Tétrico. Ele focou na pessoa dele e escanteou de forma vil o Ciro Gomes, que era a candidatura com a qual as esquerdas poderiam talvez ter tido alguma chance. Eu própria votei no Ciro, porque achei que ele tinha o melhor discurso. Mas o Lula não permitiu isso. Ali ele selou o destino das esquerdas”, concluiu, não sem antes ressaltar o discurso de Cid Gomes, cobrando um pedido de desculpas do partido que “fez muita besteira”.

Os pedetistas estão gostando deste momento. Eles esperam aproveitar o embalo do Ciro, e aumentar o número de filiados ao partido, olhando para a próxima disputa municipal, quando esperam  ter o maior número de candidatos nas capitais e em cidades com mais de 50 mil eleitores. Para não repetir o comportamento do PT, guardarão espaços para as alianças com as siglas do arco oposicionistas.

 

Com informações: Edison Silva

Ciro e Marina se reúnem em Brasília para discutir oposição a Bolsonaro

Candidatos derrotados no primeiro turno da eleição presidencial, Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) se reuniram em Brasília nesta quarta-feira, 7, para discutir estratégias de oposição ao governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).

O encontro foi registrado por Marina, líder do partido Rede Sustentabilidade, em suas redes sociais. “Trocamos ideias sobre o desafio de uma oposição democrática, que seja comprometida com o desenvolvimento sustentável, a defesa das instituições e do interesse nacional”, escreveu Marina.

Mais cedo, Ciro publicou um vídeo agradecendo mensagens recebidas em seu aniversário, que foi ontem, e disse ter intenção de “seguir lutando pelo Brasil, pelo nosso povo”.

 

Com informações: Correio Braziliense

‘Ciro não contribuiu para nossa derrota’, afirma Manuela D’Ávila em 1ª entrevista após 2º turno

Vice da chapa do petista Fernando Haddad, derrotada no segundo turno da disputa presidencial deste ano, Manuela D’Ávila (PCdoB) reconheceu ao Jornal O Globo que os partidos de esquerda subestimaram o potencial eleitoral do então candidato Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno.

A deputada estadual pelo Rio Grande do Sul, em sua primeira entrevista após o segundo turno, disse que a campanha petista conseguiu estabelecer uma forte conexão com as ruas na reta final da corrida ao Planalto, mas considera que tanto ela quando Haddad deveriam ter retomado a campanha de rua mais cedo após o primeiro turno.

Manuela é mãe de uma menina de dois anos, que viajou com ela a 19 estados durante o processo eleitoral. Nos primeiros compromissos de campanha, ainda amamentava. Ela diz que sua maior contribuição nas eleições foi “mostrar que as mulheres que são mães podem ocupar os espaços públicos”.

Confira abaixo a entrevista de Manuela D’Ávila ao Jornal O Globo na íntegra:

Qual é o balanço da eleição?

Foi um processo cheio de particularidades. Teve um desfecho de uma mobilização social muito impressionante, muito bonita. O engajamento de pessoas sem nenhum partido, que nunca tinham se engajado, em defesa de causas muito valiosas, como a democracia e a liberdade. O resultado tem relação com muitos fatores. Lá atrás, em novembro do ano passado, já defendíamos, no PCdoB, uma união de esquerda mais ampla. No final, o desfecho popular foi a construção da unidade que nós não conseguimos fazer nos partidos. Fiz um esforço lá atrás muito grande, dizendo que a unidade não era uma bandeira, que deveria se materializar na prática. E na prática a única que deixou de ser candidata fui eu, o que várias vezes foi criticado de forma machista dizendo que foi um gesto de submissão.

Por que não foi possível construir uma frente ampla de partidos de esquerda?

Os partidos têm as suas posições, que não são incorretas, são as que melhor representam o conjunto da sua militância, mas não tinham a avaliação exata do perigo que representava o adversário. Vários partidos subestimaram a hipótese de o Bolsonaro ir para o segundo turno. Esse nunca foi o meu caso. Eu, desde 2014, voltei para Porto Alegre muito por causa disso. Já percebia que havia uma mudança no tecido social, e que essa mudança teria impactos no processo eleitoral. Há bastante tempo eu dizia que o Bolsonaro era um candidato bastante forte. Quando tu faz essa avaliação, é mais fácil tirar as consequências dela. Se tu acha que esse cenário não é o mais provável, é mais fácil cometer o erro de lançar candidatura e achar que a unidade não é algo tão importante.

