Camilo admite que foi infeliz ao falar sobre mortes de reféns e diz que pediu desculpas às famílias

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), admitiu em entrevista coletiva nesta segunda-feira, 10, que foi infeliz em sua fala sobre os reféns mortos durante troca de tiros entre policiais e suspeitos de tentar atacar agências bancárias em Milagres, no Cariri. No dia da ação policial que resultou em 14 mortes, entre assaltantes e inocentes, sexta-feira, 7, Camilo participou da inauguração do Centro de Inteligência Policial. Quando questionado sobre o caso, o governador respondeu que não sabia da existência de reféns e que era “estranho um refém de madrugada num banco”.

“O fato é que estavam preparados para assaltar dois bancos e não assaltaram nenhum”, disse também o governador na sexta-feira. Ele explicou que, no momento em que foi questionado, não tinha conhecimento sobre a identificação dos corpos, portanto não sabia das informações sobre as mortes de inocentes. Camilo disse também que sua primeira declaração foi “mal interpretada” pela mídia.

Contato com os prefeitos de Milagres, onde aconteceu a tragédia, de Brejo Santo e Serra Talhada (PE), de onde eram os reféns mortos, também foi feito pelo governador.

O governador afirmou que pediu desculpas às famílias, reiterou solidariedade com as vítimas e defendeu a posição de “respeito com pessoas e com a vida”.

Camilo informou que 12 policiais envolvidos na ação já foram afastados de suas atividades externas e vão passar a atuar em processos administrativos até o fim das investigações sobre o caso. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e a Controladoria Geral de Disciplina (CGD) irão integrar as investigações do fato com pelo menos 40 agentes. Além disso, equipes que prestam serviços para famílias envolvidas em situações de violência foram acionadas pelo Estado.

 

Com informações: O Povo

Vice-prefeito de Apuiarés é preso em “Operação 10%” do MPCE

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), por meio da Promotoria de Justiça de Apuiarés, deflagrou, na manhã desta segunda-feira (10/12), a “Operação 10%”, que resultou na prisão do vice-prefeito do Município de Apuiarés, Antonio Abidias Ferreira de Abreu, e do ex-chefe de gabinete dele, o empresário Raimundo Nonato Alves Soares. Os mandados de prisões foram expedidos pelo juiz de Direito Caio Lima Barroso, sendo na modalidade preventiva para Antonio Abidias, e temporária para Raimundo Nonato.

De acordo com a investigação da Promotoria, o vice-prefeito, exercendo o cargo de prefeito interino por 180 dias, exigiu de José Darlan o percentual de 10% do valor do contrato de prestação de serviços de limpeza urbana que o empresário tinha com a Prefeitura, o que correspondia a cerca de R$ 9 mil por mês. A referida quantia era paga com o intuito de manutenção do contrato e a entrega do dinheiro era feita em Fortaleza, no restaurante do sogro do empresário.

“Quando Abidias não podia buscar as quantias, ele mandava o seu então chefe de gabinete, Raimundo Nonato, vulgo Edmundo, ir ao encontro do empresário em Fortaleza. Nota-se a audácia de Abidias no esquema, pois, mesmo em condições de interino, exercendo o cargo por 180 dias, já estava fortemente envolvido em esquemas de corrupção, angariando propinas”, detalha o promotor de Justiça Jairo Pequeno Neto, que comandou a Operação. O promotor ressalta, ainda, que o MPCE seguirá com as investigações a fim de desmontar todo e qualquer esquema de corrupção no âmbito das Prefeituras das respectivas comarcas de atuação.

A Operação 10% é um desdobramento da Operação Malabares, também coordenada pelo promotor de Justiça Jairo Pequeno Neto. Na época, o MPCE descortinou um esquema de corrupção envolvendo agentes públicos e empresários no município de Apuiarés. Em depoimento coletado na época, o empresário José Darlan Pereira Barreto apresentou novas informações acerca de um outro esquema de corrupção que estava instalado no município de Apuiarés, o que culminou na Operação 10%.

Na foto, o prefeito Abidias Ferreira (de boné) recebe a propina do empresário José Darlan, em restaurante na Avenida José Bastos, em Fortaleza.

 

Com informações: ASCOM do Ministério Público do Estado do Ceará

Novo secretariado estadual e Mesa da Assembleia

Uma notícia sobre reunião do governador Camilo Santana com assessores, neste domingo (09), motivou uma onda especulativa na própria base governista, tamanha é a expectativa dos políticos quanto a escolha do próximo secretariado do governador e sua posição em relação à eleição da nova Mesa Diretora da Assembleia, ainda no primeiro dia do mês de fevereiro, quando os deputados tomarão posse.

Eles só ficaram mais calmos quando o governador publicou a informação, à tarde, sobre a investigação dos crimes ocorridos no Município de Milagres, na madrugada da última sexta (07), o motivo da reunião. O governador, realmente, já começou a conversar com deputados sobre a eleição dos novos dirigentes da Assembleia. Quatro ou cinco parlamentares já foram ouvidos no início da semana passada. Os encontros foram interrompidos por conta do compromisso de Camilo, em Brasília.

