Camilo Santana nega crise após críticas de Cid Gomes ao PT

O governador Camilo Santana (PT) negou que o bate-boca de seu aliado, o senador eleito Cid Gomes (PDT), com militantes petistas, durante evento de apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT), nesta segunda-feira (15), em Fortaleza, tenha provocado uma crise entre os dois partidos no Estado.

Ao fazer o pronunciamento de abertura do evento, Cid, irmão de Ciro Gomes, que ficou em terceiro lugar na disputa presidencial, disse que, se a legenda petista não fizer um mea culpa no segundo turno, será “bem feito perder a eleição”. Petistas que estavam no evento reagiram e houve uma troca de insultos com o senador, depois que ele chamou um militante de “babaca”.

Na manhã desta terça-feira (16), Camilo, no entanto, colocou panos frios sobre a situação. Ele evitou falar em crise entre o seu partido e o PDT, comandado pelos irmãos Ferreira Gomes, no Estado, aliados históricos aqui.

“O que eu já tinha (para falar), eu já falei até a nível nacional. Agora, não é momento para isso, o momento agora é pensar no país, não é pensar no partido, não é pensar, individualmente em ninguém. E eu não quero amanhã ser cobrado, nem ser omisso, diante do grave momento que o Brasil está vivendo”.

O governador reeleito já defendeu publicamente que o PT deve fazer uma autocrítica. Em junho deste ano, semanas antes do ex-presidente Lula – preso em Curitiba há mais de quatro meses após condenação no caso do tríplex – ter o seu pedido de registro de candidatura julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Camilo afirmou que, caso o petista fosse impedido de concorrer ao pleito, o PT deveria apoiar a candidatura de Ciro Gomes.

Ao ser questionado se foi um erro de estratégia do PT não apoiar Ciro no primeiro turno, uma vez que Haddad aparece com 41% das intenções de voto, de acordo com pesquisa IBOPE, divulgada, nesta segunda, atrás de Jair Bolsonaro (PSL), com 59%, o governador se limitou a dizer que não vai discutir isso agora e que o foco é “trabalhar” no segundo turno em prol de Haddad. Para ele, a candidatura de Bolsonaro é um “desastre” para o Brasil.

“O que está em jogo aí não é PT, não é partido, não é A ou B, o que está em jogo é o Brasil e, na minha opinião, um desastre para o Brasil, o Bolsonaro. Primeiro, porque ele é antidemocrático, é reacionário, discrimina as pessoas. Respeito o direito de todo mundo votar livremente escolher os seus candidatos, mas é importante nesse momento a população fazer uma reflexão. Eu não quero que meus filhos tenham um presidente onde o símbolo dele é mostrar uma arma”, frisou.

Com informações: Diário do Nordeste

Nova marca da campanha de Haddad troca vermelho por verde e amarelo e tira nome de Lula

Principal articulador da campanha de Fernando Haddad (PT) no 2º turno, o senador eleito Jacques Wagner (PT-BA) defende que a candidatura petista adote tom mais conciliador na nova etapa da disputa. Afirmando que agora o foco é Haddad e não Lula (PT), Wagner defendeu inclusive uso do verde e amarelo na campanha, no lugar do vermelho do PT.

“A bandeira do Brasil é de todos nós. A gente não pode entregar graciosamente para eles o que é um símbolo do país”, disse Wagner, em entrevista ao jornalista Bernardo Mello Franco, colunista do jornal O Globo.

“No 1º turno, ficou claro que o Haddad era o candidato do Lula. Agora temos que mostrar quem ele é: um professor bem formado, que já foi prefeito de São Paulo e recebeu prêmios de boa gestão”, afirma.

Dizendo acreditar em uma virada, o senador eleito criticou o rival Jair Bolsonaro (PSL) por “discurso de ódio” e “baixarias”. “Bolsonaro é um cara inteligente, mas usa sua inteligência para o mal. Acaba liderando monstros que não tinham coragem de externar o preconceito (…) eu, que sou judeu, posso falar disso”, disse Wagner ao jornal carioca.

Logo na segunda-feira após as eleições, lideranças do PT de todo o País destacaram a importância de Haddad buscar tom conciliador no 2º turno, buscando derrotados na primeira etapa como Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede). Neste sentido, Jacques Wagner tenta costurar uma “frente democrática” contra Bolsonaro, não descartando nem o PSDB.

