Camilo diz se preparar para pior cenário

O governador do Ceará Camilo Santana (PT) afirmou ontem, em entrevista durante a inauguração da rádio O POVO/CBN Cariri, que fará reestruturação da máquina pública logo no início de seu novo mandato. A reforma, disse, vem em função da eleição de Jair Bolsonaro (PSL) e o quadro que se apresenta a partir disso. “Estou me preparando para o pior cenário”, afirmou.

Conforme já noticiado, o secretário do Planejamento e Gestão, Maia Junior, já havia apresentado proposta de ajuste fiscal no Ceará. Havia a indicação de que 11 pastas poderiam ser extintas.

Para o líder do Governo do Estado na Assembleia Legislativa, Evandro Leitão (PDT), com a declaração, o governador quis dizer que será um ano difícil para todos os estados do Brasil, interpretação que o deputado compartilha. “Temos que ter muita prudência para tomar decisões acertadas”.

Ele afirma ainda que a saída do senador Eunício Oliveira (MDB) do Congresso Nacional será um desafio na tentativa de construir um bom trânsito com Brasília. Assim, ele diz esperar atuação participativa não só dos senadores eleitos, mas dos deputados federais que estarão na Câmara dos Deputados.

Sobre o convívio de Camilo Santana (PT) com o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), Leitão diz acreditar que se dará de modo respeitoso, “em busca de melhorias para o nosso Estado”.

Já o secretário Maia Junior afirma que Camilo quis expressar que o alinhamento de qualquer governador do Nordeste com o Governo Federal é difícil. Em relação a Bolsonaro, adicionou que o que ele fará com o Nordeste é uma “incógnita”.

Ponderou, entretanto, que de toda a cadeia federativa espera-se espírito republicano, além de classificar o chefe do Executivo estadual como pessoa tranquila. “O que não quer dizer que tenhamos alinhamentos do ponto de vista político”. Além da incompatibilidade política, Maia acredita que a expressão “pior cenário” se deve aos quadros econômicos nacional e internacional, que “não animam ninguém”.

Com a saída de Eunício – considerada grande perda por Camilo – e de José Pimentel (PT), que “prestaram grandes serviços ao Ceará”, Maia diz esperar que os eleitos Cid Gomes (PDT) e Eduardo Girão (Pros) adquiram rapidamente experiência e conhecimento dos mecanismos de funcionamento do Senado para que mediem a relação entre governo Estadual e Federal. “Somado ao espírito público de Tasso, o Ceará terá boa representatividade”.

Por meio de nota, o senador eleito Eduardo Girão (Pros), que declarou voto em Bolsonaro na reta final da campanha, afirmou que não é hora para ter uma atitude derrotista. “Entendo que cada um precisa fazer a sua parte em todos os níveis, inclusive através de uma gestão que busca a racionalização e otimização dos recursos públicos, sem desperdícios”, defendeu.

Na opinião de Girão, o grande aliado do governador, diante da liberação de recursos ao Estado, foi o atual presidente Michel Temer, “desafeto do partido dele”. Por isso, acrescenta que a articulação no Congresso pode ser feita por qualquer senador ou deputado federal. “Se o governador quer a aproximação com o novo Governo Federal, poderia já estar participando das reuniões de governadores com o presidente eleito, por exemplo”, alfinetou. O senador eleito afirmou ainda ser importante “moderar o discurso, pacificar e unir esforços olhando pra frente”.

Braço direito de Bolsonaro no Ceará, o deputado federal eleito Heitor Freire (PSL) atendeu duas vezes as chamadas da reportagem, mas disse que estava ocupado, em reunião. Um dos compromissos de Freire foi a presença no anúncio do futuro ministro da Saúde, o deputado Henrique Mandetta (DEM-MS). Capitão Wagner (Pros) não atendeu as ligações.

O governador Camilo Santana também foi procurado por meio da assessoria de comunicação e do gabinete, que não se manifestaram sobre a declaração de Camilo até o fechamento desta matéria. A assessoria de Eunício também não retornou.

 

Com informações: O Povo

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