Com Maia de fiador do governo, DEM e PSDB prometem unir o Centrão

O DEM e o PSDB estão segurando o governo em rédea curta com a promessa de tranquilizar o Centrão. Depois de o presidente do Solidariedade, o deputado Paulinho da Força (SP), sugerir a possibilidade de desidratar a reforma da Previdência para não facilitar a reeleição do presidente Jair Bolsonaro, tucanos e demistas se articulam como os fiéis da balança para o Palácio do Planalto com o comprometimento de apaziguar os ânimos entre os principais partidos de centro, como PP, PR e PRB. Lideranças dessas legendas, entretanto, não se sentem confiantes com a costura feita e prometem endurecer o apoio.
Tanto PSDB como DEM são dois partidos que tentam se desvincular da imagem do Centrão. Ao mesmo tempo, porém, conseguem exercer poder junto às legendas do bloco político para votar pautas conjuntas. Orbitando junto aos dois estão o MDB e o PSD. São as únicas siglas, além do PSL, que dispõem de integrantes no primeiro e no segundo escalões de três ministérios estratégicos para o encaminhamento de demandas: Agricultura, Saúde e Cidadania, que reúnem as pastas de Esporte, Cultura e Desenvolvimento Social.
A influência de DEM, PSDB e PSD no governo de São Paulo, gerido pelo tucano João Doria, ecoa na Esplanada dos Ministérios e dá força para os três se posicionarem frente ao governo como fiadores que vão garantir uma reforma da Previdência mais próxima do que o Planalto enviou ao Congresso, e menos com a que sugeriu Paulinho da Força. Lideranças das três siglas, sobretudo os demistas e tucanos, analisam que vale mais a pena aprovar um texto robusto do que desidratado com o pensamento em 2022.
A leitura do DEM e do PSDB é de que, com a economia estagnada, os principais impactos sobre a atividade serão maiores somente a partir da próxima gestão. Ou seja, mesmo aprovando uma reforma próxima de R$ 1 trilhão, como almeja o governo, os efeitos mais positivos seriam notados somente em 2023. Até as próximas eleições, a tendência é de que ambos os partidos elevem o capital político, ampliando as estruturas partidárias nos estados com a aprovação da reforma tributária, em gestação pelas duas legendas, da qual o Democratas tenta ser o dono.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é quem se articula para ser o fiador do governo. Na quarta-feira, depois da polêmica levantada por Paulinho, tratou de tranquilizar o governo. Em entrevista ao Estadão, disse que trabalhará por uma economia de R$ 1 trilhão. A fala institucional, como presidente da Casa, começou a ecoar dentro do Democratas, do qual iniciaram conversas com o PSDB e, juntos, se mobilizaram para frear articulações mantidas na alta cúpula do Centrão para desidratar o texto.
Convencimento
A articulação capitaneada por Maia, no entanto, não convence lideranças de PP, PR e PRB. As cúpulas desses partidos notaram a interlocução feita por DEM e PSDB e temem ser isoladas na partilha de postos estratégicos em ministérios que podem vir a surgir com a reforma ministerial em análise pela própria Casa Civil. Sustentam que não farão esforços para convencer o baixo e o médio cleros, deixando a cargo dos demistas e tucanos fazerem a interlocução e a contagem de votos da reforma da Previdência nas bases.
O principal desafio de Maia e de interlocutores próximos é unir o Centrão. O bloco político está dividido, sobretudo por um movimento orquestrado pelas lideranças no Nordeste, que querem retirar os estados da reforma da Previdência. A região é dirigida majoritariamente por governadores da oposição. Por isso, comandam um movimento de retirada das unidades da Federação do texto, na Comissão Especial, pauta que desidrataria a matéria, reduzindo a economia estimada pelo governo. Demover a ideia desses dissidentes, no entanto, exigirá esforço.
Para manter os estados na reforma, o governo vai ter de mudar a articulação política e apadrinhar nomes indicados por deputados, principalmente no Nordeste. É aí que entra a participação de Maia, que mantém nos últimos dias um diálogo estreito com Bolsonaro. O presidente da Câmara precisará atuar para convencer o Planalto a mudar o diálogo com o parlamento. E terá de se articular junto aos interlocutores mais próximos para convencer a alta cúpula de PP, PR e PRB de que ocuparão cargos estratégicos na Esplanada em uma eventual reforma ministerial.
MDB quer ser “Movimento”
Depois de deixar o Palácio do Planalto, sofrer forte derrota nas eleições do ano passado e perder a presidência da Câmara e do Senado, o MDB tenta se reposicionar na cena política para sair do isolamento. Dirigentes do partido querem agora construir uma agenda econômica com novas bandeiras, limpar a imagem da legenda abalada por escândalos de corrupção e influenciar no debate do Congresso, para ser uma espécie de fiel da balança em votações importantes para o governo de Jair Bolsonaro. A estratégia para sair da “segunda divisão” e ganhar protagonismo após a crise passa por um alinhamento entre as bancadas do Senado e da Câmara e mudanças no cartório. Uma ala do MDB quer trocar o nome do partido, desta vez para “Movimento”. Por trás desse novo batismo, está a ideia de que o MDB admite erros, mas não é estático e dá a volta por cima. No fim de 2017, o PMDB já havia removido o “P” da sigla, voltando a ser chamado de Movimento Democrático Brasileiro (MDB), como foi criado, em 1966, quando fazia oposição à ditadura militar.
Com informações: Correio Braziliense

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