“É uma coincidência negativa da História que, em vez de ficarem juntos, PT e PSDB tenham polarizado um com o outro. Foram as melhores forças que surgiram no período democrático”, disse Jacques Wagner.

Com informações: Blog de Política O Povo

TRE-CE realiza apreensão de material no Comitê de Eunício Oliveira

O TRE-CE determinou na tarde de ontem, 2, a busca e apreensão de material no Comitê eleitoral do candidato a Senador Eunício Oliveira (MDB). A solicitação foi feita pela Coligação “Tá na Hora de Mudar”, do general Theóphilo (PSDB), e determinada pelo juiz José Vidal Silva Neto. Na denúncia, os advogados afirmam que existiram no Comitê de Eunício, em Fortaleza e Juazeiro do Norte, bandeiras com as imagens do candidato ao Senado, Lula, como candidato a presidente, e Haddad como candidato a vice-presidente.

Foram realizadas busca e apreensão no Comitê da avenida Barão de Studart, da Rua Dom Manuel Medeiros (Parque Araxá) e em Juazeiro do Norte, no bairro Santa Tereza. O Magistrado ainda determinou que Eunício se “abstenha de fazer qualquer propaganda irregular como a denunciada, com uso da imagem associada do candidato Eunício Oliveira ao lado do ex-Presidente Lula e do candidato à Presidência da República, Fernando Haddad, sob pena de multa de 50.000,00 (cinquenta mil reais) por cada descumprimento verificado”.

Com informações: Focus

Palocci terá de pagar R$ 37,5 milhões por acordo de delação

O juiz federal Sergio Moro arrancou o sigilo da delação de Antonio Palocci, e expôs a penalidade financeira aplicada ao ex-ministro.

Pelos termos do acordo, Palocci terá de desembolsar R$ 37,5 milhões, a título de indenização.

Moro retira sigilo de parte da delação de Palocci

O juiz federal Sergio Moro retirou o sigilo de parte do acordo de delação do ex-ministro Antonio Palocci no âmbito da Operação Lava Jato, nesta segunda-feira (1º).

O acordo foi firmado com a Polícia Federal no fim de abril e homologado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Segundo a delação de Palocci, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou Paulo Roberto Costa à diretoria de Abastecimento da Petrobras para “garantir espaço para ilicitudes”.

A defesa do ex-presidente afirmou que “a conduta adotada hoje pelo juiz Sérgio Moro na Ação Penal nº 5063130-17.2016.4.04.7000 apenas reforça o caráter político dos processos e da condenação injusta imposta ao ex-presidente Lula” (veja íntegra da nota mais abaixo).

Indicação para Petrobras

Palocci afirmou que a Odebrecht entrou em conflito com Rogerio Manso, então Diretor de Abastecimento da estatal, por não encontrar espaço para negociar o preço da nafta – um derivado do petróleo – para a Braskem, empresa controlada pelo grupo.

Segundo ele, a Odebrecht se alinhou ao Partido Progressista (PP), porque o partido estava apoiando fortemente o governo e não encontrava espaço em ministérios e nas estatais, e passou a tentar derrubar Manso. Foi aí que, conforme Palocci, Lula agiu indicando Paulo Roberto Costa para a diretoria de Abastecimento.

“Luiz Inácio Lula da Silva decidiu resolver ambos os problemas indicando Paulo Roberto Costa para a Diretoria de Abastecimento; que isso também visava garantir espaço para ilicitudes, como atos de corrupção, pois atendia tanto a interesses empresarias quanto partidários; que, assim, nas diretorias de Serviço e Abastecimento houve grandes operações de investimentos e, simultaneamente, operações ilícitas de abastecimento financeiro dos partidos políticos”, diz trecho da delação.

Palocci afirmou à Polícia Federal que havia “um interesse social e um interesse corrupto com a nacionalização e desenvolvimento do projeto do pré-sal”. O ex-ministro relatou uma reunião que teria ocorrido no início de 2010, na biblioteca do Palácio do Alvorada, com Lula – na época presidente do país -, Dilma Rousseff e José Sérgio Gabrielli, então presidente da Petrobras.

