Crise política na Venezuela: 7 perguntas e respostas sobre os recentes desdobramentos no país

O Brasil foi um dos países a reconhecer Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela. Em sua conta no Twitter, o presidente Jair Bolsonaro, que está participando do Fórum Econômico Mundial (Davos, na Suíça), postou mensagem de apoio a Guaidó, reiterando a colaboração brasileira ao governo recém-declarado.

“O Brasil apoiará política e economicamente o processo de transição para que a democracia e a paz social voltem à Venezuela”, disse na rede social. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil também divulgou comunicado sobre o reconhecimento de Guaidó.

Em diversas cidades do país ocorrem atos contra e a favor do presidente Nicolás Maduro. Guaidó, que é o presidente da Assembleia Nacional, se declarou presidente interino da Venezuela. “Hoje, 23 de janeiro de 2019, em minha condição de presidente da Assembleia Nacional, invocando os artigos da Constituição Bolivariana da República da Venezuela, ante Deus todo poderoso, juro assumir formalmente as competências do Executivo Nacional como presidente encarregado de Venezuela”, afirmou.

Como a crise na Venezuela se agravou?

A situação se agravou após a eleição de Maduro para novo mandato, que é contestada pela comunidade internacional. Ele tomou posse em 10 de janeiro, perante a Suprema Corte. Para o Grupo de Lima, que reúne 14 países, e para a Organização dos Estados Americanos (OEA), o mandato é ilegítimo e a Assembleia Nacional Constituinte deve assumir o poder com a incumbência de promover novas eleições.

Guaidó chegou a ser preso e liberado. A Assembleia Nacional, então, declarou “usurpação da Presidência da República” por Maduro.

Quem reconhece Guaidó como presidente?

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o vice-presidente, Mike Pence, se manifestaram, em apoio, em suas contas na rede social Twitter.

O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, também reconheceu Guaidó e felicitou o deputado pelo juramento.

O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, também usou o Twitter para anunciar apoio a Guaidó. “Contém conosco para abraçar novamente a liberdade e a democracia”, escreveu Abdo Benítez.

Jair Bolsonaro, na mesma rede social, postou mensagem de apoio a Guaidó, reiterando o apoio brasileiro ao governo recém-declarado.

Colômbia, Argentina, Chile, Peru, Canadá, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Panamá e a União Europeia também declararam apoio a Guaidó e à Assembleia Nacional.

Já Rússia, México, Cuba e Bolívia reafirmaram o apoio a Maduro.

Qual o plano de Guaidó?

Ele declarou que a Assembleia Nacional assumiria provisoriamente as funções do Executivo, a fim de conduzir uma transição do regime de Maduro, a quem chama de “usurpador”, para um novo governo.

Guaidó fez o juramento de promover eleições e trabalhar pela queda de Maduro durante as manifestações de hoje em Caracas.

“Digo ‘usurpador’ porque Nicolás Maduro já terminou seu mandato constitucional – mandato que nunca foi reconhecido pelos venezuelanos porque não houve eleição. O que ocorreu em 20 de maio de 2018 foi uma farsa que nosso povo e o mundo rejeitam. Maduro agora é, de fato, um ditador”, declarou Guaidó.

Qual a reação de Maduro?

Na janela do Palácio Miraflores, sede do governo, em Caracas, ele disse que se manterá no poder e resistente ao que chamou de “tentativa de golpe” e “batalha contra a guerra econômica”. Ele segurou uma bandeira da Venezuela em tamanho grande.

Com um discurso emocional, Maduro ressaltou que foi eleito legitimamente e anunciou o rompimento das relações políticas e econômicas com os Estados Unidos. “Peço a todos, vamos fortalecer a legitimidade e o poder do Estado em defesa da paz e da democracia venezuelana.”

O presidente venezuelano aproveitou para atacar o governo do Equador, comando por Lenín Moreno. Segundo ele, o país promove ações de discriminação contra os imigrantes venezuelanos que buscam refúgio na região.

Quem é Guaidó?

Juan Gerardo Guaidó Marquez, principal nome da oposição da Venezuela, tem apenas 35 anos e é desconhecido de muitos no exterior. Porém, como presidente da Assembleia Nacional Constituinte, classificada pelo governo Nicolás Maduro como ilegítima, o Parlamento virou a principal referência de força contrária a Maduro no país.

Casado, Guaidó tem uma filha de 9 anos e construiu sua carreira política a partir da liderança de movimentos estudantis. Ganhou destaque nos protestos de 2007 e desde então passou a chamar a atenção dos políticos tradicionais do país.

Guaidó disputou o governo da região de Vargas e perdeu. Em 2010, foi eleito deputado, como suplente do parlamentar Bernardo Guerra. Em 2015, foi eleito deputado federal. Também integrou o Parlamento Latino-Americano (Parlatino).

No ano passado, Guaidó assumiu como presidente da Assembleia Nacional Constituinte e líder da maioria de oposição.

Formado em Ciências e Engenharia Industrial, Guaidó fez duas pós-graduações antes de assumir como representante da Faculdade de Engenharia perante o Conselho Geral de Representantes Estudantis (Cogres), membro do Presidente de Honra e do Programa de Liderança universitária.

Que grupos políticos protestaram no país, nesta quarta?

Predominam os venezuelanos contrários ao regime de Nicolás Maduro, em diversas partes do país.  Membros da Guarda Nacional lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes no bairro de classe média de El Paraiso, em Caracas. Já são pelo menos oito mortos nos protestos desta quarta.

Os presentes criticaram a inflação crescente, a escassez de produtos básicos e a crise migratória que divide as famílias.

Os pró-Maduro também começam a se encontrar em pontos de concentração para as manifestações organizadas pelo governo, o qual acusa a oposição de tentar provocar derramamento de sangue.

O que foi a conspiração militar reprimida nesta segunda-feira?

O Exército disse ter detido um grupo de membros da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) que roubaram armas e sequestraram oficiais na madrugada desta segunda-feira, 21. Na Venezuela, a GNB funciona como uma polícia militar em âmbito nacional.

Segundo o ministério, um grupo de militares de um quartel da GNB, na zona oeste de Caracas, sequestrou ao menos quatro oficiais ao tentar roubar armas para ações armadas contra o governo.

Com informações: Agências Estado e Brasil / O Povo

 

 

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