Não há qualquer informação oficial sobre a escolha de secretários estaduais para o próximo Governo, a começar no dia primeiro de janeiro próximo, mas são muitas as especulações, notadamente entre os deputados estaduais e  federais, tanto por conta do interesse de alguns de compor o Governo, quanto pelo aproveitamento de suplentes, na verdade os mais ansiosos.

Com informações: Edison Silva

Artigo: Humano, acima de tudo – Por Salmito Filho

Em artigo sobre o caso em Milagres, o presidente da Câmara Municipal de Fortaleza e sociólogo Salmito aponta o compromisso do governador Camilo Santana para com a segurança pública do Estado. Confira:

Eu poderia começar este texto afirmando que o governador Camilo Santana não é policial, que não teria como analisar com precisão as informações que lhe foram passadas instantes antes. Informações, essas, desencontradas até então para todo o aparelho da segurança pública do Estado.

Como sociólogo e também com quase três décadas de militância política, eu poderia afirmar ainda que o governador buscou no sentimento de combate à violência instalada em todo o país, o que seria o desfecho ideal de uma operação policial.

Mas não foi uma frase fora do contexto – ou mal interpretada – que me motivou a escrever este texto. Mas, sim, meu testemunho do trabalho de Camilo em prol da segurança do cearense, desde o alto investimento em armamento e viaturas policiais até a realização de concursos nas polícias Civil e Militar e também na promoção da inteligência policial, por meio de equipamentos eletrônicos, qualificação do efetivo e no esforço político em trazer para o Estado um Centro de Inteligência.

Camilo também promove a educação de qualidade, a melhor porta da juventude contra a violência, quando o Ceará é destaque nacional na formação de seus jovens, no Ensino Médio e Profissionalizante.

Também sou testemunha da dor do governador por cada cearense que perde a vida para a violência – a maioria dos crimes relacionada ao tráfico de drogas – e também dessa mesma dor por policiais que heroicamente tombam no cumprimento do dever.

Camilo é, acima de tudo, humano, com formação voltada para a defesa das liberdades individuais e dos direitos humanos, conforme orientação de seus pais, o engenheiro e ex-preso político Eudoro Santana e a assistente social Ermengarda Santana. Daí a minha indignação e tristeza quando acompanho matérias que tentam colocá-lo alheio à dor que neste momento atinge aos cearenses.

Salmito Filho – Sociólogo e presidente da Câmara Municipal de Fortaleza

Com informações: Eliomar de Lima

Chuvas no Ceará: precipitações atingem todas as regiões do Estado

As chuvas registradas no Ceará no intervalo entre as 7h do domingo (9) e as 7h desta segunda-feira (10) atingiram todas as regiões do Estado, segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). O destaque foi Iguatu, no Centro-Sul, que teve 105mm. Pelo menos 119 municípios tiveram precipitações no período.

Outros destaques foram Canindé (83 mm) e Lavras da Mangabeira (72 mm), no Sertão Central e Cariri, respectivamente. Os dados são parciais e podem ser acompanhados por meio do site da Funceme ou pelo aplicativo Calendário de Chuvas.

Na manhã desta segunda-feira, a Rede de Radares mantida pela Funceme registrou precipitações em todas as regiões. Ao longo do dia desta segunda e para os próximos dois dias (terça e quarta-feira) a previsão é nebulosidade variável com eventos de chuva em todas as regiões cearenses.

As chuvas acontecem porque os sistemas indutores de precipitações – Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e o Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) – continuam interagindo e provocando nebulosidade. Ambos os sistemas são comuns neste período, de acordo com a Funceme.

Confira as maiores:

Iguatu (Posto: Bau) : 105.0 mm

Iguatu (Posto: Iguatu) : 74.0 mm

Campos Sales (Posto: Campos Sales) : 70.0 mm

Cariús (Posto: Angico) : 62.0 mm

Araripe (Posto: Brejinho) : 61.4 mm

Cariús (Posto: São Sebastião) : 61.0 mm

Lavras da Mangabeira (Posto: Mangabeira) : 58.3 mm

Cariús (Posto: Cariús) : 58.0 mm

Morada Nova (Posto: Fazenda Lacraia) : 55.9 mm

Parambu (Posto: Canabrava) : 53.0 mm

 

Com informações: Diário do Nordeste

Lisca projeta Ceará brigando por Libertadores em 2019: “sonhar não custa nada”

Quando o celular tocou, no início da madrugada do dia 4 de junho de 2018, Lisca não demorou a atender. Do outro lado da linha, Robinson de Castro, presidente do Ceará, convocou para uma missão quase impossível. O dirigente alvinegro sabia que, àquela altura, era preciso um milagre para fazer o então lanterna da Série A do Campeonato Brasileiro reagir e escapar do rebaixamento. Milagre que só um “doido” seria capaz de fazer. E ele fez.

Revivendo a façanha que já havia conquistado em 2015, quando ignorou os 97% de chances de rebaixamento e evitou a queda do Alvinegro à Série C, Luiz Carlos Cirne Lima de Lorenzi assumiu o comando e fez o que talvez nenhum outro técnico fosse capaz naquele momento, protagonizando uma das reações mais memoráveis no Brasileirão e garantindo o Vovô na Série A do ano que vem.

