Jaques Wagner: “Ciro era a melhor estratégia para ganhar a eleição”

Coordenador da campanha de Fernando Haddad à Presidência, o ex-governador da Bahia e senador eleito Jaques Wagner afirmou, nessa segunda-feira (15), que a melhor estratégia para uma vitória na corrida presidencial seria o lançamento de Ciro Gomes (PDT) ao Palácio do Planalto.

Repetindo ser defensor de alternância de poder e do fim da reeleição, Wagner fez essa avaliação ao comentar uma proposta da senadora Katia Abreu que sugeriu a substituição de Haddad por Ciro Gomes para garantir a eleição.

Wagner disse que esse era um assunto superado, mas ressaltou sempre ter defendido um acordo com Ciro.

Questionado, então, se essa seria a melhor estratégia para o campo de esquerda, Wagner concordou, sob o argumento de que a campanha de Jair Bolsonaro se resume ao ataque ao PT.

“O que eles têm a dizer? É anti-PT. É anti-PT”. Embora reconheça que o PT está estigmatizado, segundo suas próprias palavras, Wagner disse ter esperança de que o medo de Bolsonaro derrube resistências a Haddad neste segundo turno.

“Se as pessoas tiverem mais medo dele do que raiva do PT, podem votar no Haddad. Não precisa amar o PT”. Wagner disse ainda ter esperança de uma declaração de apoio mais contundente de Ciro: “Não vou jogar a toalha. Ele pode enviar um live de onde ele estiver”, disse o ex-governador em referência ao fato de Ciro estar na Europa.

Wagner acrescentou: “Alguém me disse que ele voltaria antes e anunciaria o apoio mais contundente”. Segundo Wagner, Haddad defende a amplitude das alianças como saída para a situação.

Com informações: O Estado Ceará

Camilo Santana nega crise após críticas de Cid Gomes ao PT

O governador Camilo Santana (PT) negou que o bate-boca de seu aliado, o senador eleito Cid Gomes (PDT), com militantes petistas, durante evento de apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT), nesta segunda-feira (15), em Fortaleza, tenha provocado uma crise entre os dois partidos no Estado.

Ao fazer o pronunciamento de abertura do evento, Cid, irmão de Ciro Gomes, que ficou em terceiro lugar na disputa presidencial, disse que, se a legenda petista não fizer um mea culpa no segundo turno, será “bem feito perder a eleição”. Petistas que estavam no evento reagiram e houve uma troca de insultos com o senador, depois que ele chamou um militante de “babaca”.

Na manhã desta terça-feira (16), Camilo, no entanto, colocou panos frios sobre a situação. Ele evitou falar em crise entre o seu partido e o PDT, comandado pelos irmãos Ferreira Gomes, no Estado, aliados históricos aqui.

“O que eu já tinha (para falar), eu já falei até a nível nacional. Agora, não é momento para isso, o momento agora é pensar no país, não é pensar no partido, não é pensar, individualmente em ninguém. E eu não quero amanhã ser cobrado, nem ser omisso, diante do grave momento que o Brasil está vivendo”.

O governador reeleito já defendeu publicamente que o PT deve fazer uma autocrítica. Em junho deste ano, semanas antes do ex-presidente Lula – preso em Curitiba há mais de quatro meses após condenação no caso do tríplex – ter o seu pedido de registro de candidatura julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Camilo afirmou que, caso o petista fosse impedido de concorrer ao pleito, o PT deveria apoiar a candidatura de Ciro Gomes.

Ao ser questionado se foi um erro de estratégia do PT não apoiar Ciro no primeiro turno, uma vez que Haddad aparece com 41% das intenções de voto, de acordo com pesquisa IBOPE, divulgada, nesta segunda, atrás de Jair Bolsonaro (PSL), com 59%, o governador se limitou a dizer que não vai discutir isso agora e que o foco é “trabalhar” no segundo turno em prol de Haddad. Para ele, a candidatura de Bolsonaro é um “desastre” para o Brasil.

“O que está em jogo aí não é PT, não é partido, não é A ou B, o que está em jogo é o Brasil e, na minha opinião, um desastre para o Brasil, o Bolsonaro. Primeiro, porque ele é antidemocrático, é reacionário, discrimina as pessoas. Respeito o direito de todo mundo votar livremente escolher os seus candidatos, mas é importante nesse momento a população fazer uma reflexão. Eu não quero que meus filhos tenham um presidente onde o símbolo dele é mostrar uma arma”, frisou.

