Curva de contágio de coronavírus no Ceará é uma das mais altas no Brasil

O Ceará, até o momento, é um dos estados do País onde, segundo os registros oficiais, há uma alta velocidade de transmissão do coronavírus.

No Brasil, que desde o dia 26 de fevereiro registra casos da doença, a chamada curva de transmissão – relação entre a quantidade de ocorrências ao longo de determinado período de tempo – tem seguido ritmos diferentes nos estados. No Ceará, a curva está íngreme devido ao grande número de confirmações em 12 dias.

A atualização da Secretaria Estadual da Saúde aponta que o Ceará está com 211 casos do novo coronavírus. O informe epidemiológico foi divulgado no fim da tarde desta quarta-feira (25).

Um dos receios das autoridades de saúde é que o número excessivo de casos em um curto período de tempo possa extrapolar a capacidade do sistema de saúde e afetar o atendimento aos doentes.

Contudo, especialistas valiam que a adoção de medidas restritivas à circulação como, o isolamento social, tendem a baixar esses índices nas próximas semanas.

Levantamento

Um levantamento feito com informações disponíveis na plataforma Brasil.io – um repositório de dados públicos disponibilizados em formato acessível – revela, com base em todos os boletins oficiais das 26 secretarias estaduais da saúde e do Distrito Federal, que o ritmo da curva de contágio no Ceará está mais alto do que em estados como Rio de Janeiro.

São Paulo registra casos de coronavírus oficialmente há 30 dias. Nesse intervalo, foram detectadas 862 ocorrências. Já no Rio de Janeiro, há 370 pessoas com a doença em 22 dias. O Ceará, confirmou 211 casos em 12 dias. Os três estados são os que mais têm pessoas com coronavírus no país em números absolutos.

No Rio de Janeiro e São Paulo há um número elevado, mas eles estão distribuídos em um espaço de tempo maior. Com isso, a curva epidêmica é mais estável que a do Ceará que está íngreme devido a velocidade de casos em poucos dias. Isso aparece quando se analisa, por exemplo, apenas a quantidade de casos no 12º dia em cada estado, São Paulo tinha 16, o Rio de Janeiro 25 e o Ceará tem 211.

Se o Ceará mantiver, nas próximas semanas, a proporção atual de registros de casos, chegará ao 22º dia com mais confirmações do que o Rio de Janeiro, segundo estado que mais registrou casos. Além disso, em 12 dias, o Ceará tem mais pessoas com o vírus do que Minas Gerais em 20 dias. Em Minas Gerais foram 133 contabilizados até quarta-feira (25). Mas o estado mineiro também tem curvas altas de transmissão.

Tempo de circulação do vírus

A secretária executiva de Vigilância e Regulação da Sesa, Magda Almeida explica que “tivemos um atraso muito grande em relação às notificações. Se a gente pegar os primeiros casos confirmados e a apresentação dos primeiros sintomas no Estado, a gente vê que tem um atraso de um mês. O primeiro caso que apresentou sintoma foi no dia 15 de fevereiro e o nosso primeiro caso confirmado foi dia 15 de março. Obviamente com essa diferença de um mês, entre o começo da circulação e a vigilância sendo notificada, esse vírus teve mais tempo para circular e contaminar mais pessoas”.

De acordo com ela, a situação do Ceará, no momento, reflete um “represamento dos casos que já estavam circulando, mas que não se tinha conhecimento. Por isso que aumentou muito. Teve um boom e já tentamos rastrear o que provocou isso”.

Na avaliação da Sesa, um dos fatores foram eventos considerados fontes de contaminação. “Como a gente não tinha ciência desses casos, eles não foram bloqueados a tempo. E quando começamos a identificar foram todos de uma vez”, afirma Magda.

Achatar a curva

A representante da Sesa também enfatiza que com o isolamento social espera-se que haja um recuo neste número. Além disso, informa que aliado às políticas de criação de leitos, o Governo Estadual também fará um painel diário de acompanhamento das pessoas internadas, justamente para mensurar qual a dimensão da assistência que tem sido demandada.

Para a virologista e epidemiologista, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Caroline Gurgel, se a curva tem pico elevado e abrupto, ela “não oferece prazo suficiente para que os casos mais graves e que necessitem de internação sejam adequadamente atendidos pelo serviço de saúde pela falta de leitos.

O infectologista do Hospital São José e professor da Universidade de Fortaleza, Keny Colares, também garante que “essa curva dos primeiros dias acompanha a curva mais ou menos da maioria dos países”.

Ele acrescenta que o que está sendo observado agora no Estado “são fenômenos de pessoas que se infectaram a duas, três semanas atrás”. Segundo o médico, as medidas de isolamento adotadas desde a última semana, vão impactar daqui a duas ou três semanas. “Com o isolamento, estamos parando a transmissão agora. Quem já se infectou continua aparecendo, aparecendo”, acrescenta.

Transmissão comunitária

O Estado do Ceará já registra caso de transmissão comunitária do novo coronavírus, de acordo informação do secretário de Saúde, Dr. Cabeto. A transmissão comunitária – quando o contágio da doença está ocorrendo dentro do próprio estado – aumenta a necessidade de isolamento social.

“Agora passam a ser contágios múltiplos entre pessoas do próprio estado por isso aumenta mais ainda a importância do isolamento social”, ressaltou Cabeto.

Ciclo do coronavírus  — Foto: Foto: Arte/G1
Com informações: G1 Ceará

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