Segundo Palocci, nesta reunião, Lula “foi expresso ao solicitar do então presidente da Petrobras que encomendasse a construção de 40 sondas para garantir o futuro político do país e do Partido dos Trabalhadores com a eleição de Dilma Rousseff, produzindo-se os navios para exploração do pré-sal e recursos para a campanha que se aproximava”. Lula teria afirmado, nesta reunião, que caberia a Palocci gerenciar os recursos ilícitos.

Contas eleitorais

Segundo o ex-ministro, as campanhas do PT foram abastecidas com caixa dois. Palocci afirma no depoimento que as campanhas em 2010 e 2014 custaram, respectivamente, R$ 600 milhões e R$ 800 milhões. Esse valores seriam mais que o dobro do que foi declarado oficialmente à Justiça Eleitoral na época, de acordo com o depoimento.

Na delação, Palocci diz que empresários contribuíam esperando benefícios em troca. “Ninguém dá dinheiro para campanha esperando relações triviais com o governo”, afirmou, segundo o documento.

O ex-ministro declarou ainda na delação que mesmo doações registradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) podem ser irregulares, “bastando que sua origem seja ilícita”. Palocci afirma que as “prestações regulares registradas no TSE são perfeitas do ponto de vista formal, mas acumulam ilicitudes em quase todos os recursos recebidos”.

Íntegra da nota da defesa de Lula:

“A conduta adotada hoje pelo juiz Sérgio Moro na Ação Penal nº 5063130-17.2016.4.04.7000 apenas reforça o caráter político dos processos e da condenação injusta imposta ao ex-presidente Lula.

Moro juntou ao processo, por iniciativa própria (‘de ofício’), depoimento prestado pelo Sr. Antônio Palocci na condição de delator com o nítido objetivo de tentar causar efeitos políticos para Lula e seus aliados, até porque o próprio juiz reconhece que não poderá levar tal depoimento em consideração no julgamento da ação penal. Soma-se a isso o fato de que a delação foi recusada pelo Ministério Público. Além disso, a hipótese acusatória foi destruída pelas provas constituídas nos autos, inclusive por laudos periciais.

Palocci, por seu turno, mentiu mais uma vez, sem apresentar nenhuma prova, sobre Lula para obter generosos benefícios que vão da redução substancial de sua pena – 2/3 com a possibilidade de ‘perdão judicial’ – e da manutenção de parte substancial dos valores encontrados em suas contas bancárias”.

Com informações: Eliomar de Lima

Fux proíbe Lula de dar entrevistas

O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, suspendeu os efeitos da decisão proferida nesta sexta-feira pelo ministro Ricardo Lewandowski que autorizava o jornal Folha de S.Paulo a entrevistar o ex-presidente Lula, preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (PR).

Ao decidir uma Suspensão de Liminar (SL 1178), protocolada pelo Partido Novo contra a decisão de Lewandowski, Fux determinou que Lula não conceda entrevistas até que o colegiado do Supremo julgue o mérito desta ação, o que não tem data para ocorrer.

“(…) determino que o requerido Luiz Inácio Lula da Silva se abstenha de realizar entrevista ou declaração a qualquer meio de comunicação, seja a imprensa ou outro veículo destinado à transmissão de informação para o público em geral”, decidiu o ministro, que está no exercício da Presidência do STF.

No entendimento do ministro, a divulgação de entrevista com um candidato que teve seu registro de candidatura indeferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) poderia causar “desinformação na véspera do sufrágio, considerando a proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais”.

Ainda pela decisão do ministro, caso Lula já tenha concedido a entrevista, o jornal estaria proibido de divulgá-la.

“Determino, ainda, caso qualquer entrevista ou declaração já tenha sido realizada por parte do aludido requerido, a proibição da divulgação do seu conteúdo por qualquer forma, sob pena da configuração de crime de desobediência (art. 536, § 3º, do novo Código de Processo Civil e art. 330 do Código Penal)”, ressaltou o ministro.

O ministro disse ainda que o TSE, ao rejeitar o registro do ex-presidente, determinou que ele não pratique atos de campanha, em especial propaganda eleitoral relativa à campanha eleitoral presidencial no rádio e na televisão.

