‘Deficit fiscal pode ser revertido em 2 anos’, diz Mauro Benevides

O coordenador econômico da campanha do candidato ao Planalto Ciro Gomes (PDT), Mauro Benevides Filho, detalhou como pretende eliminar o deficit fiscal em 2 anos.

O economista participou do Poder360-Entrevista desta 4ª feira (25.jul.2018).  O governo federal estabeleceu deficit de R$ 139 bilhões como meta para 2018. Ciro pretende zerar esse rombo até 2020.

“Esse valor [deficit] pode sim ser revertido em 2 anos. Desde quando iniciamos a falar disso, todo mundo achava 1 absurdo. Hoje quase todos os candidatos estão dizendo que é capaz de ser alcançado”, afirmou Benevides.

Mauro Benevides, 59 anos, foi secretário estadual da Fazenda do Governo do Ceará. É formado em Economia pela Universidade de Brasília, com doutorado pela Universidade Vanderbilt e é professor do Programa de Pós-Graduação em Economia da UFC (Universidade Federal do Ceará).

Durante a entrevista ele também falou sobre privatizacoes. “Das 144 [estatais], nós já detectamos pelo menos umas 60 [que podem ser privatizadas]. No entanto, afirma que o processo depende de planejamento.

Benevides contou como foi a reunião com o atual ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, e com o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.  No encontro, a equipe do presidente Temer se comprometeu a taxar novamente os fundos exclusivos de investidores de alta renda.

A equipe de Temer mantém uma série de conversas com as equipes de economia dos candidatos a presidente.

Antes do DEM fechar aliança com Geraldo Alckmin (PSDB), o ex-secretário da Fazenda foi escalado para debater propostas econômicas com demistas. Segundo Benevides, não foram divergências nas propostas econômicas que afastaram um possível apoio da sigla a Ciro. Disse que a única questão cobrada pelo DEM foi a posição do pedetista sobre a reforma trabalhista.

Zerar deficit em 2 anos

Eis um sumário das medidas citadas por Benevides para acabar com o deficit de R$ 139 bilhões:

  • Incentivos fiscais: corte de 15% geraria receita de R$ 45 bilhões;
  • Lucros e dividendos: tributação renderia R$ 40 bilhões;
  • Despesas discricionárias: diminuição de 10% no custeio economizaria R$ 12,8 bilhões;
  • Pejotização: fim de contratações sem carteira assinada renderia ao governo R$ 18 bilhões.

Privatizações

Benevides disse que das 144 empresas estatais, aproximadamente 60 podem ser privatizadas. “Isso não é um assunto simples, vender empresas com grande complexidade exige um estudo prévio de como essa licitação deve ser processada. Exige um estudo para definir preço, porque a experiência de privatização brasileira é realmente vender a preço de banana.”

Reunião com Guardia e Ilan

O professor afirmou que o encontro teve dois propósitos, conhecer as propostas de Ciro Gomes e apresentar o que o Governo Federal tem feito na área de economia. “Na verdade foi uma agenda bem próspera. Disseram que voltariam com a proposta, iam conversar ainda com o presidente, de tributar os fundos exclusivos. Isso é uma coisa que precisa ser considerada na economia brasileira, pois são fundos de grandes investidores”.

Reunião com o DEM

O coordenador econômico do pedetista detalhou como foi o encontro com 1 representante de economia do DEM. Segundo Benevides, as propostas econômicas de Ciro não foram fator determinante para que os demistas não fechassem aliança com o ex-governador do Ceará:

“A única questão que me foi colocada foi a Reforma Trabalhista. Foram tratados vários pontos, mas não foi essa a questão que gerou outras decisões que o público brasileiro todo conhece [apoio do DEM ao Alckmin]. O Ciro também não está disposto a fazer determinadas negociações. De tal maneira que o ex-governador Cid [Gomes, irmão e articulador da campanha de Ciro] continua conversando com outros partidos e esperamos que até o dia 5 de agosto [prazo final das convenções partidárias] possamos ter essa grande chapa que vai transformar o Brasil.”

Com informações: Poder 360

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