Número de homicídios no Ceará cai em julho; primeiros sete meses de 2018 têm 2.758 assassinatos

O número de homicídios em julho no Ceará caiu 20,3% se comparado com igual mês de 2017. Foram 378 assassinatos em julho deste ano e 474 em julho de 2017, conforme números divulgados nesta quarta-feira (8) pela secretaria da Segurança Pública. É o quarto mês consecutivo que o estado apresenta redução de homicídios.

Comparando com julho do ano passado, a queda foi registrada em todas as regiões: capital, Região Metropolitana de Fortaleza, interior Norte e Sul.

Os primeiros sete meses do ano acumulam 2.758 assassinados, 0,5% a menos que no mesmo período de 2017 (2.773), ano em que o Ceará terminou com um recorde de violência.

Houve redução dos crimes de roubo a pessoa, roubo de carga, a residência, de veículo e a banco, e nos furtos.

  • Roubo a pessoas: ocorreram 4.515 em julho de 2018, contra 5.673 em julho de 2017
  • Roubo de carga, residência, veículo e banco: foram 810 em julho de 2018, contra 1.105 em julho de 2017
  • Furto, são 5.067 casos em julho de 2018, contra 5.557 em julho de 2017

“O mês de julho, tradicionalmente, é um mês em que a gente têm dificuldades na redução dos assaltos, muito fluxo turístico, férias, mas ainda assim houve uma redução forte. São vários dados positivos, fruto de um esforço da secretaria e do governo, através dos investimentos que foram realizados, diferentes do que a gente vê no resto do país, investimentos focados em tecnologia para apoiar as investigações, a inteligência e as ações de campo”, comentou o secretário de Segurança do Ceará, André Costa.

Capital e interior

Em Fortaleza, o decréscimo de crimes em julho foi de 29,3%, com 130 mortes em 2018, contra 184 em 2017. Na Região Metropolitana, a redução foi de 23% (104 casos em 2018/ 135 em 2017).

Já no acúmulo de casos de janeiro a julho, houve aumento de crimes na Região Metropolitana, com 766 casos em 2018 contra 681 no ano passado, e no Norte do estado, com 586 crimes registrados este ano, contra 470 registrados em 2017.

Investimento

De acordo com o secretário, o investimento em tecnologias para trabalhar a serviço da polícia no estado e o estudo da segurança pública têm contribuído para a redução dos números.

“A gente tá tratando a segurança pública no Estado do Ceará como uma ciência. O primeiro Big Data da segurança pública do país está sendo construído aqui no Ceará, que é um painel analítico, com tecnologia de inteligência artificial”, frisou.

A ampliação do videomonitoramento também é um dos elementos que reflete na redução dos crimes, defende o secretário. “Hoje tem mais de 2 mil câmeras de videomonitoramento, até o final do ano vão ser mais de 3.200, sendo 2.500 só em Fortaleza. Câmeras que podem detectar a presença de veículos roubados e pessoas com antecedentes criminais nas ruas. Nos próximos anos isso vai ser modelo pro restante do país”, destacou o secretário.

Estudos sobre a motivação dos homicídios também estão entre as medidas recentes da secretaria de Segurança. “A gente entrevistou familiares das pessoas que foram mortas, no caso, em Fortaleza, e estamos concluindo o estudo da Região Metropolitana. Ficou demonstrado que cerca de 85% dessas mortes em Fortaleza são de pessoas que tinham algum histórico com drogas, ou eram traficantes ou usuários. Isso é importante pro estado saber que precisa ter investimentos na prevenção ao uso de drogas.”

Mulheres no crime

Sobre o aumento da participação de mulheres no crime, o secretário comenta os dados de 2017, que revelam um aumento de 30% no número de prisões, no entanto, se analisados os mesmos dados em relação somente às mulheres, o aumento chega a 70%.

“Infelizmente a gente tem visto mais mulheres se envolvendo com o crime e com o tráfico de drogas, e isso tem sido realmente o maior motivador de mortes envolvendo mulheres”, disse.

Os dados da Secretaria de Segurança não incluem assassinatos ocorridos dentro de presídios nem mortes em decorrência de ação policial.

Ataques criminosos

No fim de julho, o Ceará registrou a segunda onda de ataques a ônibus e equipamentos públicos e privados do ano. As ações, ocorridas em março e julho, foram represálias de facções criminosas, de acordo com órgãos e entidades que participam ou acompanham as investigações.

Nas duas sequências de ataques do ano, o modo de atuação foi semelhante. Especialistas afirmam que a situação se agravou em 2015 com uma reconfiguração dos quatro grupos criminosos que atuam no estado.

Sobre o trabalho de investigação da polícia em relação aos últimos casos, o secretário afirmou que os responsáveis estão sendo presos. A secretaria da Segurança efetuou nove prisões em julho relativas aos ataques. De acordo com o órgão, quatro dos presos também são investigados por ataques anteriores.

Com informações: G1 Ceará