Quais foram os principais erros da chapa?

O erro geral foi subestimar o esquema de difusão de mensagens falsas pela internet e o incremento do uso do WhatsApp. Foi um erro não imaginar que esse mecanismo teria um impacto tão intenso na sociedade. Havia a ideia de que as eleições seriam como todas de 1989 para cá. Especialmente na comunicação, que era o formato de grandes partidos, tempo de TV e campanha de rua. Teve quem apostou em TV e partidos, e quem apostou em rua e Internet. O Ciro teve uma internet exemplar. Teve pouquíssimo tempo de TV, mas, mesmo assim, conseguia reverberar suas ideias. Ele não tinha essa guerrilha do submundo, da baixaria, dos milhões de reais que financiam os boatos.

A senhora enxerga erros do PT nesse processo?

Qual a chapa que representava mais renovação do que a nossa? Uma chapa representada por uma mulher com uma trajetória construída sozinha no movimento social e por um professor, que não é um político tradicional. E a questão da temporalidade do lançamento da candidatura do Haddad entra num campo de hipóteses que não têm como serem aferidas. Porque a força do presidente Lula é real, ele era o primeiro colocado nas pesquisas até o dia 17 (de setembro), até ser oficialmente retirado. E a transferência deu certo, nós chegamos ao segundo turno. Muitos diziam que nós não chegaríamos a quatro pontos. O resultado foi positivo.

O quanto a figura do Lula preso prejudicou?

A rejeição do Haddad cresceu em função de uma campanha difamatória que sofremos pela internet, que envolveu milhares e milhares de pessoas. Avaliar a partir de programas de TV o que foi feito, o que foi dito, é não perceber o que aconteceu no processo eleitoral. A TV contou tão pouco que nosso adversário não teve a hombridade de debater e isso não pesou contra ele. Atribuo a rejeição às mentiram bárbaras que foram pregadas. Às vezes tenho a impressão de que as pessoas não têm noção da amplificação que tem uma mentira na internet: 70 perfis que publicaram notícias falsas sobre mim foram compartilhados 300 mil vezes e somam 13 milhões de visualizações. A gente está falando de uma audiência gigantesca.

O PT foi muito cobrado por fazer a autocrítica pelos erros cometidos, o que não aconteceu.

O (governador do Maranhão) Flávio Dino falou uma vez que autocrítica é algo que se faz na prática. E vários pontos foram incorporados pelo programa de governo. Um deles, que conversei com Haddad, era a ausência de incorporação de mecanismos de controle pelas estatais, mecanismos que existem nos ministérios. Isso na prática é uma autocrítica.

O que deveria ter sido feito diferente?

Avalio que a frente ampla deveria ter sido construída. Fiz o que estava ao meu alcance para isso. Acredito que nós, no segundo turno, vimos que havia muita vontade do povo brasileiro de se engajar no processo eleitoral a nosso favor, mas isso aconteceu sobretudo nos últimos dez dias. Acho que a gente poderia ter ido para a rua ainda antes.

O PDT tem dito que não estará ao lado de PT e já começa a se movimentar para 2022.

A primeira coisa que temos que fazer é ouvir o recado das ruas, dos brasileiros e brasileiras que estiveram conosco especialmente no segundo turno. Quero estar com eles. Fazer a disputa de 2022 ou de qualquer coisa que o valha ou de hegemonismo de um partido sobre esse processo é não compreender a necessidade de estarmos unidos para garantir que as liberdades individuais sejam garantidas e a Constituição, resguardada. Todas as outras questões são menores.

O Ciro contribuiu para a derrota de Haddad?

