Camilo Santana diz que age de má fé quem crítica sua decisão de aderir ao Programa das Escolas Cívico-Militares

O governador do Estado do Ceará, Camilo Santana (PT), usou as redes sociais nesta quinta-feira (3) para responder as críticas negativas à sua decisão de aderir ao Programa das Escolas Cívico-Militares do Governo Bolsonaro, questionamentos, inclusive, feitos por deputado da base aliada, Carlos Felipe. Camilo explica que não aderiu a nenhum novo modelo educacional como acusou o deputado Renato Roseno (Psol), em pronunciamento da Assembleia Legislativa, destacado por este Blog. O governador disse tratar-se de “guerra ideológica, que não leva a absolutamente a nada” as acusações de que o governo cearense estaria menosprezando o sistema de ensino público estadual e elevando o militarismo.

“Algumas pessoas têm me perguntado sobre o fato de o Governo do Ceará ter aderido ao Programa das Escolas Cívico-Militares, do Governo Federal. Quero deixar bem claro que o Ceará não aderiu a nenhum novo modelo de educação, mas a um programa que prevê recursos federais para a construção de duas unidades de ensino. Aliás, o Ceará já possui três escolas militares, duas da PM e uma dos Bombeiros, num universo de 728 escolas estaduais, sendo 252 de tempo integral. Quem tenta emplacar essa informação errada, ou desconhece os excelentes resultados da educação pública do Ceará, considerada referência no Brasil, e que serve de modelo para vários estados, ou age de má fé. Meu compromisso é fortalecer cada vez mais nosso modelo cearense de educação pública, aumentar as nossas escolas de tempo integral, investir cada vez mais nos nossos alunos e professores, e melhorar ainda mais nossos resultados. O resto da discussão é guerra ideológica, que não leva a absolutamente nada“, escreveu Camilo Santana em suas redes sociais.

A postagem do governador produziu mais de 300 compartilhamentos e mais de 470 comentários, a maioria favorável ao modelo escolar Cívico-Militar. Entre os comentaristas está o prefeito de Aracati, Bismarck Maia, que questionou: “Camilo Santana, como é que alguém se dispõe a questionar sobre educação com os nossos resultados nacionais?, ensino fundamental e médio? E os resultados das escolas da PM?? Ceará, VIVA!!!”

Críticas

O deputado Carlos Felipe (PCdoB), aliado do governador Camilo Santana, e o deputado Renato Roseno criticaram, na Assembleia Legislativa, a decisão do Governador. Já a deputada Dra. Silvana (PL), no dia anterior, como também foi destacado neste Blog, elogiou. Renato Roseno (PSOL) protestou lembrando que o Ceará foi o único do Nordeste a aderir ao projeto do Governo Bolsonaro.

Roseno chamou de contraditória a adesão em um momento que o Ceará ganha destaque no ensino médio do País. “Esta semana o governador Camilo Santana destacou, e foi mostrado em mídia nacional, que 55 das 100 melhores escolas públicas de ensino médio são do Ceará. E agora adere a um projeto que acaba por minimizar todo o trabalho dos professores e tenta elevar o militarismo. Esses indicadores mostram que os professores estão se esforçando e garantindo ótimos resultados. É preciso valorizar isso. Esse programa é um erro e foi feito por quem não entende de educação pública. Agora vão usar isso para mitificar que a escola só tem qualidade se for gerida por militares”, disse.

Entidades

“O Governador deveria ter ouvido pelo menos o Conselho Estadual de Educação para saber o parecer deles quanto a isso. Era preciso ter negado esse projeto que até a justificativa é algo totalmente sem sentido. Não se pode querer colocar o Ministério da Defesa para cuidar da educação”, criticou Roseno, afirmando ainda que o projeto, por ser piloto, pode gerar uma visão equivocada sobre seus resultados, visto que as escolas inseridas nele receberão verbas diferenciadas das demais, o que facilitaria que conseguissem melhores índices nas avaliações da qualidade de ensino.

 

Com informações: Edison Silva

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