Com informações: Diário do Nordeste

Duas cidades retratam o perfil do eleitor de Bolsonaro e Haddad

Duas pequenas cidades de nomes sugestivos representam o tesouro eleitoral dos candidatos à Presidência. Em Santa Catarina – onde o capitão reformado recebeu 65% dos votos – Rio Fortuna tem o perfil do eleitorado de Jair Bolsonaro (PSL): mais rico, branco e escolarizado do que a média brasileira.

Do outro lado do Brasil, no Piauí – onde Fernando Haddad (PT) teve 63% da votação -, Fartura do Piauí é um retrato dos eleitores que o PT buscou fidelizar: mais pobres, mais negros e com menos acesso ao ensino superior do que a média nacional.

Os municípios indicam que o nível de desenvolvimento de uma cidade pode estar ligado à quantidade de votos recebidos por determinado candidato. No gráfico de dispersão dos votos para o PSL no primeiro turno, quanto maior o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), maior a votação do candidato.

Com 80,2% dos votos para Bolsonaro, Rio Fortuna tem o 25º maior IDH do País: 0,806 – índice mais alto do que o de São Paulo. Esse número é calculado levando-se em conta a expectativa de vida ao nascer, a renda per capita e a escolaridade da população adulta – estatísticas em que o município de 4,5 mil habitantes vai bem.

A economia é baseada na agricultura familiar e na pecuária. A renda per capita é quase duas vezes maior que a nacional: R$ 1,5 mil, segundo o site Datapedia. A porcentagem da população branca é de 96,9%.

Outro fator, geográfico, pode ter contribuído para o bom desempenho de Bolsonaro em Rio Fortuna. Santa Catarina foi o Estado em que obteve sua maior votação. De maneira geral, na Região Sul, assim como no Centro-Oeste e no Sudeste, o capitão reformado venceria no primeiro turno.

A votação para Haddad se concentra entre os municípios de menor IDH, especialmente os do Nordeste. Entre eles, está Fartura do Piauí, cidade que depositou 86,8% de seus votos no candidato do PT, com IDH 0,548 – considerado muito baixo.

O elemento que mais puxa o índice do município para baixo é a educação – dos pouco mais de 5,2 mil habitantes, apenas 5,6% têm acesso ao ensino superior e 31,9% ao ensino médio. Em Fartura, a renda per capita é R$ 186,85, e 79,26% da população é negra, de acordo com dados do Datapedia.

Com informações: Estado de Minas

Guimarães: ‘Cid nos tratou de forma desrespeitosa’

O deputado federal José Guimarães (PT), coordenador da campanha de Fernando Haddad no Ceará, reagiu à explosão crítica contra o PT que o senador eleito Cid Gomes teve ontem à noite. Para Guimarães, a atitude de Cid, irmão de Ciro Gomes, “foi desrespeitosa”.

“Lamento profundamente a forma desrespeitosa como fomos tratados pelo senador Cid Gomes (o senador que o PT apoiou) ao criticar o PT em um momento inadequado e que só contribuiu para gerar desconfiança e incertezas da nossa vitória”, afirmou.

Com informações: BR18

Em ato pró-Haddad, Cid Gomes cobra mea culpa do PT e chama militante de ‘babaca’

O senador eleito pelo Ceará Cid Gomes (PDT) se envolveu em uma discussão com apoiadores do PT durante ato a favor ao candidato da sigla à Presidência, Fernando Haddad, na noite desta segunda-feira, 15, em Fortaleza.
Em vídeo que circula nas redes sociais, Cid faz elogios a Haddad, mas cobrou que o PT faça um mea culpa para conquistar o apoio do eleitorado. “Tem de pedir desculpas, tem de ter humildade, e reconhecer que fizeram muita besteira”, disse o senador eleito, sendo interrompido por pessoas da plateia. “É assim, é? Pois tu vai perder a eleição. Não admitir um mea culpa, não admitir os erros que cometeu, isso é para perder a eleição e é bem feito. É bem feito perder a eleição”, afirmou.