O Ciro teve uma participação brilhante no primeiro turno e ele foi quem viabilizou também, com seu elevado percentual de votos, o segundo turno. Ciro não contribuiu para nossa derrota. Ele contribuiu para a existência do segundo turno com a campanha que fez até o último dia em alta intensidade. Ele cometeu um equívoco em não se envolver no segundo turno.

Na reta final, Mano Brown disse que o PT perdeu a conexão com as ruas. Concorda?

Sim. Não o PT, o foco no PT é errado. Vários segmentos do setor democrático e progressista se descolaram, e a maior parte dos que votaram escolheu o nosso adversário. Não há prova maior do que o resultado das urnas. Se estivéssemos, como campo político, mais próximos da população, isso teria sido mais difícil de acontecer. Claro que a crítica do Brown é válida. Tanto que ele fala explicitamente da comunicação. Se você pensa a campanha a partir da TV e hoje um youtuber tem uma influência maior do que qualquer apresentador de televisão, tem uma dessintonia.

A esquerda vai ter que passar por uma correção de rumos?

A reta final do segundo turno já corrigiu o nosso rumo. É esse o rumo que temos que manter. De muita unidade popular, de uma militância na rua, ouvindo as pessoas, conversando. O movimento de virada de votos foi isso. Um movimento de humildade, de ir, de ouvir, de estabelecer laços, de ser mais compreensivo, de ouvir sobre os equívocos. A reta final para mim é a nossa nova posição.

Qual deve ser o papel do Haddad agora?

Ele vai voltar a dar aula, é o que ele faz, é o que ele fez quando saiu da prefeitura de São Paulo. Mas ele é o grande líder da oposição do Brasil hoje. Esse é o lugar em que a sociedade o colocou. Não sei como ele vai ocupar, não conversei com ele sobre isso. Ele voltou para São Paulo e voltei para Porto Alegre para marcar a banca do meu mestrado.

E a senhora?

Estou terminando o mestrado. Terminei durante a campanha, entreguei minha dissertação no dia do debate da Record, 30 de setembro. Agora só tenho que marcar a banca. Mas vou continuar militando, é o que faço a minha vida toda. Vou trabalhar na área de políticas públicas, sou jornalista, e vou continuar militando. O Brasil precisa que nos organizemos para dar um salto na nossa democracia.

A senhora manifesta muita preocupação com a disseminação de fake news.

Em 2015, vivi o que são as redes de mentira e já alertava que existiam grupos com financiamento não declarado, por não se tratarem de partidos, que construíam essas mentiras potencializadas pelas redes sociais. Para mim, tem um episódio que foi muito emblemático. Minha filha nasceu em agosto de 2015. Antes disso, viajei com meu marido para ele finalizar um disco e pedi uma licença atípica na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul – era uma licença em que eu tinha todos os dias (de salário) descontados. Eu estava grávida. E, por alguma razão, inventaram que eu tinha feito o enxoval em Miami. Eu não conheço Miami. Achei graça. Quando me dei conta, nas redes sociais o debate que começou é se eu tinha direito de fazer um enxoval em Miami ou não. Ou seja: a mentira deu lugar a um debate de pós-verdade.

E a senhora não conseguiu desmentir essa informação?

Nunca ninguém parou para me perguntar se eu tinha feito. Não conheço Miami. Aquilo foi emblemático. Logo depois que a Laura nasceu, ela tinha dois meses, eu tava num show do meu marido e uma mulher me agrediu e acabou agredindo minha filha, que estava presa a mim. A mulher me bateu perguntando se eu tinha comprado o sling (pano com o qual a mãe amarra o bebê em seu corpo) em Miami. Eu tinha que ter comprado em Cuba, porque eu era comunista. Aí me dei conta de que, primeiro, existia alguém que financiava a amplificação da mentira. Porque não existe isso, de um país inteiro debater a falsa compra de um falso enxoval feita numa cidade que eu sequer conheço. Isso não acontece de graça. E, segundo, que o ódio das redes foi para as ruas, porque, se alguém tem coragem de bater num bebê de dois meses… Ali me dei conta da estrutura.

Como foi disputar a eleição com um bebê?