“Todavia, a determinação foi reiteradamente descumprida, sendo que a Corte Superior Eleitoral deferiu cinco liminares para a suspensão de propagandas contendo referências ao requerido. Dessa maneira, resta evidente a recalcitrância deste na observância da decisão judicial que lhe vedou a prática de atos de campanha, configurando-se o periculum in mora pelo fato de que a pretendida entrevista encerraria confusão no eleitorado, sugerindo que o requerido estivesse se apresentando como candidato ou praticando atos que lhe foram interditados”

O assunto será agora submetido ao plenário do STF. Não há data para o julgamento da causa. Fontes ouvidas, de dentro e de fora do tribunal, ressaltam que a decisão de Fux é controversa e seria inédita. O tribunal terá de analisar se caberia um pedido de suspensão de liminar contra decisão monocrática de ministro do STF.

Também terá de avaliar se o Partido Novo teria legitimidade para questionar uma liminar que autoriza a Folha de S.Paulo a entrevistar o ex-presidente, que nem candidato às eleições é por ser ficha suja (Lula foi condenado em duas instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro).

Mais cedo, Lewandowski havia autorizado Lula a conceder entrevistas, o que tinha sido proibido pela Vara de Execuções Penais do Paraná. O ministro afirmou que proibir Lula de falar e a Folha de entrevistá-lo seria censura.

À Folha, o advogado do jornal Luís Francisco Carvalho Filho afirmou que “a decisão do ministro Fux é o mais grave ato de censura desde o regime militar”. Ele ainda disse que a proibição de entrevista e de sua publicação “é uma bofetada na democracia brasileira” e “revela uma visão mesquinha da liberdade de expressão”.

Com informações: JOTA / Folha de São Paulo

 

Lewandowski autoriza Lula a conceder entrevistas a jornalistas

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou hoje (28) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a conceder entrevistas da carceragem da Polícia Federal (PF) em Curitiba, onde ele se encontra preso desde 7 de abril.

A decisão do ministro foi proferida após reclamação ao STF feita pela jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, e pelo jornalista Florestan Fernandes. Eles contestaram decisão da juíza Carolina Moura Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, que em agosto havia negado o acesso da imprensa a Lula.

Lewandowski acolheu os argumentos dos reclamantes e entendeu que a decisão da juíza seria uma censura prévia ao trabalho da imprensa, o que viola decisão do próprio Supremo, que na ação de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) 130 vetou qualquer tipo de censura prévia.

Ex-presidente Lula participa da  5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Lula – Fabio Rodrigues Pozzebom/Arquivo Agência Brasil
“Dessa forma, não há como se chegar a outra conclusão, senão a de que a decisão reclamada, ao censurar a imprensa e negar ao preso o direito de contato com o mundo exterior, sob o fundamento de que ‘não há previsão constitucional ou legal que embase direito do preso à concessão de entrevistas ou similares’, viola frontalmente o que foi decidido na ADPF 130”, escreveu Lewandowski.

O ministro também afastou a justificativa da juíza de que o acesso de jornalistas a Lula causaria um problema de segurança na carceragem onde ele se encontra, citando diversas entrevistas que presos em regime fechado concederam, “sem que isso acarrete problemas maiores ao sistema carcerário”. Entre as entrevistas citadas está a do ex-senador Luiz Estevão (2017), a do narcotraficante Marcinho VP (2016) e a da cantora mexicana Gloria Trevi (2001).

“Não é crível, portanto, que a realização de entrevista jornalística com o custodiado, ex-presidente da República, ofereça maior risco à segurança do sistema penitenciário do que aquelas já citadas, concedidas por condenados por crimes de tráfico, homicídio ou criminosos internacionais, sendo esse um argumento inidôneo para fundamentar o indeferimento do pedido de entrevista”, disse o ministro.

Desde 7 de abril, Lula cumpre, na capital paranaense, pena de 12 anos e um mês de prisão, imposta pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá (SP).

PGR diz que não vai recorrer de decisão

A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou hoje (28) que não vai recorrer da decisão do ministro Ricardo Lewandowski que autorizou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a conceder entrevistas na prisão.

“Em respeito à liberdade de imprensa, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, não recorrerá de decisão judicial que autorizou entrevista do ex-presidente Lula a um veículo de comunicação”, informou a PGR, por meio do Twitter.

Com informações: Agência Brasil

Da cadeia, Lula teria manipulado alianças no Nordeste para enfraquecer Ciro, diz revista

A revista Istoé deste final de semana traz como destaque, uma suposta operação encabeçada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de dentro da cadeia, para manipular apoio de caciques regionais nas eleições 2018. Segundo a revista, o esquema de Lula em prol do presidenciável Fernando Haddad (PT) atingiu o governador Camilo Santana (PT) e o candidato ao Senado Eunício de Oliveira (MDB), enfraquecendo Ciro Gomes (PDT).

