Artigo – “A Importância do Administrador” – por Paulo Pinho

Cinco mil anos antes de Cristo os sumérios já procuravam maneiras que melhorassem seus problemas práticos através do escambo. Tentavam descobrir a melhor maneira de “administrar”. Depois, no Egito, Ptolomeu planejou e dimensionou um sistema econômico que não poderia ter-se operacionalizado sem uma administração pública sistêmica e organizada. Na China de 500 anos a. C. houve a necessidade de se ter um sistema organizado de governo para o império. Aí surgiu a Constituição de Chow, com as oito Regras de Administração Pública de Confúcio: O Alimento, O mercado, Os Ritos, O Ministério do Emprego, O Ministério da Educação, A administração da Justiça, A Recepção dos Hóspedes e O Exército.

Na evolução histórica da administração, duas instituições de destacaram: a Igreja Católica Romana e as Organizações Militares. Através dos séculos a Igreja mostrou e provou a força de atração de seus objetivos, a eficácia de suas técnicas organizacionais e administrativas, exercendo influência, inclusive, sobre o comportamento pessoal de seus fiéis espalhados pelo mundo. Já as Organizações Militares evoluíram das displicentes ordens dos cavaleiros medievais e dos exércitos mercenários dos séculos XVII e XVIII até os tempos modernos com uma hierarquia de poder rígida e adoção de princípios e práticas administrativas comuns a todas as empresas da atualidade.

O tempo passou. O fenômeno que provocou o aparecimento da empresa e da moderna administração ocorreu no final do XVIII e se estendeu o longo do século XIX, chegando ao limiar do século XX. Esse fenômeno, que trouxe rápidas e profundas mudanças econômicas, sociais e políticas, chamou-se Revolução Industrial, a partir da Inglaterra, em 1776.

No Brasil havia uma carência e a Administração era praticada por amadores, mas houve um rápido aperfeiçoamento. A demanda se acentuou no final da década de 1930, período em que houve um aumento significativo da demanda de profissionais para assumirem o controle das questões econômicas e administrativas. Era a nossa tardia Revolução Industrial, que desvinculou a dependência econômica da agricultura para expandir o setor industrial.

Em 1943 houve no Rio de Janeiro o primeiro Congresso Brasileiro de Economia, que contribuiu para a criação dos cursos de Ciências Contábeis e Ciências Econômicas. O Congresso abriu as portas para a criação do Curso de Administração no Brasil, principalmente, por dois motivos: os modelos de desenvolvimento econômico da Era Vargas, de caráter nacionalista; e do Governo Juscelino Kubitschek, com a abertura econômica do mercado. Assim, a missão técnica e intelectual dos administradores foi reconhecida no ascendente mercado de trabalho. Os órgãos públicos e grandes empresas aumentaram suas demandas por profissionais.

O Administrador não é apenas Administrador. Ele é um multiprofissional, principalmente, professor porque modifica os comportamentos das pessoas e é, ainda, um agente cultural quando seu estilo modifica a cultura de uma organização. O Administrador, através de sua formação humanística e visão global, está habilitado a compreender o meio social, político, econômico e cultural onde está inserido e tomar decisões em um mundo diversificado e independente.

Devemos reconhecer que o maior desafio do Administrador contemporâneo é ser um eterno aprendiz e levar o seu aprendizado para o ambiente de suas organizações. Além disso, o aprendizado pode tornar-se um instrumento capaz de guiar todas as nossas ações, tornando-o numa verdadeira filosofia de vida.

Nós, Administradores, devemos estar conscientes desse processo, que é lento e gradual, mas que no futuro poderá transformar no principal agente de mudança positiva das organizações. E se esta nossa concepção de organização for praticada com sucesso, provocará uma mudança de mentalidade em todos os atores organizacionais e estes valores e atitudes ultrapassarão as fronteiras das organizações, o que pode mudar nossa sociedade. Temos que ser profissionais éticos e competitivos, com visão crítica, liderança e capacidade de influenciar positivamente o ambiente em que atuamos e modificá-lo.

O Administrador tem uma importância imprescindível para a sociedade brasileira e mundial. Sem os administradores, não teríamos o desenvolvimento pleno das organizações, o progresso das economias e mercados, o aumento das receitas e, muito menos, o desenvolvimento das nações. Tudo isto está ligado à geração de empregos para outros tantos profissionais. Sem os Administradores haveria um caos mundial, com a falência das muitas empresas.

Registramos que ontem à noite, em Fortaleza, foi um dia especial para o Administrador, oportunidade que a Assembleia Legislativa homenageou a nossa categoria pelos 54 anos de sua criação, numa iniciativa do deputado Sérgio Aguiar. Na sua fala, ele reconheceu que fazemos parte de uma das profissões que mais crescem pela sua respeitabilidade e compromisso com o desenvolvimento nacional. No Brasil são 54 anos de regulamentação e de muita luta.

O momento sócioeconômico nacional é problemático. Vivemos colocando na ordem do dia essa questão, mas temos consciência de que todos os países ameaçados superaram suas crises e só as venceram através do Administrador. Assim tem que acontecer com o nosso Brasil. Na verdade, o Administrador tornou-se imprescindível para o crescimento socioeconômico e de competitividade das organizações de todo o mundo.

Paulo Pinho,

Administrador e Ouvidor-Geral da Prefeitura de Fortaleza.

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