Foi lindo o nível de afeto que a campanha promoveu. Recebi declarações de mulheres, mães, o tempo inteiro. Isso foi muito forte e estimulante. Quando comecei a fazer a minha pré-campanha, a Laura ainda era amamentada e eu não sabia como ia ser, e tinha que levá-la comigo. E muitos questionavam: como assim, ela vai com a criança? Tenho uma filha de dois anos, e não aceito mudar como a educo. Foi algo que, no início, era uma imposição minha, em função da necessidade. E teve uma transformação. A primeira vez que vi isso foi quando desci no aeroporto, em Minas, e a Jô Moraes tinha organizado uma comitiva mirim. Todos os militantes que tinham filhos da idade da Laura levaram os filhos para acompanharem a agenda do dia inteiro. Foi a cena mais emocionante, porque vi que tinha virado um disco. E talvez tenha sido o que de mais importante fiz nesse processo eleitoral: mostrar que as mulheres que são mães podem ocupar os espaços públicos. Porque os espaços públicos nos são tirados quando somos mães de crianças. Por outro lado, por causa dela, mais me impactava a violência que eu sofria.

Qual foi o pior momento da campanha?

Não consigo compreender que tipo de gente faz uma mãe com uma criança no colo ter medo, como alguém consegue gritar com uma mulher com uma criança no colo. O pior momento de toda a eleição foi um dia em que eu estava num hotel em São Paulo tomando café com a Laura e uma mulher começou a gritar coisas horrorosas para mim, e achei que ela ia me bater. E eu não conseguia responder, fiquei com o meu corpo na frente do corpinho dela, com medo de que a mulher batesse nela. E quando a mulher foi embora, eu não sabia o que fazer, pensei em chamar a polícia, pensei no circuito de câmera para identificá-la, porque tinha uma menor junto. E a Laura só me abraçou e falou: “o pão de queijo desse hotel é o melhor de todos, mamãe, fica tranquila”. Faço política desde os 16 anos e nunca vi as pessoas se odiarem tanto por pensarem diferente. Nunca vivi isso. E muito menos com aquilo que é o mais sagrado, que é a maternidade. Então a dor e a delícia de ser quem sou foi isso.

Teve que repensar sua segurança?

Esta foi a sétima eleição que disputei. Nunca tinha mudado a minha rotina. Ando muito a pé em Porto Alegre, quase não dirijo, faço feira toda semana, inclusive com a Laura, nunca deixei de fazer. E nessa reta final da campanha, pela primeira vez na vida, comecei a andar com segurança o tempo inteiro. E fiz pela minha segurança, pela Laura e pelo Guilherme, meu enteado de 15 anos. Quem é político e tem visibilidade não tem como tirar a camiseta ou o adesivo. A gente é o adesivo. Comecei a andar mais de carro, a andar menos sozinha e passei a andar com o pessoal que trabalha comigo. Mudei bastante. Fui obrigada a fazer porque o nível de violência e beligerância que tomou conta da sociedade brasileira foi muito grande.

O que a senhora espera do governo Bolsonaro?

Torço e desejo profundamente que ele cumpra, e que zelemos todos juntos, pelo texto da Constituição, que é o uniu o povo brasileiro depois de anos muito difíceis que vivemos. É por isso que vou trabalhar.

O que achou do fato de o juiz Sergio Moro ter aceitado o convite para o Ministério da Justiça?

Ao aceitar o convite para ser ministro da Justiça, Sergio Moro decide finalmente tirar a toga para fazer política.

Em 2022 você e Haddad reeditarão essa chapa para a Presidência?

Não sei, vou ser uma quarentona em 2022. Torço para que a gente consiga ter comigo, com Haddad, com Ciro, com Boulos e com centenas de novas lideranças que o Brasil tem um campo mais amplo. Seguirei sendo uma batalhadora dessa ideia: para mim a unidade é o caminho da vitória do povo, sempre.

 

Com informações: Ceará Agora / O Globo

Fomos miseravelmente traídos por Lula, não farei mais campanha para o PT, diz Ciro

Terceiro colocado na eleição presidencial, Ciro Gomes (PDT) afirmou, em entrevista à Folha, que foi “miseravelmente traído” pelo ex-presidente Lula e seus “asseclas”.

