Corrida pelo Paço Municipal esquenta e entra na fase de embates e polêmicas

A semana que se encerrou trouxe, finalmente, o cenário que se esperava para a campanha eleitoral de Fortaleza: acirramento, trocas de acusações e embates diretos entre os principais personagens políticos. Nesta coluna, vínhamos destacando a temperatura morna e as pequenas polêmicas que movimentaram as primeiras duas semanas da campanhas. Não era aquele um cenário real. O tom é outro. Esta que acabou, entretanto, foi diferente. Os fatos que se sucederam revelaram uma verdadeira gangorra política entre os principais grupos que disputam a Eleição e mostraram que, além do ataque, todos precisam se preocupar também com as defesas. Como em uma luta com dois oponentes fortes, os grupos ora encurralavam o adversário, ora estavam nas cordas. E, ao que tudo indica, o clima permanecerá assim até o o dia do pleito.

O motim

O tema motim de policiais militares entrou de vez na campanha. E não poderia ser diferente. A paralisação dos PMs, o desgaste para o governo estadual, o episódio dos tiros e da retroescavadeira em Sobral e os componentes políticos do movimento não passariam ao largo da disputa pela Prefeitura de Fortaleza. Oriundo da categoria, os questionamentos recairiam sobre candidato Capitão Wagner, do Pros. Na série de entrevistas do programa PontoPoder Eleições, da TV Diário, na última terça-feira (13), Wagner declarou que não foi a favor do movimento, disse ter responsabilidade e acusou “radicalismo” dos dois lados. Claramente, Wagner havia se preparado para tratar do tema. Porém, surpreendeu a resposta do governador Camilo Santana (PT) e as repercussões geradas. O movimento teve componente político. E os fatos apareceriam mais cedo ou mais tarde.

No ataque

Camilo Santana (PT) não tem perfil de político que parte para o confronto. O que marca sua atuação é muito mais o diálogo. Nesta campanha, dividido entre dois aliados Sarto (PDT) e Luizianne (PT), Camilo viu na fala do principal adversário dos seus aliados a brecha necessária para entrar na disputa. O fato de ter enfrentado o motim como governador conferiu a ele a legitimidade para fazer a crítica. Mesmo dividido, coube a Camilo a mudança do tom na campanha eleitoral de Fortaleza.

Mudou o tom

Depois da artilharia governista da qual foi alvo, Capitão Wagner resolveu mudar o tom da campanha e devolver os ataques. Fez crítica contra Sarto, chamou Ciro para a briga e retomou um pouco da combatividade que marca sua atuação. Wagner tem feito um esforço para se descolar da pauta militar e da segurança na campanha, mas será sempre chamado à arena pelos adversários. Antes que a semana chegasse ao fim, Wagner viu uma operação da Polícia Federal resgatar uma delação de executivos da J & F contra o grupo governista. Fato que também rendeu desdobramentos políticos.

Competitiva

Luizianne Lins (PT) tem um estilo próprio de fazer política que dá aos críticos e adversários o cuidado de não desdenhar do seu capital político. Com o partido em um momento de turbulências nacionalmente, e com poucas candidaturas competitivas nas capitais brasileiras – em São Paulo, Gilmar Tatto tem menos de 5% das intenções de voto – a deputada federal cearense, que disputa os primeiros lugares na pesquisa em Fortaleza, se consolida como a mais viável candidatura petista Brasil afora.

Apoios nacionais

Luizianne ainda espera definições sobre possível vinda do ex-presidente Lula para apoiar sua campanha em Fortaleza. Entretanto, já considera certa a vinda de Fernando Haddad. Para seus programas na propaganda eleitoral no rádio e TV, aguarda a gravação de um vídeo do ex-presidente. Luizianne tem usado a imagem de Camilo Santana em suas peças de campanha e responde com tranquilidade sempre que questionada sobre a afinidade de Camilo com o PDT. “Tenho com ele uma parceria partidária”, diz.

Retorno e desafio

Se tudo correr como o esperado, o candidato do PDT, Sarto Nogueira, deve voltar nesta semana aos atos de campanha de rua. A menos de um mês para as eleições, o candidato pedetista precisa recuperar o fôlego em busca de se mostrar ao eleitorado da Capital. O tempo é curto e a tarefa exigirá bastante dele e dos aliados.

 

Com informações: Diário do Nordeste

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