O feito colocou Lisca entre os maiores treinadores da história do clube. No dia em que acertou sua renovação de contrato para a próxima temporada, o gaúcho de 46 anos, que revelou ter recusado propostas para seguir no Vovô, recebeu O POVO em Porangabuçu e, com exclusividade, falou sobre desafios de 2018, erros do passado, planejamento do futuro e garantiu: em 2019, o foco é brigar por vaga na Libertadores.

Sonho distante? Não para quem, como diz a música, “saiu do hospício”. “Lisca Doido é Ceará”, e já provou: “tem que respeitar”.

O POVO – Qual o sentimento após conquistar, mais uma vez, o que muitos achavam ser impossível? Livrar o Ceará do rebaixamento.

Lisca – Sensação de trabalho bem feito, de aproveitar uma oportunidade dentro de uma grande dificuldade. Já tinha sido assim em 2015. Acho que isso também motivou o Robinson a me convidar a voltar nesse momento difícil. É uma sensação de valorização também quando o clube te chama num momento tão complicado. No Ceará é uma sensação de dever cumprido, não deixa de ser, mas vai além. É de amor, de paixão, de unidade com o torcedor, o carinho que eles passam pra mim já transcendeu o lado profissional, pessoal. Principalmente nesse final. O que eu vivi no Ceará, principalmente quando garantimos a permanência, foi muita gratidão. É uma sensação que não tem cheiro, não tem tato, mas tá ali. Sentimento de entrega total e busca por um objetivo, e tenho muito prazer de ser o comandante disso. Principalmente porque estava todo mundo muito desacreditado.

OP – Quais as diferenças entre 2018 e 2015?

Lisca – As dificuldades eram grandes nos dois cenários, mas com características diferentes. Não cair pra Série C tinha todo o folclore envolvendo o adversário (Fortaleza)… Qual é o grande mote do torcedor do Ceará? Nós nunca fomos pra Série C. Mas era mais curto, tinha um adversário que nós estávamos buscando, que era o Macaé, e tinha um confronto direto na última rodada. A qualidade dos adversários também era diferente. Ali, nós jogamos com Boa, ABC, Bragantino, Mogi Mirim. A tabela era boa pra nós. E foram 60 dias. Agora foram seis meses. E na Série A é bem diferente. São os 20 mais fortes, é a elite, foi uma caminhada muito mais longa, a situação da tabela era muito ruim no início, e principalmente o desempenho. Além de termos só três pontos na tabela, nosso desempenho era pífio. Eu olhava o time do Ceará e não tinha organização defensiva, organização ofensiva, os jogadores mal sabiam o que fazer quando pegavam a bola. Isso me assustou muito. Porque isso? O que tava acontecendo? Parece que o clube não se preparou pra jogar uma Série A, no sentido do revés, achou que as coisas iriam acontecer ao natural, e não se deram conta que Série A é um outro nível. E quando começou a ter dificuldades, o clube se assustou. Mas a gente conseguiu transformar nosso ambiente. Foi um trabalho mais longo, mais motivacional, intenso. Eu não trouxe coach, motivador, psicólogo, nada. Quem trabalhou a cabeça dos jogadores foi o Lisca e a diretoria do Ceará. Confiamos na nossa metodologia de treinamento, e isso foi um diferencial também. A gente teve mais tempo pra treinar. Eu sabia ainda que a parada pra Copa (do Mundo da Rússia) iria mudar muito, tanto pra nós como pra outros times, e isso nos ajudou.

OP – Com essas duas experiências, o Ceará o proporcionou os maiores desafios da sua carreira?

Lisca – É verdade. Eu gosto de desafio, né?! Se disser pro Lisca: “Vai lá, tá tudo certo”, aí não me atrai. Mas quando me fala: “tá difícil, tu não vai conseguir”, isso mexe mais comigo. Foram (os maiores desafios), mas minha carreira tá sempre envolvida nisso, desde quando eu comecei, no Brasil de Pelotas, em 2008. E depois foi sempre assim. Pra mim, geralmente, as oportunidades aparecem nas dificuldades, talvez tenha me acostumado com isso. Eu realmente gosto de desafios.

OP – O que demandou mais energia e trabalho nessa reação?

Lisca – Desenvolver o potencial dos jogadores. Mostrar pra eles que tinham condições de jogar uma Série A com qualidade, em nível igual ou até superior aos adversários. Todo mundo falava no início da competição que o Ceará não tinha jogadores habilitados pra jogar uma Série A. E como sou um melhorador de performance, meu trabalho é esse, fazer o jogador evoluir, crescer, foi o principal desafio. Saber da qualidade que tinha aqui dentro e desabrochar ela.

OP – Em algum momento você desanimou? Achou que não iria conseguir?