Em seu apartamento, onde concedeu nesta terça-feira (30) sua primeira entrevista desde a eleição de Jair Bolsonaro (PSL), Ciro nega ter lavado as mãos ao ter viajado para a Europa depois do primeiro turno. “A gente trai quando dá a palavra e faz o oposto”.

“Não declarei voto ao Haddad porque não quero mais fazer campanha com o PT”, disse.

O pedetista critica a atuação do PT para impedir o apoio do PSB à sua candidatura e diz que considerou um insulto convite de Lula para assumir o papel de seu vice no lugar Fernando Haddad (PT).

No primeiro turno, o senhor afirmou que choraria e deixaria a política se Bolsonaro ganhasse. Deixará a vida pública?

Eu disse isso comovidamente porque um país que elege o Bolsonaro eu não compreendo tanto mais, o que me recomenda não querer ser seu intérprete. Entretanto, do exato momento que disse isso até hoje, ouvi um milhão de apelos de gente muito querida. E, depois de tudo o que acabou acontecendo, a minha responsabilidade é muito grande. Não sei se serei mais candidato, mas não posso me afastar agora da luta. O país ficou órfão.

E não tomou uma decisão se será candidato em 2022?

Não. Quem conhece o Brasil sabe que você afirmar uma candidatura a 2022 é um mero exercício de especulação, porque a adrenalina não pacificou. Só essa cúpula exacerbada do PT é que já começou a campanha de agressão. Eu não. Tenho sobriedade e modéstia. Acho que o país precisa se renovar.

O senhor disse que deixaria a vida pública porque a razão de estar na política é confiar no povo brasileiro. Deixou de confiar?

Não, procurei entender o que aconteceu. Esse distanciamento me permitiu isso. O que aconteceu foi uma reação impensada, espécie de histeria coletiva a um conjunto muito grave de fatores que dão razão a uma fração importante dessa maioria que votou no Bolsonaro. O lulopetismo virou um caudilhismo corrupto e corruptor que criou uma força antagônica que é a maior força política no Brasil hoje. E o Bolsonaro estava no lugar certo, na hora certa. Só o petismo fanático vai chamar os 60% do povo brasileiro de fascista. Eu não, de forma nenhuma.

Naquele momento do país, uma viagem à Europa não passou uma impressão de descaso? [Ciro viajou para Portugal, Itália e França após o 1º turno] 

Descaso não, rapaz, é de impotência. De absoluta impotência. Se tem um brasileiro que lutou, fui eu. Passei três anos lutando.

Com a sua postura de neutralidade, não lavou as mãos em um momento importante para o país?

Não foi neutralidade. Quem declara o que eu declarei não está neutro. Agora, o que estava dizendo, por uma razão prática, não iria com eles se fossem vitoriosos, já estaria na oposição. Mas estava flagrante que já estava perdida a eleição.

Por não ter declarado voto, não teme ser visto como um traidor pelos eleitores de esquerda?

A gente trai quando dá a palavra e faz o oposto. Quem tiver prestado a atenção no que falei, está muito clara a minha posição de que com o PT eu não iria.

Não se aliará mais ao PT?

Não, se eu puder, não quero mais fazer campanha para o PT. Evidente, você acha que eu votei em quem?

No Haddad?

Vou continuar calado, mas você acha que votei em quem com a minha história? Eles podem inventar o que quiserem. Pega um bosta como esse Leonardo Boff [que criticou Ciro por não declarar voto a Haddad]. Estou com texto dele aqui. Aí porque não atendo o apelo dele, vai pelo lado inverso. Qual a opinião do Boff sobre o mensalão e petrolão? Ou ele achava que o Lula também não sabia da roubalheira da Petrobras? O Lula sabia porque eu disse a ele que, na Transpetro, Sérgio Machado estava roubando para Renan Calheiros. O Lula se corrompeu por isso, porque hoje está cercado de bajulador, com todo tipo de condescendências.

Quem são os bajuladores?