Daí em diante, a fala de Cid foi interrompida por vaias e por algumas palmas da plateia. Depois de dizer que “estas figuras criaram (Jair) Bolsonaro”, o senador desabafou: “Não sei por que me pediram para falar antes. É para fazer faz de conta? Eu faço faz de conta.”
Cid, então, foi interrompido pelo coro “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula” da plateia. “Lula o quê? Lula tá preso, ô babaca. O Lula tá preso. O Lula tá preso. E vai fazer o quê? Babaca, babaca. Isso é o PT. E o PT deste jeito merece perder. Babaca, vai perder a eleição. É este sentimento que vai perder a eleição”, reagiu.
Instantes depois, Cid disse que o partido dele “compreendeu” o momento político e apoiou o governador Camilo Santana (PT), eleito em 2014 e reeleito em primeiro turno. Ele criticou ainda o apoio de Lula ao senador derrotado Eunício Oliveira (MDB). “Muito bem, amigos e amigas que me têm atenção, vamos relevar, mais uma vez, vamos relevar”, afirmou.
A fala de Cid ocorre em um momento em que a campanha petista busca uma maior aproximação com o PDT, cujo candidato Ciro Gomes, irmão do senador eleito, obteve 13,3 milhões de votos. O partido se limitou até agora a fazer um “apoio crítico” a Haddad.
Na manhã desta segunda-feira, Haddad disse que o PT procuraria o partido dos irmãos Gomes para alinhar um apoio mais claro a ele. Procurado pelo Broadcast Político, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, negou a aproximação e reafirmou que o partido pretende lançar já no fim do mês o nome de Ciro Gomes para a corrida ao Planalto de 2022. Ciro, por sua vez, segue em viagem de férias no exterior.

Com informações: Estado de Minas

Corte do TRE aprova requisição de tropas federais para o segundo turno das Eleições 2018

Os juízes da Corte do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará aprovaram, por unanimidade, na sessão desta segunda-feira, 15/10, presidida pela desembargadora Maria Nailde Pinheiro Nogueira, o envio do pedido de forças federais ao TSE para o 2º turno das eleições em Fortaleza, Caucaia, Juazeiro do Norte, Maracanaú e Sobral.

A matéria foi levada ao Pleno depois de ouvidos os juízes eleitorais do Estado e o presidente da Comissão de Segurança do TRE, Eduardo Scorsafava, que opinou para que seja obedecido o mesmo critério do 1º turno, ou seja, contemplar os municípios com mais de 100.000 eleitores.

O procurador regional eleitoral, Anastácio Tahim Júnior, em parecer, também foi favorável à requisição das tropas federais.

Para o primeiro turno das Eleições 2018, a Corte do Tribunal Superior Eleitoral aprovou, em sessão plenária administrativa, o pedido do TRE do Ceará de envio de forças federais para reforçar a segurança das eleições nos 5 municípios: Fortaleza, Caucaia, Juazeiro do Norte, Maracanaú e Sobral. A presidente do TSE, ministra Rosa Weber, no Processo judicial Eletrônico nº 0601051-61.2018.6.00.0000, votou favorável ao pedido e foi acompanhada pelos demais ministros da Corte.

Com informações: ASCOM do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Ceará

Cai número de deputados eleitos com votos próprios em 2018

A quantidade de eleitos e reeleitos que não precisaram dos votos da legenda partidária ou da coligação para atingir o objetivo eleitoral diminuiu em 2018 na comparação com as duas últimas eleições. Este ano, segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), foram 27 os que tiveram êxito nas urnas nessas condições, enquanto em 2014 foram 35, queda de, aproximadamente, 22,8%. Os eleitos com voto próprio em 2010 alcançaram 36.

Na lista dos mais votados, 19 são novatos. Nesse grupo há quatro mulheres e 15 homens. Entre os oito reeleitos, todos também são homens. Com votação expressiva esse grupo também ajudou outros nomes de suas coligações a entrarem na Câmara Federal.

Se não houver mudança na legislação, esta foi a última eleição em que as coligações são permitidas para as eleições proporcionais – deputado federal e estadual, além de vereador, cuja vaga é disputada em eleições municipais. Isso porque o Congresso aprovou no ano passado a Emenda Constitucional (EC) 97/17 proibindo este tipo de aliança a partir de 2020.

Partidos

Ainda segundo o Diap, entre os eleitos com votos próprios em 2018, um terço (9), são de partidos de esquerda, centro-esquerda e centro. São três do PT; três do PSB; um do PV; um do PSOL; e um do PROS. Os outros dois terços (18) são de centro-direita e direita. São sete do PSL; três do PSD; dois do PR; e um, respectivamente, do PSC, do PRB, do Avante; do DEM; do Novo; e do PMN.