Lisca – No jogo contra o Bahia eu senti. Tinha uma expectativa grande, porque depois iríamos jogar contra Flamengo e Corinthians. E já vínhamos muito atrás na pontuação. Era um jogo em casa em que fomos muito mal, e eu fiquei preocupado com a sequência. Naquele momento eu titubeei. E aí foi muito importante a presença do presidente Robinson. Naquele dia, que ele também reparou na entrevista da minha desilusão, desmotivação e tristeza no momento, e foi lá em casa. E ele não deixou eu titubear nenhum momento. Quando eu fui falar pra ele “acho que?” ele disse: “Não tem acho nada. Nós vamos juntos até o final, é tu que vai fazer essa recuperação, é você que assumiu, nós confiamos muito em você. Não temos perspectiva nenhuma de trazer outro profissional. Nós vamos é com você, eu não abro mão”. E se eu pensei em algum momento em desistir, naquele um minuto que falei com Robinson ele foi muito firme, muito positivo e eu agradeço a ele também, porque no momento que eu dei uma baqueada, que é normal na nossa profissão, tinha que ter alguém pra levantar. E esse cara foi o Robinson.

OP – Qual foi o ponto da virada na campanha? O jogo que você sentiu que ali o time ia forte pra brigar pela saída.

Lisca – Teve alguns, mas o momento foi o pós-Copa. Porque eu mostrava sempre pros jogadores a tabela normal, mas também a produção deles no pós-Copa. E aquilo mostrava pra ele que tínhamos condições de brigar. Estávamos sempre entre 6º, 7º, 5º… nunca saímos daí. E eu fui mostrando pra eles a nossa regularidade e como estávamos brigando com times de alto nível na tabela. Óbvio que teve alguns jogos emblemáticos. Flamengo e Corinthians, a sequência dos dois, deu confiança pra todo mundo. A mídia começou a ver o Ceará de outra maneira. Já não era mais o patinho feio, aquele time que os três pontos eram garantidos. Os jogadores começaram a valorizar as oportunidades e não temer. Esses dois jogos e também a sequência contra Cruzeiro e Atlético-MG. Contra o Cruzeiro, fora, a gente tinha empatado contra o Botafogo em casa, perdido pênalti, numa situação complicada… mas a vitória contra o Cruzeiro, depois vencemos o Atlético-MG, chegamos aos 37 pontos, ali eu vi que era bem viável.

OP – E sua relação com a torcida do Ceará ficou ainda mais intensa. Como você descreveria essa relação?

Lisca – É uma coisa doida, né (risos). Difícil de acontecer. E é paixão mesmo, cara. Daqui pra lá e de lá pra cá. Reconhecimento de grandeza, de respeito pela torcida do Ceará. E eu posso dizer que o maior patrimônio que um clube pode ter, o Ceará tem. Uma torcida fiel, apaixonada, histórica, que vem de geração pra geração. O que eu vejo no estádio é pai, filho, avô, neto… uma mistura de gente com mais condições com os que têm menos condições. Ali, somos todos iguais. Não tem diferença. Dentro do estádio o torcedor vai mostrar sua paixão e o torcedor vê que o Lisca, em relação ao Ceará, tem isso. Sabe da grandeza do clube, tem uma identificação, um prazer e orgulho muito grande de ser o treinador do Ceará. Trabalhei muito pra isso, foi muito difícil, chegar aqui e ter todo esse reconhecimento. Vejo como uma coisa muito legal. Cara, eu recebi um busto da diretoria do Ceará! Camisa de torcedor, muitos presentes, boneco, máscara. São coisas que eu jamais imaginei que iria passar e o Ceará está na minha história, no meu coração. Claro que muito por causa dos resultados. Não tem treinador perdedor que a torcida gosta. Nas duas vezes que estivemos aqui, conquistamos os objetivos. E essa relação é do fundo do coração. Eu adoro o torcedor do Ceará. Me tornei torcedor do Ceará.

OP – Nunca treinaria o Fortaleza, então?

Lisca – Ficou inviável trabalhar do outro lado, no rival. Por tudo que aconteceu, eu declarei isso. Não por falta de respeito ao Fortaleza, pelo contrário, eu assisti esse ano às festas lindas que eles fizeram. E eu falo pros nossos jogadores que nosso adversário é gigante. E nós também somos gigantes. Um puxa o outro.

OP – Você é conhecido por “Lisca Doido”, um personagem folclórico. Mas por trás do personagem, tem muita ideia de jogo. Acha que isso fica em segundo plano e falam mais do personagem que do treinador?

