Antigo Lord Hotel é cedido pela Assembleia para sediar a Câmara Municipal

No Centro de Fortaleza, o cruzamento entre as ruas Liberato Barroso e 24 de Maio exibe um contraste notável. De um lado, o icônico Theatro José de Alencar se une ao prédio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como raros marcos de memória preservada na Capital. Do outro, com pouco ordenamento, se aglomeram vendedores ao redor de um edifício deteriorado e abandonado. É o antigo Lord Hotel, hoje Edifício Philomeno, que salta aos olhos do Poder Legislativo como potencial instrumento de revitalização do bairro e da relação entre o fortalezense e seus vereadores.

Ontem, a Assembleia Legislativa do Estado deu o primeiro passo para que a Câmara Municipal de Fortaleza retorne ao Centro, de onde saiu no início dos anos 1970. Desapropriado pelo Governo Estadual há 18 anos, o imóvel foi cedido ao município de Fortaleza por 25 anos, cessão prorrogável por igual período.

“Nós temos, todos os dias, milhares de pessoas que saem de vários outros bairros de Fortaleza para trabalhar ou fazer compras no Centro. Nada mais justo que o Poder Legislativo Municipal esteja inserido nesse polo”, justificou o líder do Governo, Júlio César Filho (Cidadania).

Nos arredores do hotel desativado, a ideia divide opiniões. “Tem que vir pra cá. Aqui está perto do povo, pro povo reclamar. Pedir aos vereadores que lutem pela gente”, diz o vendedor Carlos Damasceno, 59. Já o manobrista Fernando Marlon, 36, questiona os custos da mudança do Poder Legislativo. “Esse dinheiro deve ser usado em outras áreas, Saúde, Educação. Ou então aqui podia ser outra coisa, como um Vapt Vupt”, sugere.

Projeto 

Presidente da Câmara, o vereador Antônio Henrique (PDT) ainda não tem estimativas de custo e prazo para a obra, detalhes que devem ser divulgados no próximo mês após conclusão do projeto conduzido pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinf). A meta é encerrar o mandato à frente da Casa com os trabalhos bem encaminhados no próximo ano. “O projeto prevê as adequações necessárias para acomodar os departamentos, os gabinetes e toda a estrutura que a Câmara precisa. É um prédio histórico, com valor cultural, e têm algumas exigências para que a gente não mude a fachada”, explicou o presidente.

Embora o processo de tombamento do edifício não tenha sido concluído, as intervenções precisam do aval do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Histórico-Cultural (Comphic). Quanto aos custos, Antônio Henrique garante que não terão grande impacto. “Estamos negociando uma permuta do nosso atual prédio para a reforma”.

Atual prédio da Câmara foi inaugurado em 2004

Localizado na Rua Thompson Bulcão, no bairro Engenheiro Luciano Cavalcante, o Palácio da Cidadania foi inaugurado na gestão de Carlos Mesquita como presidente da Câmara. Antes, durante 33 anos, a Casa funcionou na Rua Antonele Bezerra, no Meireles, até a mudança em 2004.

Câmara deixa o Centro

Até 1971, a Câmara funcionava na Rua Barão do Rio Branco, próximo à Santa Casa. A sede também já ficou na Praça da Matriz, no Palácio da Luz, na Rua dos Mercadores, atual Sena Madureira, e nas Praças do Ferreira e do Carmo.

 

Com informações: Diário do Nordeste

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