A maioria, nesse segundo grupo, é de policiais, líderes evangélicos, parentes de políticos ou líderes de movimentos liberais como o MBL (Movimento Brasil Livre). “[Eles] Foram eleitos na esteira do que está se convencionando chamar de bolsonarismo, que surpreendeu a todos na reta final da campanha, que se encerrou no último dia 7 de outubro” avaliam os analistas do Diap.

Mais votado

Em números absolutos, o campeão nacional é o deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que obteve 1.843.735 votos. Filho do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL), o deputado é escrivão da Polícia Federal e vai assumir seu segundo mandato.

No quesito proporcionalidade, o grande campeão de votos é o estreante João Campos. Filho do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos e bisneto do ex-governador Miguel Arraes. Campos, com apenas 23 anos, recebeu 10,63% dos votos válidos. Foram 460.387 votos.

Saiba quem são os eleitos com votos próprios em 2018

1) Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) – 1.843.735 – reeleito – escrivão de polícia federal

2) Joice Hasselmamm (PSL-SP) – 1.078.666 J – primeira eleição – jornalista

3) Celso Russomano (PR-SP) – 521.728 – reeleito – bacharel em direito, jornalista e empresário

4) Kim Kataguiri (DEM-SP) – 465.310 – primeira eleição – ativista digital e conferencista

5) João Campos (PSB-PE) – 460.387 – primeira eleição – engenheiro

6) Tiririca (PR-SP) – 453.855 reeleito – artista circense e humorista

7) Marcel Van Hattem (Novo-RS) – 349.855 – primeira eleição – cientista político e jornalista

8) Helio Fernando Barbosa Lopes (PSL-RJ) – 345.234 – primeira eleição – subtenente do Exército

9) Marcelo Freixo (PSol) – 342.491 – primeira eleição – professor

10) Pastor Sargento Isidório (Avante-BA) – 323.264 – primeira eleição – PM e técnico em enfermagem

11) Sargento Fahur (PSD-PR) – 314.963 – primeira eleição – PM (Rotam)

12) Capitão Wagner (Pros-CE) – 303.593 – primeira eleição – PM

13) Delegado Waldir (PSL-GO) – 274.406 – reeleito – delegado de polícia civil

14) Felipe Francischini (PSL-PR) – 241.537 – primeira eleição – advogado

15) Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG) – 230.008 – reeleito – empresário

16) Alessandro Molon (PSB-RJ) – 227.914 – reeleito – advogado e professor universitário

17) Gleisi Hoffmann (PT-PR) – 212.513 – primeira eleição – advogada

18) Celio Studart (PV-CE) – 208.854 – primeira eleição – advogado

19) Carlos Jordy (PSL-RJ) – 204.048 – primeira eleição – servidor público federal

20) Flordelis (PSD-RJ) – 196.959 – primeira eleição – administradora

21) Josimar Maranhãozinho (PR-MA) – 195.768 – primeira eleição – empresário

22) Reginaldo Lopes (PT-MG) – 194.332 – reeleito – economista

23) Marília Arraes (PT-PE) – 193.108 – primeira eleição – advogada

24) Eduardo Braide (PMN-MA) – 189.843- primeira eleição – advogado

25) Otto Alencar Filho (PSD-BA) – 185.428 – primeira eleição – administrador

26) JHC (PSB-AL) – 178.645 – reeleito – empresário

27) André Ferreira (PSC-PE) – 175.834 – primeira eleição – bacharel em turismo

 

Com informações: Agência Brasil

Com 207 deputados, Centrão perde força, mas será indispensável para próximo presidente

A insatisfação dos brasileiros com a política impôs a maior renovação desde a redemocratização brasileira, em 1986, na Câmara dos Deputados no primeiro turno das eleições deste ano. Partidos tradicionais perderam espaço e emergiram novas forças. As mudanças foram profundas, mas será inescapável ao próximo presidente, seja Jair Bolsonaro (PSL) ou Fernando Haddad (PT), negociar com legendas que apoiaram todos os governos desde a redemocratização.

