Ceará negocia cinco novas empresas de turismo

Após desistência do Vila Galé de instalar um resort na Praia do Preá, ao lado de Jericoacoara, no município de Cruz, o Governo negocia a vinda de outras cinco empresas do segmento turístico ao Ceará. Os nomes e regiões de interesse, no entanto, não foram revelados. Segundo o secretário de Turismo do Estado (Setur), Arialdo Pinho, está sendo realizado um trabalho com a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) para viabilizar o projeto, que deve ter uma resposta em cerca de 60 dias.

O empreendimento pretendia investir um total de R$ 10 milhões, mas teve a obra embargada pelo órgão sob a justificativa de falta de licenciamento, em 2018. Diante das dificuldades, desistiu do negócio. Questionado sobre a operação com a rede hoteleira portuguesa, o titular da Setur disse que acredita que “isso está sendo contornado”.O POVO não conseguiu contato com a empresa até o fechamento desta edição.

“Estamos negociando com cinco empresas de redes distintas e será um bloco só, isso já está sendo equacionado”, afirma. Casos como o do Vila Galé têm preocupado o empresariado cearense em razão do texto do Zoneamento Ecológico Econômico da Zona Costeira do Ceará (Zeec), proposto pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema).

Mas, segundo Arialdo, o objetivo da medida é justamente garantir a segurança jurídica. Ainda em etapa de discussão com a sociedade e empresários do segmento turístico, o Zeec propõe definir a parte física dos 573 km de litoral cearense para classificar as atividades adequadas de cada área. Assim, a biodiversidade estará mapeada junto com o relevo da costa.

Segundo o secretário do Meio Ambiente, Artur Bruno, isso evitará que os players apliquem recursos em um empreendimento que, no futuro, poderia ser embargado. “O que aconteceu nos últimos anos no Ceará é que o investidor vinha, comprava uma área, mas, quando ia tirar a licença, descobria que aquele local não é adequado para o investimento”, ilustra.

O conflito, explica, ocorria em função do Código Florestal, de 2012. A norma estabelece que dunas e mangues, por exemplo, não podem ter ocupação econômica. “O zoneamento vai atrair investidores. Hoje, não há uma regulamentação sobre a costa cearense e eles querem segurança jurídica. Eles querem saber onde é que pode ou não fazer uma intervenção no litoral”, afirma, acrescentando que essa é uma reivindicação do próprio empresariado.

Para Marcelo Melo, economista especializado em mercado imobiliário e professor de Economia da Universidade Federal do Ceará (UFC), em Sobral, o aspecto ambiental é positivo, mas o Estado terá que compatibilizar isso com que já fez aplicações. “Não é nada agradável um grupo nacional fazer investimentos e ser vetado”, pondera. “Cabe ao Estado pensar quais medidas poderiam minimizar os impactos juntos com o empresário, pois afugenta”, analisa. Ele complementa que atrair esses negócios gera tributos aos municípios, emprego e renda.

O estudo engloba 23 municípios cearenses, divididos em quatro áreas. Destes, 20 ficam no litoral e três somente no entorno. O seminário sobre o Zeec reuniu cerca de 800 pessoas na última semana. As ações envolvem as regiões da Costa Oeste, Leste, Extremo Oeste. Além de Fortaleza e Região Metropolitana aconteceram nos municípios de Caucaia, Aracati, Jijoca de Jericoacoara e Itapipoca, de 29 de maio a 5 de junho.

Na próxima sexta-feira, os técnicos do projeto têm agenda com os setores, na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), às 14 horas. Depois disso, a expectativa é que o levantamento geoambiental seja concluído em julho e o zoneamento inicie em fevereiro do próximo ano.

 

Com informações: O Povo

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