De acordo com Istoé, o esquema seria operado através de bilhetes que chegam às mãos de assessores de confiança, dentre eles o deputado federal José Guimarães (PT-CE). Conforme a revista, além de promessas de cargos no futuro governo do PT, Lula articula vantagens financeiras destinadas a irrigar as campanhas de quem entra na estratégia. Um dos focos seria ampliar a vantagem de Haddad no Norte-Nordeste do País.

Nesse processo, velhos parceiros que até então marchavam ao lado de Henrique Mereilles (MDB) ou de Ciro Gomes (PDT) foram procurados. Seriam ele Renan Calheiros (MDB-AL), Eunício Oliveira (MDB-CE), Fernando Collor (PTC-AL) e o ex-senador José Sarney (MDB-MA).

Contra Ciro, Lula teria barrado apoio do governador do Maranhão Flávio Dino (PCdoB), procurado por José Guimarães, a quem coube repassar-lhe a orientação de Lula: que ele passasse a se dedicar a Haddad. “Dino tem que deixar de apoiar Ciro”, ordenou o petista da cadeia, diz a revista. A mesma influência teria acontecido com o deputado Weverton Rocha (PDT-MA), a quem foi dado R$ 6 milhões para deslanchar a própria campanha.

Conforme a revista, o avião que teria levado o dinheiro ao Maranhão partiu do Ceará, sob responsabilidade da empreiteira CLC (Construtora Luiz Carlos), que cuida de um trecho de obra do Ministério dos Transportes na BR-222, em Sobral. No trajeto, feito em 14 de setembro, o avião teria chegado a cair com o dinheiro a bordo na cidade de Boa Viagem. Segundo a publicação, os recursos eram escoltados por um policial e foi ele quem evitou a interferência de outros policiais que foram ao local sob suspeita de tráfico de drogas. O dinheiro teria chegado ao destinatário, barrando apoio ao adversário do PT.

No Maranhão, Lula teria influenciado não só no apoio do deputado Weverton Rocha, como também na família Sarney. A revista relaciona o fato à estagnação de Ciro em 13% das intenções de voto e crescimento de Haddad.

No Piauí, Lula teria articulado, inclusive, a mudança de apoio do senador Ciro Nogueira (PP) que estava ao lado de Geraldo Alckmin (PSDB).

Ceará

Ainda que seja terra de Ciro Gomes, o estado do Ceará não teria ficado imune às supostas interferências. Através do interlocutor José Guimarães, Lula teria mandado recado ao governador Camilo Santana, coligado ao PDT no Estado.

Afilhado político dos Ferreira Gomes, Camilo pedia votos também para Ciro no Ceará. Lula determinou, então, que se bandeasse para Haddad, diz a revista. Paralelamente, teria articulado com Eunício, aliado informal de Camilo, seu desembarque da candidatura de Meirelles, em prol do candidato do PT ao Planalto. Em visita ao Ceará, Haddad posou para fotos com Eunício, ainda que nacionalmente o MDB seja adversário.

No Ceará, outro articulador de Lula, Valdemar Costa Neto, ex-presidente do PR, teria oferecido R$ 2,4 milhões para cada candidato a deputado federal do PR que apoiasse Haddad, afirma a revista.

Quando Fernando Haddad foi oficializado candidato do PT, Ciro ocupava o 2° lugar nas pesquisas de intenção de voto. No entanto, o candidato do PDT estagnou entre 11% e 13% e Haddad chegou a 22%, atrás apenas de Jair Bolsonaro (PSL).

Com informações: Tribuna do Ceará

Haddad seria ‘presidente por procuração’ de Lula, afirma Ciro

O candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, disse nesta quarta-feira, 12, que o candidato do PT, Fernando Haddad, se eleito, será “presidente por procuração de Lula”, comparando o ex-prefeito de São Paulo à ex-presidente Dilma Rousseff em termos de “inexperiência” para ocupar o Palácio do Planalto.

Ciro criticou o PT por só ter anunciado Haddad no lugar do ex-presidente Lula nesta terça-feira, 11, e afirmou que o partido “só pensa em si, não no Brasil”. O pedetista participa de sabatina no jornal “O Globo”.

