Camilo reúne base aliada

O governador Camilo Santana (PT) irá reunir na próxima segunda-feira os deputados estaduais que integram a base aliada na Assembleia. O encontro ocorre logo após a liderança do governo na Casa falhar – pela segunda vez em menos de um mês – em juntar o quórum mínimo de parlamentares para votar matérias de interesse da gestão. Para quem conhece bem os meandros a política cearense, o “sumiço” durante sessões de votação é um conhecido sinal de que as coisas não vão tão bem entre Executivo e Legislativo.

A reunião é importante sobretudo pela volta ao governo do deputado federal Mauro Filho (PDT), que assumirá a Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag) também na segunda-feira. Em coletiva para tratar do assunto, Mauro deverá anunciar novas medidas de arrocho e cortes na máquina pública estadual, pautas sempre polêmicas. É importante, portanto, que a base aliada esteja alinhada na defesa de ações do tipo no parlamento – postura bem diferente da que vem sendo adotada pelos deputados nas últimas semanas.

Além de pedir apoio às novas ações previstas pela gestão, Camilo deve apresentar resultados de recentes viagens que fez ao exterior. Nas últimas semanas, têm surgido no Legislativo sinais cada vez mais claros de incômodo da base com o governo. A maioria diz respeito às movimentações de parlamentares de olho nas eleições municipais do ano que vem. Atualmente, a base do governador abriga diversos interesses “inconciliáveis” no Interior, como os dos deputados Audic Mota (PSB) e Patrícia Aguiar (PSD), adversários em Tauá.

De olho em reduzir a insatisfação, o governo nomeou no último mês uma série de ex-deputados (ou indicados de atuais parlamentares) para cargos na gestão. Mesmo assim, segue a compreensão de que é necessário “sentar” e ouvir a base. Na última quinta-feira, apenas 24 parlamentares estavam presentes na sessão da Assembleia para votar mensagens enviadas pelo governo. “No papel”, a base de Camilo possui quase 40 deputados.

Ou seja: aliado para votar até tem, mas tá faltando.

Por falar em Mauro…

O retorno de Mauro Filho ao governo do Ceará é outro sinal que irá reverberar no cenário político do Estado pelos próximos anos. Eleito deputado federal em 2018, Mauro esperava, até por sua qualificação acadêmica na área, ter espaço de destaque na discussão de pautas econômicas do Congresso, como a reforma da Previdência. Acabou, no entanto, escanteado pela agressiva polarização PT e PSL na Câmara. Coisas do parlamento brasileiro.

Nos bastidores, o que se comenta é que a volta do parlamentar tem objetivo claro: viabilizar uma candidatura à sucessão de Camilo Santana em 2022 ou, quem sabe, até pela Prefeitura de Fortaleza no ano que vem. O próprio Mauro, dizem, não tem escondido de ninguém as pretensões eleitorais maiores. Na campanha passada, o secretário foi “número 1” da candidatura de Ciro Gomes (PDT) à Presidência da República.

 

Com informações: Carlos Mazza

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