Danilo Forte defende chapa com PSDB e Capitão Wagner

O deputado ­federal ­Danilo Forte (PSDB), que assumiu recentemente vaga na Câmara Federal após o pedido de licença de Roberto Pessoa, falou com O Estado sobre os projetos que está desenvolvendo na casa e avaliações sobre os rumos da economia pós-pandemia no Brasil e no Ceará. Falou também sobre a eleição de Fortaleza, defendendo uma “chapa competitiva” com Capitão Wagner (Pros) e perspectiva de um tucano na posição de vice. Confira:.


O Estado. Você recentemente assumiu o mandato do deputado Roberto Pessoa na Câmara Federal. O que está desenvolvendo na casa neste período e quais os seus planos para o restante do tempo em que vai estar lá?
Danilo Forte. Este é um momento oportuno para fazer um debate principalmente sobre questões vinculadas à pandemia que estamos vivendo, nossa situação é muito grave do ponto de vista da saúde pública, e sem segurança com relação à vacina. E, ao mesmo tempo, vimos também que houve um aproveitamento da situação para desvio de recurso público, então é necessário que o poder público tenha um controle maior, tanto do ponto de vista da gerência administrativa dos processos como também da aplicação, da eficiência desses processos. Lamentavelmente o Ceará hoje é o terceiro estado do Brasil em número de óbitos, exatamente em função dessa ineficiência. A segunda questão é a da economia, o efeito é devastador. Estamos vendo aí uma grande preocupação com o aumento do desemprego, a falência de empresas, e para salvar empregos temos que salvar empresas, principalmente micro e pequenas empresas. Tenho batido nessa tecla, cobrando liberação do recurso do Pronamp [Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural] do governo federal para micro e pequenas empresas, para garantir um mínimo de condições de pagamento.

E há também o novo debate aí da reforma tributária e a discussão para transformar em permanente o auxílio emergencial. Acho que transformar em programa de renda mínima é importante para a inclusão social, uma garantia para as famílias de baixa renda. Vou apresentar nos próximos dias uma proposta com contribuição específica sobre o programa de renda mínima. E vamos trabalhar forte no debate sobre a questão da reforma administrativa, que precisa ser concluída. E, ao mesmo tempo, fico feliz e grato pelo deputado Roberto Pessoa, que nos convocou, e eu espero inclusive que ele consiga êxito no pleito de Maracanaú.

OE. Você mencionou as reformas. Como avalia o andamento das reformas nessa gestão do governo federal?
DF. O governo demorou muito, era um processo que era para ter avançado muito mais. A reforma administrativa, para remanejar os servidores públicos, fortalecendo os mais necessários, como também a questão de privatizações de empresas ineficientes do governo, empresas públicas totalmente ineficientes que só fazem despesa para o erário público. Acho que o governo demorou, tanto a reforma administrativa como a reforma tributária deveriam ter entrado na pandemia com uma proposta já em andamento. É importante uma equação da reforma tributária que diminua a despesa sobre quem produz e aumente sobre a renda, ter base maior para compensar as despesas e ajudar o País a ter uma retomada de empregos, é fundamental isso agora. O único setor que continua crescendo é o agro, eu mesmo desenvolvi o programa do AgroNordeste, para inserir o agro da região no agro nacional, agora tem que dar instrumentos fiscais e jurídicos para isso. Estamos fazendo uma proposta para atender a renda mínima melhorar o Bolsa Família, adaptar a novas demandas das famílias brasileiras, principalmente de baixa renda. Em paralelo a isso, uma maior inclusão social, porque hoje o mundo está dividido entre os excluídos e os incluídos, e temos que incluir essa massa de pessoas no mercado de trabalho.

OE. Sobre a eleição em Fortaleza: como estão as discussões no PSDB? Vai ter candidato?
DF. Acho que o povo do Ceará nos colocou numa posição muito clara e tomei posição para me contrapor ao projeto que está no Ceará há quase 16 anos, exatamente porque é um projeto elitista, oligárquico, é um projeto que vai matando empresas. As empresas que crescem no Ceará são de fora, as do Ceará não vejo crescendo, tiveram que ir embora em busca de mercado. Graças a Deus o povo do Ceará é criativo, empreendedor nas dificuldades. Os problemas estão agravados na saúde e na questão criminal, inclusive é o estado que mais gastou dinheiro em compras analisadas e auditadas pelos órgãos de controle federal, inclusive um volume muito grande de gastos na própria Fortaleza. Ano passado a força nacional conseguiu uma redução drástica dos números da violência, agora aumentou de novo, até junho já tinham matado mais gente do que no ano passado todo. O que cabe é dialogar, formar uma frente para se contrapor a essa força hegemônica. Hegemonia sempre faz mal ao Ceará, a concentração do poder público prejudica setores econômicos e sociais. Dentro do PSDB temos colocado à disposição o Carlos Matos, mas acho que tem que transformar em um esforço maior. Hoje a liderança do [Capitão] Wagner é muito superior à de todos os candidatos, então estamos vendo internamente para ter humildade e reconhecer isso, para montar um programa para Fortaleza, inclusive participando. Luiz Gastão pode ser candidato a vice, botou o nome dele à disposição para formar chapa, e estamos abertos. A hora que o PSDB somar nessa luta do campo do Wagner, a gente tem condição de ter uma chapa muito competitiva e até surpreender e ganhar no primeiro turno.

OE. O PSDB, a nível nacional, tem tido uma postura ambígua com relação ao governo federal e ao Bolsonaro. Como você avalia que está essa relação?
DF. Acho que os partidos políticos estão em um processo de readequação, realinhamento, houve uma ruptura do sistema político tradicional. O governo Bolsonaro, assim como todo governo quando tem uma mudança, no começo existe muita dificuldade. Lembro no Ceará, quando iniciou o primeiro período do mandato do Tasso [Jereissati], foi muito conturbado porque teve uma ruptura, com disputas muito severas na Assembleia Legislativa, para romper com o sistema anterior. Então tem que ter muita paciência, muito diálogo, tem que ter essa construção, porque quando não tem diálogo para construir, como foi possível construir agora com a votação do Fundeb, também da Previdência. Acho que estamos caminhando, temos um potencial muito grande e temos que consertar algumas questões – a imagem internacional do País tem que ser consertada, diminuir a intensidade de certas pautas e se preocupar com a economia, incluindo também o social.

OE. Que avaliação você faz do enfrentamento à pandemia no Brasil e no Ceará?
DF. Acho que a coisa foi mais harmônica com quem desde o início tinha os pés no chão e estava colocando a realidade dos fatos. Eu acho que a prevenção ainda é o melhor remédio, então acho que as medidas são necessárias, mas ao mesmo tempo precisa ter um compromisso maior em respeito ao atendimento, há muita falha com relação a isso. Nada justifica ter morrido mais de 7 mil pessoas no Ceará, como nada justifica mais de 80 mil no Brasil. Essas são questões que precisam de muito cuidado, com muito dinheiro público, mas também de modo muito vigilante, para conduzir políticas públicas saudáveis para a população.

Com informações: O Estado

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