Ao comentar o convite que recebeu do PT para ser vice de Lula quando a candidatura do petista foi posta em xeque pela Lei de Ficha Limpa, disse: “Veio Dilma, Roberto Requião intermediando essa conversa. O Brasil não precisa de presidente por procuração. Sou amigo de 30 anos do Lula, estive na luta contra o impeachment, dois terços dos votos do Ceará foram contra, fui ministro dele. Mas o Brasil não aguenta outra Dilma”, afirmou.

Sem atacar Haddad, Ciro disse que o candidato não tem estofo para ocupar o Planalto por não conhecer o Brasil. “Haddad, não por demérito dele, não conhece o Brasil, não tem experiência, até ele saber onde fica a cabeça do cachorro, o Vale do Jequitinhonha, o Alto Solimões… Fica difícil. Minha crítica é a essa dinâmica, que se aproveita dessa generosa gratidão pela obra do Lula que o povo tem, para de repente você agora nomear uma pessoa. A gente já viu esse filme”.

Para Ciro, o PT põe seus interesses acima das demandas nacionais. “O brasileiro tem que separar o justo interesse do PT e o interesse nacional, visto pelo ângulo mais progressista, solidário ao pobre, (que pensa nas) questões do petróleo, Eletrobras, que estarão em jogo no voto agora. O PT muitas vezes dá demonstração de que só pensa em si. Neste casso, é flagrante isso. Todos eles sabiam que Lula não poderia ser presidente. Em vez de respeitar a inteligência do povo, manipularam”, acusou.

Com informações: O Povo/Agência Estado

PT oficializa Haddad como candidato ao Planalto no lugar de Lula

O PT oficializou na tarde desta terça-feira (11/9) a candidatura do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad na disputa ao Planalto, em substituição ao nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva — impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa. A chapa conta agora com Manuela D’ávila (PCdoB) como vice. O partido tinha até 17h para fazer a troca ou ficaria sem postulante à Presidência da República nas eleições de outubro, depois de decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O anúncio foi feito em frente à sede da Polícia Federal, em Curitiba por volta das 15h. Mais cedo, a Executiva Nacional do partido se reuniu e aprovou o nome do novo candidato. Na reunião, em um hotel no centro da capital paranaense, Haddad, que havia se encontrado com Lula pela manhã, leu uma carta do ex-presidente dirigida aos correligionários. Estavam presentes a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), a ex-presidente cassada Dilma Rousseff, o senador Lindbergh Farias (RJ) e o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, além de outros dirigentes petistas.

Preparativos  

Mais cedo, nas redes sociais, a sigla publicou um vídeo (assista abaixo) no qual Haddad citava a indignação de Lula com “tanta injustiça”, e voltou a criticar a retirada da candidatura pelo TSE. Segundo o candidato, essa decisão contraria a ONU. “Lula pediu: vamos continuar juntos, unidos”, disse. Haddad também comentou que o ex-presidente ganharia a eleição, mas “insistem” em retirá-lo da campanha.

Horas antes, o senador Lindbergh Faria (PT-RJ) também postou, nas redes sociais, um vídeo no qual mostrava os preparativos para o anúncio em frente a PF. “É um dia triste, mas é um dia que eu tenho uma convicção: a força do Lula vai ser maior do qualquer coisa nesta eleição. Não tenho dúvida em afirmar que vamos eleger o próximo presidente da República”, disse.

Com informações: Correio Braziliense

Haddad deve ser anunciado como candidato do PT em frente à PF nesta terça

A decisão do PT sobre a substituição do candidato à Presidência deve ser comunicada a aliados e militantes na tarde desta terça-feira, 11, em frente à Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preso desde abril. O ex-prefeito Fernando Haddad deve ser oficializado como candidato na cabeça de chapa da coligação.

Apoiadores estão sendo chamados para um ato no terreno da “vigília” de apoio a Lula a partir das 15 horas. O horário do anúncio, porém, pode ser alterado conforme os desdobramentos da reunião da Executiva Nacional do PT, marcada para começar às 11 horas em um hotel da capital paranaense.

Enquanto o PT sacramenta sua decisão, os outros partidos da coligação marcaram reuniões em São Paulo para oficializar em ata a substituição na chapa, que terá Manuela D’Ávila (PCdoB) na vice.

Com informações: Agência Estado