O chamado Centrão — PP, PR, PSD, PRB, PTB, PROS, SD e PSC — e o MDB, siglas que formaram a base dos governos de Dilma Rousseff e Michel Temer, perderam 15% de suas bancadas, de 244 para 207 deputados. Juntos, no entanto, esses partidos ainda representam uma força indispensável.

Quando somados aos 52 deputados eleitos pelo PSL de Bolsonaro ou aos 56 eleitos pelo PT de Haddad, têm votos suficientes para garantir maioria ao futuro governo na aprovação de projetos de lei na Câmara. Para dispensar o Centrão, tanto o PSL quanto o PT precisariam negociar com partidos de campos políticos antagônicos aos seus, o que reduziria as chances de sucesso.

“O fiel da balança serão sempre os grandes partidos. Perderam poder, mas têm votos e articulação”, analisa o cientista político Leandro Machado, um dos fundadores do movimento de renovação política Agora!. Para emendar a Constituição, a exigência de votos é maior, de 308 deputados. Se quiserem cumprir as promessas de reformas, Bolsonaro e Haddad terão de reorganizar e ampliar os respectivos campos políticos. Na esquerda, o petista poderia contar com PSB, PDT e PCdoB. Com os votos do Centrão, alcançaria o quórum necessário. Já Bolsonaro teria de recorrer à centro-direita, DEM, PSDB, PPS e ao estreante NOVO.

Além da aritmética, porém, na busca por governabilidade os dois lados vão enfrentar fortes dificuldades e cobranças do eleitor. O cientista político Octávio Amorim Neto, da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas, da FGV, lembra o fato de Bolsonaro dizer que pretende dispensar instrumentos clássicos para ter maioria no Congresso.

O candidato já anunciou que reduzirá o número de ministérios e preencherá o primeiro escalão sem indicações políticas e com militares — que, desde o governo Temer, vêm recuperando o protagonismo político e a presença na mesa de decisões do Executivo.

Cotado para a chefia da Casa Civil, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) defende negociações individuais com parlamentares, no “varejo”, ignorando o colégio de líderes. O cientista político diz que a redução e o aumento de ministérios são cíclicos.

“O presidencialismo de coalizão tem sido tratado como a causa de nossos males. Mas dar a um partido um ministério em troca de apoio não é necessariamente sinônimo de corrupção ou de clientelismo. É um acordo típico em qualquer democracia multipartidária”, afirma Amorim, que compara a estratégia do candidato àquela usada por Fernando Collor, em 1990. “Collor reduziu o número de ministérios, e depois teve que ir aumentando para sobreviver. E, ao fim e ao cabo, não sobreviveu”.

O Centrão e o Centro

Presidente do DEM, o prefeito de Salvador, ACM Neto, que declarou voto em Bolsonaro, acha que o futuro eleito terá de ter responsabilidade de compor um governo de qualidade e com respaldo da sociedade. Só depois, afirma, deverá procurar os políticos. “Sem isso, cairá nos mesmos erros que os demais cometeram”.

Hoje, uma das vantagens de Haddad sobre Bolsonaro na hora de formar um governo, destaca Amorim, é ter base social mais ampla. Mas a forma de relacionamento, com movimentos e entidades, assinala o cientista político, terá de ser diferente daquela mantida pelo PT de Lula e Dilma. “Não se trata apenas de cooptar os movimentos sociais”, pondera.

Nos últimos governos, a relação entre Planalto e Congresso foi lastreada pela liberação de verbas. O uso de recursos orçamentários, porém, pode se chocar com a ortodoxia do economista Paulo Guedes, provável ministro da Fazenda em eventual governo Bolsonaro.

Numa administração petista, avalia Amorim, Haddad poderia ser tentado a repetir o padrão da era Lula, que se aliou à direita usando cargos e emendas. Corre o risco de esbarrar numa direita em processo de mudança, e mais ideológica. A eleição mostrou uma reação do eleitor a esse tipo de barganha com dinheiro público. Para o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), que encerra seu 11º mandato e perdeu a eleição para o Senado, o Centrão se sobrepôs ao chamado centro democrático, que perdeu votos, por causa das opções do Executivo.

“As relações com o Congresso dependerão do comportamento do presidente da República. Se houver conduta austera, sem loteamento, poderá se restabelecer o ‘centro temático’. Se o governo se compuser com a cooptação de parlamentares com cargos e com a administração orçamentária, o Centrão sobreviverá. Não existe Centrão sem a cumplicidade do Executivo”.

