Cinema itinerante: sessões ao ar livre encantam moradores de cidades cearenses

Numa noite estrelada, tudo vira mágica. Foi um dia incomum no distrito de Antônio Diogo, em Redenção, no Maciço de Baturité. Um caminhão parou nas proximidades da Praça Matriz, trazendo toda estrutura para a montagem de uma grande tela e um projetor. Em pouco tempo, a mensagem se espalhou. Logo, seu Zé, dona Maria, a professora Márcia e seus dois filhos, entre outros, estavam reunidos à noite para a ocasião especial. O cinema havia chegado. E se o “amor é filme”, como diz a canção do grupo Cordel do Fogo Encantado, naquele momento todos ali descobriram um pouco dessa paixão, pois filme e cinema também são amor, cultura e cidadania.

Esse mesmo momento de surpresa e admiração pela sétima arte tem se repetido pelo interior do Estado. A V Mostra Itinerante de Cinema do Ceará, uma realização do Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura (Secult), está conquistando os moradores de 30 cidades. A iniciativa nasceu da necessidade de proporcionar a experiência do cinema para a parcela da população que não tem acesso às salas comerciais. Durante a programação, são exibidos gratuitamente filmes de curta e longa-metragem, além de videoclipes produzidos por diretores cearenses, com classificação indicativa livre.

Contando com o apoio do Ministério da Cidadania, o projeto teve início em dezembro de 2018, na cidade de Aracati, tendo passado por municípios como Jaguaruana, Palhano, São João do Jaguaribe, Limoeiro do Norte, Morada Nova, Quixeré, Umari, Pindoretama, Barreira, Redenção e Guaiúba. A programação continua até julho de 2019, passando por mais 19 cidades (ver programação abaixo).

A Mostra Itinerante de Cinema conta também com apoio da Secretaria da Educação do Ceará (Seduc), parceria da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), apoio cultural do Banco do Nordeste e tem produção executiva do Instituto Social de Arte e Cultura do Ceará (ISACC).

O acesso à arte e à cultura

Os olhos “vidrados” na tela revelam a atenção e o encantamento das crianças sentadas nas cadeiras com pipoca nas mãos. Duas delas são os filhos da professora Márcia Rodrigues, moradora do Distrito de Antônio, em Redenção.

“Eu vim com os meus filhos participar porque acho muito importante que eles acompanhe essa mostra. É arte, é cultura… E como nós moramos no interior e o cinema é uma realidade distante da gente, essa é uma boa oportunidade. Vim pra cá mesmo cansada do trabalho e trouxe meus filhos para eles terem acesso a essa programação cultural. Isso nos desenvolve, desenvolve nosso conhecimento”, comenta a professora.

Tornar o cinema acessível é a premissa da Mostra Itinerante de Cinema do Ceará, que chega a sua quinta edição, se consolidando como uma política pública de cultura do Estado. “A Mostra tem sido essencial para que pessoas do interior do Estado tenham contato com a arte e a cultura. Muitos aqui tiveram por meio desse projeto o contato pela primeira vez com o cinema e isso é muito gratificante”, destaca o coordenador de audiovisual da Secult e curador da mostra, Duarte Dias.

Conhecendo o cinema de perto

Quem nunca imaginou como é feito um filme? Além de promover as exibições cinematográficas, a V Mostra Itinerante de Cinema do Ceará tem levado oficinas de Cineclubismo e Animação até as escolas dos municípios, numa parceria entre a Secretaria da Cultura e Secretaria de Educação do Ceará. Essa é uma maneira de aproximar as crianças e jovens da linguagem artística e de apresentar possibilidades de inserção no mercado da economia criativa.

As atividades foram recebidas com animação por muitos estudantes da rede pública, como é o caso de Robervânia Vieira, aluna da escola Padre Saraiva Leão, de Redenção. “Fiz a oficina de animação. Minha experiência foi muito boa. Já tinha vontade de fazer faz algum tempo. Assisti a alguns vídeos sobre o assunto, mas agora chegou essa oportunidade”, comentou com alegria.

A Mostra Itinerante de Cinema também tem chegado em momentos oportunos, contribuindo para a formação de estudantes dentro e fora de sala de aula. A professora Marisa B. Morro, da escola EEEP Francisca Maura Martins de Hidrolândia, conta como a exibição de filmes tem ajudado.