Lisca – É verdade. Acho que a grande mídia às vezes pode atrapalhar. Mas a mídia especializada, que eu tô vendo que é o seu caso, já faz essa análise. Hoje temos muita análise dissecando tudo que acontece no jogo. Tem muito mais mesa redonda em que se fala taticamente do jogo, do trabalho, mas ainda tem um pouco do negócio do folclore do “Lisca Doido” e que direciona muito pra isso. Atrapalha um pouco. Mas às vezes acho que eu mesmo me atrapalho (risos). Vou te dar um exemplo. Quando eu subi no ônibus, não se falou do jogo, da recuperação. Só que eu subi no ônibus. Mas eu vou continuar assim porque é emoção. O coração muitas vezes fala mais alto que a razão. E esse episódio do ônibus foi muito isso. Eu vi muita paixão ali fora, muito torcedor chorando, cartaz, camisa… e eu quis dar um retorno pra eles ali. Eu não me aguentei dentro do ônibus, tive que sair pra festejar com eles. Muitas vezes me atrapalha? Me atrapalha. Mas as pessoas me conhecem. Sabem o meu sentimento e o que eu tô pensando. Eu tô trabalhando isso, melhorando, a mídia tá me ajudando a desmistificar o “doido” mais pejorativo, mas mostrando um “doido” mais positivo, que é apaixonado por aquilo que faz, que tem conhecimento, que tem método de trabalho, tem ideia de jogo. Vou me polindo um pouco mais e canalizando mais as peripécias que eu faço, e tô evoluído, melhorando, e vou procurar melhorar ainda mais.

OP – Você é visto por muitos como um treinador de trabalhos curtos. A que você acha que isso se atribui?

Lisca – Sou meio nômade, não gosto de fincar muitas raízes assim. É um ano, vai, troca, passa seis meses, sabe? Essa nova construção, novos ambientes, conhecer gente nova, conhecer o Brasil inteiro, que a minha profissão me deu essa possibilidade. Buscar novos desafios. E é bem isso. Eu sou um cara que gosta disso, de conhecer novas experiências, e sempre quando têm desafios diferentes eu me sinto muito motivado. É uma questão de perfil e também de mercado. Nossa média de permanência é de três meses? não é uma questão só do Lisca. Por exemplo, o Claudinei Oliveira, que salvou a Chapecoense (do rebaixamento), nesse ano passou por Paraná, Avaí e Sport. Tá no quarto time no ano. É ruim pra nós, é ruim pra todo mundo. Mas acho que isso precisa partir dos treinadores. É dois clubes por ano! Que aí tem mais condições de ser analisado, na hora da sua contratação também vai ser uma coisa mais pesquisada, em que você vai poder desenvolver um trabalho de médio, longo prazo. Mas não é nossa realidade. Nossa realidade é ser vencedor, só assim você consegue mais tempo. Eu não esquento a cabeça com isso.

OP – Quando você chegou ao Ceará, seu nome não era unanimidade. Isso foi um combustível a mais? Provar o seu valor ao torcedor?

Lisca – Meu combustível foi vir treinar o Ceará e corresponder ao convite do Robinson. É um cara que conhece bem o meu trabalho, presidente atuante – diferente de outros -, que acompanha o dia a dia, conhece sobre treinamento, e eu vi como uma convocação. Não poderia dar as costas pra ele. Como em 2016 foi um (Campeonato) Estadual muito ruim, alguns torcedores ficaram com aquela imagem. Mas eu não pude participar daquele processo. Foi um processo equivocado do clube. E eu queria também poder voltar aqui e fazer o processo desde o início, dentro da minha cabeça. Claro que não só minha, mas numa unidade com a diretoria e a gestão executiva. Então o combustível veio pra mostrar que aquela última imagem estava errada, e não era a concepção do trabalho do Lisca. Então por isso até que eu renovei contrato. Vou permanecer pra gente poder fazer esse trabalho desde o início, e agora bem feito.

OP – Sobre aqueles erros em 2016, o que você pretende fazer diferente?

Lisca – O planejamento, porque o gestor executivo que estava aqui na época (Rodrigo Pastana) não escutava ninguém e fez tudo pela cabeça dele, prejudicando o clube, a mim e até a ele mesmo. Então eu entendo o torcedor, entendo boa parte da diretoria também, porque eles não sabem o que realmente aconteceu naquele episódio. Paguei a conta por um erro na montagem, e eu fiquei muito frustrado com aquilo, porque quando o time entrava em campo, eu não conseguia me identificar com o time. E aí complicou todo o trabalho. E as pessoas acham que eu fui demitido, mas eu não fui demitido, eu pedi demissão do Ceará. Pedi porque não estava me sentindo bem, me sentindo à vontade, e não estava tendo condições de trabalhar com o gerente-executivo do momento. E como eu tinha uma história muito legal no Ceará, antes que acontecessem maiores problemas, e estava caminhando pra isso, eu pedi pro Robinson me liberar. Ele não queria me liberar, mas o problema era de ambiente e montagem. Ceará limpou o grupo, contratou outro grupo, houve uma situação financeira bem complicada. E eu me responsabilizei por isso porque eu fui conivente. Eu aceitei. E isso agora não se repetirá.

OP – Tem garantias disso?

Lisca – Sim. Tivemos ótimas reuniões, boas conversas com o Marcelo Segurado (atual gerente de futebol do clube), um cara de alto nível. Fizemos algumas reuniões e tô satisfeito com o que eles mapearam. Gostei muito do que vi. Eles sabem das minhas ideias e não vai se repetir o que aconteceu em 2016.

OP – Tem garantias de que, caso os resultados não venham no início, terá tranquilidade pra continuar o trabalho?

