A batalha do segundo turno será a pauta do país

As urnas, que tiveram os votos totalizados na noite de domingo, exibiram uma sinalização importante, após a divulgação do resultado das eleições em 5.560 municípios. Cerca de 40 milhões de brasileiros não apareceram para votar. O índice é elevado. A preocupação com a pandemia deixou mais de 30% dos eleitores em casa, algo até considerado normal para o momento de preocupação com a saúde.

A batalha do segundo turno será travada contra o tempo . Restam apenas 11 dias para a votação. Outra missão de candidatos e partidos será tirar o eleitor de casa para votar e, finalmente, o candidato para vencer a eleição, que exiba um projeto claro na conquista do voto. O eleitor ficou mais exigente.

O exemplo claro de insatisfação do eleitor está no castigo imposto aos partidos de direita como o PSL. O partido onde Bolsonaro se elegeu e ao maior número de deputados federais e senadores, afundou. A direita elegeu apenas 13 prefeitos no universo de 5.560 prefeitos. O eleitor voltou para o centro, garantindo a partidos tradicionais, como MDB, DEM, PP, PL e PSD, o maior número de prefeituras. Também, contemplou a esquerda, dando ao PDT, PT e outros partidos mais de mil e 300 prefeituras.

O presidente Jair Bolsonaro apostou em 56 candidaturas nas grandes cidades, mas elegeu apenas 13. Lula, também, foi vencido, o PT encolheu. Ciro Gomes foi o grande vencedor. Terá um exército de quase 1.500 vereadores e 310 prefeituras, superando o PT e o PSB.

Nas cidades mais populosas do Brasil, teremos um segundo turno de resultados imprevisíveis. Os paulistas tendem a eleger o candidato Boulos, do PSOL, o partido mais à esquerda no país. Em Porto Alegre o eleitor parece se direcionar ao PC do B, outro partido de extrema esquerda. Fortaleza e Recife tem candidatos esquerdistas na disputa. O vermelho deve permanecer forte no Brasil.

O radicalismo de direita exacerbado parece ter sido rejeitado. O brasileiro é pacifista, não tem visão racista e homofóbica, muito menos preconceitos contra pobres e ricos. É o jeito do povo de um país que ainda busca definir suas políticas públicas, modelos de governar e ajustar o desequilibrio entre a população de baixa renda e os mais abastados.

Precisamos avançar muito na qualidade do voto. Continuamos votando como se fôssemos torcedores de futebol. O amadurecimento virá com o tempo e sucessivas eleições. Carlos Drumond de Andrade escreveu que o exercício do voto é a latente vontade de acertar. Nos cabe concordar com ele.

 

Com informações: Roberto Moreira

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