“A vinda da mostra de cinema pra cá coincidiu com um momento de produção de documentários que estamos realizando na escola, devido à Olimpíada de Língua Portuguesa. Nossos alunos estão com o objetivo de produzir documentários cuja tema deve ser sobre o lugar onde eles vivem. E a exibição desses documentários vem para esclarecer ainda mais sobre as características desse gênero. A mostra vai expor o documentário “Becco do Cotovelo” (de Pedro Cela e Eduardo Cunha), que fala sobre a realidade de Sobral. Isso é bem interessante para eles conhecerem nossa cultura e para saberem mais sobre o que são os documentários”, explicou a professora.

E os filmes exibidos têm conquistado os jovens que acompanham, segundo a professora Mônica Sousa da EEM Elza Goersch, de Forquilha. “Os alunos se identificam com o que está próximo de sua realidade. Temos filme com o tema de Luiz Gonzaga, por exemplo. Eu trabalhei já com alunos de 8º e 9º ano em oficinas que envolviam música e é incrível como a maioria deles preferiam ouvir as músicas do Luiz Gonzaga ao invés de outras. Eu já estou trabalhando as músicas dele em sala de aula e é impressionante como eles gostam. Então, iniciativas como essa de cinema, que mostram uma realidade próxima da nossa são louváveis”, ressaltou.

Cinema cearense para os cearenses

Outro ponto forte da V Mostra Itinerante de Cinema do Ceará são as produções selecionadas. Todas são cearenses. Fazem parte a mostra o longa “Padre Cícero: Os Milagres de Juazeiro”, obra de Helder Martins, e seis curtas e médias metragem que contemplam os gêneros consagrados na linguagem cinematográfica: os documentários “Becco do Cotovelo”, de Pedro Cela e Eduardo Cunha, “Couro Tecido”, de Adriana Barbalho, e “Negro lá, negro cá”, de Eduardo Cunha de Souza, as ficções “Céu Limpo” de Marcley de Aquino e Duarte Dias, e “Doce de Coco”, de Allan Deberton, e a animação “Esaú, o contador de história”, de André Dias.

Duarte Dias, curador da mostra e coordenador de audiovisual da Secult ressalta a importância da exibição dos filmes. “Essas são, a nosso ver, as obras que, delimitadas num curto espaço de exibição, representarão os anseios de uma política cultural voltada para o audiovisual que não se resume apenas ao entretenimento, mas à reflexão e pensamento que a sétima arte é capaz de proporcionar”, esclarece.

Programação de Maio a Julho da V Mostra Itinerante de Cinema do Ceará

Ipaporanga

21 e 22 de maio – Exibição

20 a 24 de maio – Oficina

Mosenhor Tabosa

23 e 24 de maio – Exibição

20 a 24 de maio – Oficina

Ibicuitinga

26 e 27 de maio – Exibição

03 a 07 de junho – Oficina

Quixadá

28 e 29 de maio – Exibição

03 a 07 de junho – Oficina

Banabuiú

30 e 31 de maio – Exibição

10 a 14 de junho – Oficina

Iguatu

01 e 02 de junho – Exibição

10 a 14 de junho – Oficina

Tarrafas

03 e 04 de junho – Exibição

17 a 21 de junho – Oficina

Potengi

05 e 06 de junho – Exibição

17 a 21 de junho – Oficina

Altaneira

07 e 08 de junho – Exibição

24 a 28 de junho – Oficina

Caririaçu

09 e 10 de junho – Exibição

24 a 28 de junho – Oficina

Crato

11 e 12 de junho – Exibição

24 a 28 de junho – Oficina

Jati

29 e 30 de junho – Exibição

01 a 05 de julho – Oficina

Jardim

01 e 02 de julho – Exibição

01 a 05 de julho – Oficina

Abaiara

09 e 10 de julho – Exibição

08 a 12 de julho – Oficina

Barbalha

11 e 12 de julho – Exibição

08 a 12 de julho – Oficina

A programação está sujeita a alteração. Atualizações e locais em cada cidade podem ser conferidas na página oficial do evento no Facebook e para obter mais informações acesse o site da Secult.

 

Com informações: ASCOM do Governo do Estado do Ceará

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