A cara do novo Congresso está sujeita ainda à reorganização partidária que deve ser provocada pelos efeitos da cláusula de barreira, que excluirá algumas legendas. “Se Bolsonaro ganhar, os pequenos partidos devem migrar para o PSL. Será um partido enorme e disforme. E o restante entrará no sistema de cooptação, de adesão. Seja quem for o vencedor, haverá problema. Esse modelo se exauriu”, prevê o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Com informações: Ceará Agora / Jornal O Globo

FHC diz sofrer pressões do PSDB para não apoiar Haddad

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirma estar sofrendo grande pressão do PSDB para não apoiar o candidato petista à presidência, Fernando Haddad. A pressão, segundo informa o jornalista Lauro Jardim, colunista do O Globo, viria especialmente dos tucanos ainda em disputa nos estados, temerosos do fardo de carregar o PT.

Numa conversa que teve no fim da semana passada, FH elogiou Fernando Haddad, dizendo que gosta dele, mas se disse magoado com o PT por já ter ido depor duas vezes na defesa de Lula e não receber nenhum aceno em retorno por parte dos petistas.

FHC disse, abertamente, que cabe ao PT se esforçar para ter seu apoio, e que uma frente com outras personalidades faria a diferença. Citou especificamente Joaquim Barbosa.

Com informações: Eliomar de Lima

Bolsonaro e Haddad miram votos de Ciro Gomes no Ceará

A duas semanas da votação, as forças pró-Bolsonaro e pró-Haddad no Ceará passam a disputar os cerca de dois milhões de votos que o ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT) obteve no Estado no primeiro turno.

O espólio do pedetista é vital para os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), que disputam a corrida ao Planalto na segunda etapa.

A briga pelos votos “ciristas” começa hoje, com ato capitaneado pelo governador Camilo Santana (PT) e o senador eleito Cid Gomes (PDT). Reeleito com 79% dos votos, o petista se encontra com prefeitos às 19h.

O evento integra a agenda de mobilizações da campanha do ex-prefeito de São Paulo, com quem Camilo esteve no início da semana passada para traçar estratégias no Nordeste.

Deputado federal reconduzido, José Guimarães (PT-CE) afirma que uma das missões do governador é “pedir o engajamento dos prefeitos na campanha de Haddad”.

Mas, se depender do deputado federal eleito e presidente do PSL no Estado, Heitor Freire, a tarefa não será fácil. A sigla de Bolsonaro inaugura amanhã em Fortaleza o comitê do capitão reformado.

“Convidamos prefeitos, vereadores e outros apoiadores do Bolsonaro”, afirmou Freire. Entre eles, estão Capitão Wagner (Pros), campeão de votos para a Câmara, e o senador eleito Eduardo Girão (Pros).

A estratégia para ampliar a margem de votos de Bolsonaro no Ceará mira na Capital. “Nós iremos ao Interior, mas nosso foco é onde podemos ter alcance maior.”

A tática tem objetivo claro: amealhar os votos de Ciro. “O voto no Ciro não foi ideológico. Muitos dos que votaram nele foi por aproximação”, avalia o dirigente liberal. “Esses votos estão em disputa. Vamos dizer que a gente fique com metade, já faz a diferença pro Brasil. Minha missão é essa.”

Nesse domingo, Wagner antecipou o tom da campanha. Pelas redes sociais, o parlamentar divulgou vídeo no qual Bolsonaro fala ao eleitor do Nordeste ao garantir conclusão da transposição das águas do rio São Francisco.

No Ceará, Bolsonaro alcançou 1.061.075 de votos (21,74%) ante 1.616.492 de sufrágios de Haddad (33,12%).

Agenda das Campanhas

Segunda-feira – Eventos PT

Encontro da campanha pró-Haddad no Ceará – participam o governador Camilo Santana (PT) e o senador eleito Cid Gomes (PDT)

Local: Marina Park (Avenida Presidente Castelo Branco, 400, bairro Moura Brasil)

Horário: 19 horas

Bandeiraço da campanha pró-Haddad

Local: esquina das avenidas 13 de Maio e Barão de Aratanha

Terça-feira- Eventos PSL

Inauguração do comitê de Jair Bolsonaro em Fortaleza

Onde: esquina entre rua Carlos Vasconcelos e avenida Antônio Sales

Horário: 19 horas

Com informações: O Povo