É tudo. Gleisi Hoffmann, Leonardo Boff, Frei Betto. Só a turma dele. Cadê os críticos? Quem disse a ele que não pode fazer o que ele fez? Que não pode fraudar a opinião pública do país, mentindo que era candidato?

Por que o senhor não aceitou ser candidato a vice-presidente de Lula?

Porque isso é uma fraude. Para essa fraude, fui convidado a praticá-la. Esses fanáticos do PT não sabem, mas o Lula, em momento de vacilação, me chamou para cumprir esse papelão que o Haddad cumpriu. E não aceitei. Me considerei insultado.

Por que não declarou voto em Haddad?

Aquilo era trivial. O meu irmão foi a um ato de apoio a Haddad, depois de tudo o que viu acontecendo de mesquinho, pusilânime e inescrupuloso. É muito engraçado o petismo ululante. É igual o bolsominion, rigorosamente a mesma coisa. O Cid está lá tentando elaborar uma fórmula de subverter o quadro e é vaiado. Estou devendo o que ao PT?

Não declarou voto no Haddad por causa do Lula?

Não declarei voto ao Haddad porque não quero mais fazer campanha com o PT. Agora, em uma eleição que tem só dois candidatos, na noite do primeiro turno, disse à imprensa: “Ele não”. O que ele quer mais agora?

Cid Gomes cobrou uma autocrítica dos petistas. E quais foram os erros cometidos pelos pedetistas?

Devemos ter cometido algum erro e merecemos a crítica. Mas, nesse contexto, simplesmente multiplicamos por um milhão as energias que nos restaram para trabalhar. Fomos miseravelmente traídos. Aí, é traição, traição mesmo. Palavra dada e não cumprida, clandestinidade, acertos espúrios, grana.

Isso por Lula?

Pelo ex-presidente Lula e seus asseclas. Você imagina conseguir do PSB neutralidade trocando o governo de Pernambuco e de Minas? Em nome de que foi feito isso? De qual espírito público, razão nacional, interesse popular? Projeto de poder miúdo. De poder e de ladroeira. O PT elegeu Bolsonaro. Todas as pesquisas, não sou eu quem estou dizendo, dizem isso. O Haddad é uma boa pessoa, mas ele, jamais, se fosse uma pessoa que tivesse mais fibra, deveria ter aceito esse papelão. Toda segunda ir lá [visitar Lula], rapaz. Quem acha que o povo vai eleger pessoa assim? Lula nunca permitiu nascer ninguém perto dele. E eles empurram para a direita, que é o querem fazer comigo.

A postura do senhor não inviabiliza uma reaglutinação das siglas de esquerda?

Não quero participar dessa aglutinação de esquerda. Isso sempre foi sinônimo oportunista de hegemonia petista. Quero fundar um novo campo, onde para ser de esquerda não tem de tapar o nariz com ladroeira, corrupção, falta de escrúpulo, oportunismo. Isso não é esquerda. É o velho caudilhismo populista sul-americano.

A liberdade de imprensa está ameaçada?

É muito epidérmica a nossa sensibilidade. Não acho que tem havido nenhuma ameaça à liberdade de imprensa até aqui. Por isso que digo que uma das centralidades do mundo político brasileiro deveria ser um entendimento amplo o suficiente para cumprir a guarda da institucionalidade democrática. E um dos elementos centrais disso é a liberdade de imprensa. A imprensa brasileira nepotista e plutocrata como é parte responsável também por essa tragédia.

A imprensa ajudou a eleger Bolsonaro?

A arrogância do [William] Bonner achando que podia tutelar a nação brasileira, falar pela nação brasileira. A Folha que repercute uma calúnia contra uma cidade inteira que é reconhecida mundialmente como um elemento de referência de educação para me alcançar [Ele se refere a reportagem sobre relatos de estudantes de fraudes em avaliações nas escolas de Sobral, no Ceará].

E os ataques feitos pelo Bolsonaro à Folha? É uma ameaça?

Não considero, não. A Folha tem capacidade de reagir a isso e precisa ter também um pouco de humildade, de respeitar a crítica dos outros.

 

Com informações: Folha de São Paulo