Lisca – Acho que tenho um pouquinho de gordura, né? (risos) A gente conseguiu isso, e sabemos que nossa principal competição é a Série A. Obviamente não vamos abrir mão do tricampeonato cearense, de brigar por isso, de fazer uma boa Copa do Nordeste, mas não podemos repetir o erro de 2018, que é negligenciar na preparação para a Série A, acelerando o processo de preparação. Se não, iremos começar a Série A desgastados, sem a preparação física adequada, sem estar nas melhores condições, que foi o que aconteceu esse ano. Não podemos repetir. Vamos tentar ganhas as competições e fazer o melhor, mas nosso foco principal é na Série A, brigar na parte de cima da tabela dessa vez.

OP – Prevê muitas mudanças no elenco? Qual modelo de jogo pensa em implementar?

Lisca – Difícil falar sobre elenco. Alguns jogadores estavam emprestados e isso tá sendo definido ainda, mas o que mudará mesmo é na parte ofensiva. Temos uma estrutura boa do meio pra trás, em que não há tendências de muitas saídas. Do meio pra frente, sim. As mexidas então serão ali. Vamos dar uma revigorada no time e nas opções. Sobre modelo de jogo, acho que se pode ter só um modelo de jogo. Deve ter o plano A e, no mínimo, o plano B. O modelo é de competitividade, de marcação forte, transições rápidas, de organização defensiva. Vamos manter o que teve de bom e aprimorar principalmente a nossa chegada no último terço (do campo). É isso que vamos buscar.

OP – O objetivo é brigar por vaga na Libertadores?

Lisca – Sonhar não custa nada, né? E essas 26 rodadas pós-Copa mostram que o Ceará brigou o tempo inteiro entre os primeiros, ficando perto da zona de Libertadores. Não foram em três, em dez ou 15 rodadas. Foram 26, é quase um campeonato inteiro. E vamos ver se a gente consegue em 2019 brigar no meio pra cima da tabela. Principalmente tendo cuidado com o início da competição, que é muito importante. Indo bem no início, você baliza pra cima. Então a ideia é essa e nosso sonho é esse: colocar o clube na Libertadores.

OP – Você acha que entrou para a história do Ceará como um dos melhores treinadores que já comandaram o clube?

Lisca – Acho que sim. Não como um dos melhores, isso não. Mas acho que na história, entrei. Por tudo que fizemos aqui, pela atmosfera, pelo carinho do torcedor, da própria diretoria, que me entregou até um busto, uma homenagem que nunca imaginei receber. E hoje tô numa galeria junto com vários personagens que contribuíram pra história do Ceará. Acho que apesar de ter sido um tempo curto, foi marcante. E me considero como um treinador que está na história do Ceará, como o Ceará está na minha história. Lisca é Ceará!

OP – Esse trabalho com o Ceará em 2018 abriu portas? Você recebeu propostas para deixar o clube?

Lisca – Abriu, com certeza. Se conheceu mais do Lisca como treinador, despertou interesse de alguns clubes. Eu recebi duas propostas de times de Série A e um time da Série B, agora, até antes de terminar o campeonato, já visando o ano que vem. E sempre falei que a prioridade é o Ceará e quero fazer esse trabalho de início, diferente daquele de 2016. É um desafio pra mim. E acho que ainda temos aqui muita coisa boa pra colher em 2019.

OP – O que representa o Ceará Sporting Club para o Lisca?

Lisca – Mais que uma parceria profissional grande, é uma paixão, um amor muito grande. Um crescimento. Juntos. É uma alegria, uma honra, um orgulho enorme de ser treinador do Ceará. Nossa vida é muito dinâmica e um dia não vou mais ser treinador do Ceará, então quero aproveitar todos os momentos, todos os segundos, todos os dias. O Ceará, pro Lisca, é uma vida. Um capítulo que sempre vai fazer parte da minha vida. As histórias vão ficar pra sempre e eu vou contar pros meus netos.

Bastidores 

A entrevista estava marcada para se iniciar às 10h30min da segunda-feira, dia 3, mas atrasou duas horas. A demora foi decorrente de problemas na adequação de horários do departamento de comunicação do Ceará. Mesmo assim, Lisca foi extremamente solícito e respondeu todas as perguntas.

Solidariedade 

No mesmo dia da entrevista, o treinador havia comprado várias bolas de futebol para doar a um projeto social que ajuda crianças carentes no Titanzinho. Ele fez questão de ir pessoalmente realizar a entrega aos garotos, antes de viajar para aproveitar as férias com a família.

 

Com informações: O Povo

Secretário de Segurança do Ceará não esclarece ação da polícia em Milagres

Em entrevista exclusiva ao Fantástico neste domingo (9), o secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, se eximiu de fazer qualquer juízo de valor sobre a ação da polícia na cidade de Milagres, interior do Ceará. Na última sexta-feira (7), um grupo de criminosos armados e com reféns tentou assaltar duas agências bancárias da cidade localizada na Região do Cariri do Ceará. Houve intensa troca de tiros e 14 pessoas morreram. Das 14 vítimas, seis foram identificadas como reféns e oito como criminosos.

“A gente precisa aguardar a dinâmica e a apuração do que aconteceu realmente. É uma investigação isenta, imparcial, séria, técnica. Então, é feita pela Polícia Civil essa investigação. E também sempre com suporte fundamental, e o trabalho técnico e científico da Pefoce. O exame de local de crime, o exame de imagens do que tem na cidade. A gente precisa aguardar a conclusão dessas imagens e das investigações para emitir algum juízo de valor”, afirmou.

André Costa não antecipou se houve erro na operação e não deu qualquer detalhe sobre o plano de ação da polícia naquela madrugada de sexta.

“São informações bastante estratégicas de como a polícia atua, de como a polícia planeja suas ações táticas, operacionais. É importante a gente preservar esses dados como reservados até contra medidas por parte de bandidos em outras ações”, comentou.

“A dinâmica do fato ainda não está bem estabelecida. Isso tudo é objeto de investigação. A investigação está sendo conduzida por alguns delegados, com suporte. Não apenas delegado da cidade. Inclusive a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos está dando esse suporte. A gente precisa aguardar a investigação e o trabalho pericial para tirar alguma conclusão sobre a conduta que foi realizada”, completou.

Sobre os reféns

Segundo André Costa, a investigação tramita em Sergipe e é feita pela Polícia Civil do estado. Ele não teria autorização para repassar dados sobre a investigação que é conduzida por aquele estado. Ele também afirmou que nenhuma informação foi repassada sobre reféns.

“Nada foi repassado em relação a reféns. Nas informações da investigação que vieram de Sergipe, nada foi tratado acerca da existência de reféns”, enfatizou.

A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública (CGD) abriu investigação preliminar para apurar o ocorrido. Até o momento, segundo o governador Camilo Santana, oito suspeitos já foram presos em flagrante e 24 pessoas foram ouvidas. As armas dos suspeitos e dos policiais envolvidos na ação foram recolhidas pela Polícia Civil para serem periciadas, informou o governador. André Costa comentou sobre o antecedente dos criminosos.

“Detalhes da ação específica também têm de ser preservados, por ora, sigilo da investigação em Sergipe. O que a gente pode antecipar é que boa parte desses criminosos que foram presos e mortos já identificados são pessoas já com diversos antecedentes criminais, inclusive por outros roubos, por tráfico e outros crimes. São pessoas já dadas à prática criminosa. Então, o que a gente pode repassar sobre o caso específico e sobre essas pessoas é isso. Inclusive, o envolvimento deles em outros roubos a banco, na Bahia, Sergipe. Já eram pessoas que já praticavam reiteradamente esse tipo de crime. Por isso, vinham sendo investigadas há cerca de três, quatro meses pela Polícia Civil de Sergipe”, disse.

Governador do Ceará garante operação rigorosa e isenta após ocorrido em Milagres

O governador do Ceará, Camilo Santana, anunciou, na tarde deste domingo (9), por uma rede social, a criação de um grupo especial de investigação para a operação policial que resultou na morte de 14 pessoas, entre elas seis reféns, na tentativa de assalto a banco em Milagres, na última sexta-feira (7). Além disso, na página oficial do Facebook, o chefe do executivo estadual enfatizou que a operação será rigorosa e isenta.

Governador Camilo Santana — Foto: Reprodução

“Atualizando as informações sobre o lamentável fato ocorrido em Milagres, na Região do Cariri, informo que foi criado um grupo especial de investigação para o caso, com a Delegacia Regional de Brejo Santo, Delegacia Municipal de Milagres e apoio da Delegacia de Roubos e Furtos e do Departamento de Polícia do Interior Sul”, afirmou.
Ainda segundo Camilo, a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública (CGD) abriu investigação preliminar para apurar o ocorrido. Até o momento, segundo o governador, oito suspeitos já foram presos em flagrante e 24 pessoas foram ouvidas. As armas dos suspeitos e dos policiais envolvidos na ação foram recolhidas pela Polícia Civil para serem periciadas, informou.

“Reforço que, desde o momento do fato, minha determinação tem sido de investigação rigorosa e isenta, para que toda a ação e suas responsabilidades sejam devidamente apuradas. Nenhuma ação da polícia cearense é feita com a intenção deliberada de tirar vidas, muito menos de vítimas inocentes, que devem sempre ser protegidas em primeiro lugar. Reitero minha solidariedade às famílias das vítimas. Este momento nos coloca um dever ainda maior de proteger vidas e fortalecer a paz”, completou.

Com informações: G1 Ceará

Suspeita envolvendo amigo dos Bolsonaros é prática bem conhecida no Ceará

A prática é velha e bem conhecida da política cearense: o parlamentar preenche suas vagas de assessores com assessores que não assessoram pouco ou coisa nenhuma. Geralmente, cabos eleitorais. Paus mandados. Antes, um acordo. Para ganhar a mamata, o “aspone” repassa para o parlamentar uma parte do salário que recebe para não trabalhar ou trabalhar muito pouco. Aqui, a coisa recebeu o singelo batismo de “dobradinha”. No último caso conhecido, o ex-vereador Leonelzinho Alencar (foto acima) acabou com uma condenação de mais de 11 anos.

Pois é. A dobradinha tem a cara do caso que envolve nada menos que nove assessores de Flávio Bolsonaro, que era deputado estadual no Rio de Janeiro e se elegeu senador nas últimas eleições. O fato é que não houve até aqui nenhuma explicação razoável para as transferências e a movimentação financeira na conta do ex-policial que servia como “segurança” do deputado Flávio. A coisa toda foi parar no colo do futuro morador do Palácio do Planalto com a informação de que R$ 24 mil foram depositados na conta da futura primeira dama.

É óbvio: a transferência de parcela do salário de funcionários de um parlamentar para o titular do mandato constitui crime. É por essa suspeita que o Ministério Público Federal tende a entrar no imbróglio. Caso o órgão determine a abertura de um inquérito policial, esqueletos podem sair do armário. Afinal, todos os envolvidos, incluindo os “aspones”, serão convidados a dar explicações.

 

Com informações: Fábio Campos

Interlocutores de Bolsonaro defendem explicação convincente sobre ex-assessor citado pelo Coaf

Integrantes do governo de transição, e interlocutores do presidente eleito Jair Bolsonaro, já não escondem mais a preocupação com os desdobramentos do caso da movimentação bancária atípica de Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), apontada em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Esse desconforto é maior principalmente entre os interlocutores da área militar do futuro governo. Para esse grupo, é necessária uma explicação convincente para encerrar o caso.

Há forte contrariedade com o silêncio prolongado de Fabrício Queiroz, que ainda não se pronunciou desde que o caso foi noticiado, na quinta-feira (6). A percepção é que isso pode causar desgaste precoce na imagem do próprio Bolsonaro, que tem sido questionado constantemente pelo episódio.

“Uma coisa é a justificativa jurídica para o Ministério Público; outra coisa é uma resposta imediata para a sociedade.

Caso contrário, haverá desgaste político”, disse um integrante da equipe de transição.

De forma reservada, existe desconforto até mesmo com a resposta de Bolsonaro, que disse que os R$ 24 mil depositados por Fabrício na conta de sua esposa, Michelle Bolsonaro, eram pagamento de uma dívida.

Segundo outro interlocutor, o presidente eleito deveria mostrar todos os registros bancários do dinheiro emprestado para Fabrício Queiroz ao longo dos anos. “Como tem o registro do Coaf do dinheiro de volta, é preciso mostrar o registro do dinheiro que foi para o ex-assessor”, ressaltou.

A avaliação dessa fonte é que quando a justificativa é simples, ela tem que ser imediata. “O tempo da política não permite demora para uma explicação que seja convincente”, reforçou esse interlocutor.

Outra preocupação na equipe de transição é com o racha na bancada do PSL, como mostrou recentemente o vazamento de conversas entre deputados eleitos pelo WhatsApp.

Isso porque já começa a dar um sinal externo de divisão, o que fragiliza muito a estratégia de governabilidade no Congresso da futura gestão. “É preciso que o próprio Bolsonaro assuma o comando”,

 

Com informações: Gerson Camarotti

Bolsonaro decola para Brasília, onde será diplomado pelo TSE à tarde

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, decolou por volta das 10h30 desta segunda-feira, 10, da Base Aérea do Galeão em direção a Brasília. Ele embarcou na aeronave acompanhado do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, da mulher, Michelle Bolsonaro, do filho Carlos Bolsonaro e da filha Laura, entre outros assessores e familiares. Às 16h, Bolsonaro participa da cerimônia de diplomação, ao lado do vice-presidente eleito, Hamilton Mourão, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).Continua depois da publicidade

Bolsonaro permanece até quarta-feira na capital federal. Na terça-feira, tem agenda prevista com representantes de bombeiros e policiais militares pela manhã. A tarde, se encontra com o governador eleito de Santa Catarina, Comandante Moisés (PSL), e com o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), e a bancada do PSD.

O encontro com a bancada do PSL deve ocorrer apenas na quarta-feira, dia 12. A expectativa é que até lá os deputados tenham se alinhado e que Bolsonaro não precise interferir diretamente para “pacificar” os parlamentares eleitos.

No sábado, dia 8, Bolsonaro chegou a dizer que atuaria para acalmar os ânimos depois que os desentendimentos em um grupo de WhatsApp se tornaram públicos, na semana passada. No domingo, porém, assumiu um discurso menos intervencionista.

Também na quarta-feira, o presidente eleito encontra as bancadas do DEM, do PP e do PSB em reuniões distintas, além do governador eleito do Rio Grande do Sul, o tucano Eduardo Leite. Todos os encontros acontecem à tarde, após almoço da turma de 1977 da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), no Clube do Exército.

A assessoria de Bolsonaro não divulgou agenda para o restante da semana. É esperado que ele vá a São Paulo para um nova consulta médica na quinta-feira. Na sexta-feira, 14, está previsto o lançamento de um novo submarino da Marinha. O evento, em Itaguaí (RJ), deverá ter a presença também do presidente Michel Temer.

 

Com informações: O Estado de Minas

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