10 dos 184 prefeitos eleitos em 2016 foram afastados no Ceará

Dez dos 184 prefeitos eleitos em 2016 já foram afastados por irregularidades na campanha eleitoral, na administração municipal ou por crimes cometidos após chegarem ao poder. Das 10 cidades com novos gestores, Tianguá, Umari, Frecheirinha e Santana do Cariri realizaram, no dia 3 de junho, eleição suplementar para escolha dos prefeitos que cumprirão mandato até o dia 31 de dezembro de 2020. Nas quatro cidades, os mandatos dos gestores foram cassados pela Justiça Eleitoral.

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) cassou, ainda, os mandatos dos prefeitos de Aracoiaba e Croatá. As duas cidades terão, também, eleição suplementar.

Em Pacajus, o prefeito Flankyn Chaves foi afastado pela Justiça após constatação de fraudes em licitações e irregularidades na aplicação do dinheiro público. O mesmo caminho teve, também, o prefeito de Saboeiro,  Gotardo Martins (PSD).

Em Tauá, a Câmara de Vereadores cassou, na noite de quarta-feira, 12, o prefeito Carlos Windson (PR) e, nessa quinta, 13, empossou o vice Fred Rego (DEM) no comando da Prefeitura.

Entre os 10 prefeitos afastados ou cassados, um – Marcelo Arcanjo, Santana do Acaraú (MDB), teve, nessa última quarta-feira, 12, licença aprovada na Câmara de Vereadores para tratar interesses particulares durante 60 dias. Arcanjo está afastado após confessar o assassinato do ex-funcionário da Prefeitura Augusto Cesar do Nascimento.

Veja a relação dos prefeitos eleitos em 2016 e que perderam o mandato em 2017/2018:

  • Tianguá – Dr. Luiz (PSD), eleito com 49.87%
  • Umari – Francisco Alexandre Barros Neto (PT), eleito com 50.04%
  • Frecheirinha – Carleone Junior (PP), eleito com 50.65%
  • Santana do Cariri – Danieli de Abreu Machado (PSL), eleita com 50.36%
  • Aracoiaba – Antonio Claudio (PSDB), eleito com 40.05%
  • Croatá – Thomaz Laureanno (PDT), eleito com 50.06%
  • Pacajus – Flanky Chaves (PP), eleito com 42.01%
  • Saboeiro – Jose Gotardo (PSD), eleito com 50.19%
  • Tauá – Carlos Windson (PR), eleito com 50.14%
  • Acaraú – Alexandre Gomes (PDT), eleito com 100%

Veja a relação dos prefeitos escolhidos em eleição suplementar  em 2018:

  • Tianguá – Dr. Jaydson (PTB), eleito com 53,23%
  • Umari – Neide (PSD), eleita com 56,9%
  • Frecheirinha – Helton Luís (PDT), eleito com 100%
  • Santana do Cariri – Pedro Henrique (MDB), eleito com 50,08%

Municípios que tiveram prefeitos cassados e os vices assumiram os mandatos: 

  • Aracoiaba – Presidente da Câmara Municipal, Francisco Rogério
  • Croatá – Presidente da Câmara Municipal, Claudimiro Oliveira
  • Pacajus – Bruno Figueiredo
  • Saboeiro – Micheline
  • Tauá – Fred Rego
  • Acaraú – Colombo

Com informações: Ceará Agora

Saboeiro: Prefeito deve permanecer afastado do cargo

A 3ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) negou, mais uma vez, o retorno de José Gotardo dos Santos Martins, prefeito de Saboeiro, ao cargo. Ele está afastado da Prefeitura desde junho de 2017 por improbidade administrativa. A decisão, proferida nesta segunda-feira (13/08), teve a relatoria do desembargador Antônio Abelardo Benevides Moraes.

“No caso, a probabilidade do direito se evidenciou à vista da gravíssima natureza dos atos de improbidade administrativa praticados pelo agravante juntamente, com 27 (vinte e sete) outras pessoas físicas e/ou jurídicas, tais como fraudes em licitações e desvio de verbas públicas, que, entranhados na máquina administrativa, teriam ensejado o prejuízo estimado de mais de 5 milhões de reais ao erário municipal em curto espaço de tempo,” explicou o relator.

Entenda o caso

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Ceará (MPCE), o prefeito e outras 27 pessoas, entre secretários municipais e empresários, cometeram improbidade administrativa durante a gestão à frente da Prefeitura de Saboeiro. Entre as irregularidades estão a contratação de serviços e fornecimento de combustíveis sem licitação; nomeação de servidores fantasmas e de pessoas em razão de parentesco e amizade com o prefeito; sucateamento da frota de carros; e abusos na locação de veículos.

Por isso, o órgão ministerial pediu o afastamento do gestor e dos secretários, indisponibilidade dos bens, suspensão das atividades de empresas e declaração de inexistência da relação jurídica entre empresas e dissolução compulsória de pessoas jurídicas.

O Juízo da Vara Única da Comarca de Saboeiro deferiu os pedidos e determinou o afastamento do gestor por 180 dias. Em razão disso, a defesa dele interpôs agravo de instrumento (nº 0622848-60.2018.8.06.0000) no TJCE. Alegou que a decisão não fundamenta, de forma concreta e objetiva, que o gestor estaria se valendo do cargo de prefeito para tumultuar a instrução processual. Também argumentou que o prazo de 180 dias de afastamento já foi cumprido e pediu o efeito suspensivo da medida para retornar imediatamente ao cargo.

Ao julgar o processo, o colegiado da 3ª Câmara de Direito Público negou o pedido, acompanhando à unanimidade o voto do relator. “Os atos de improbidade restaram suficientemente evidenciados pela prova pré-constituída, e o agravante, por sua vez, não trouxe argumentos relevantes a denotar o contrário, reitere-se, restringindo-se em afirmar que, após a deflagração das operações policiais e da investigação conduzida pelo Ministério Público, determinou a rescisão de contratos, suspensão de pagamentos e a exoneração dos secretários, como se tais medidas tivessem o condão de restabelecer as coisas ao status quo ante”.

Em relação ao período de afastamento, o desembargador destacou: “Como venho ressaltando em minhas decisões (vide acórdão do ‘primeiro Agravo’), entendo que o afastamento do cargo previsto no artigo 20, parágrafo único, da Lei nº 8.429/92, não tem limite legal. O prazo de 180 dias, fruto da construção jurisprudencial, não é vinculativo, cabendo ao juízo, caso a caso, a análise das circunstâncias para determinar a duração da medida cautelar. Aqui, o interesse público fala mais alto!”

Com informações: ASCOM do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará