Deputados aprovam nome de Sarto, mas são contra a ideia de não reeleição

Os deputados estaduais governistas foram chamados à Assembleia Legislativa para receberem a informação oficial de que o deputado José Sarto é o candidato do PDT, com o apoio do governador Camilo Santana, para suceder o deputado Zezinho Albuquerque, na chefia do Poder Legislativo cearense. Não houve manifestação contrária, mas os governistas questionaram a decisão do comando do PDT de não permitir a reeleição, ou a eleição para outros cargos, de qualquer dos seus filiados que venham a compor a nova Mesa Diretora da Casa.

O deputado Osmar Baquit, um dos pretendentes ao cargo de primeiro vice-presidente da Assembleia, foi o primeiro a questionar a determinação do PDT de não permitir que os deputados de sua bancada tenham um segundo mandato na Mesa, na atual Legislatura. Depois dele, no mesmo tom crítico, embora de outros partidos, falaram Silvana Oliveira e Audic Mota. Aliás, um questionamento plenamente dispensável, pois a reeleição, para qualquer dos cargos da Mesa, inclusive, indeterminadamente, está consagrado na Constituição do Estado do Ceará e reafirmado no Regimento Interno da Casa.

O deputado José Sarto não entrou nessa discussão da proibição de reeleição. Ele ouviu tudo calado e saiu da reunião, que aconteceu no gabinete da Presidência da Assembleia, no fim da manhã de hoje, para conversar com o governador Camilo Santana sobre o impasse na escolha do nome do candidato à primeira secretaria da Assembleia Legislativa, cargo pleiteado pelos deputados Evandro Leitão, atual líder do Governo, e  Sérgio Aguiar, assim como por outros governistas, mas fora do PDT, partido que por ter a maior bancada (14 deputados), tem o direito de indicar além do candidato a presidente, os pretendentes à primeira vice e a primeira secretaria. O nome mais forte para a secretaria é, realmente, o do deputado Evandro Leitão.

O deputado José Sarto, em comparação com os outros pedetistas que pretendiam ser presidente da Assembleia, a partir de fevereiro, foi o que menos trabalhou junto a seus colegas, em comparação com os esforços despendidos por Zezinho Albuquerque, Tin Gomes e Evandro Leitão. Além das relações pessoais com os colegas e do exercício de vários e ininterruptos mandatos, Sarto teve o apoio dos principais líderes do PDT, o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, e os irmãos Ciro e Cid Gomes, ratificado pelo governador Camilo Santana.

Reação de Tin

O deputado estadual Tin Gomes (PDT) reforçou após reunião entre deputados da base governista, o consenso entre a bancada do PDT na indicação do deputado José Sarto (PDT) para substituir Zezinho Albuquerque (PDT) na Presidência da Assembleia Legislativa. Tin ainda confirmou que a escolha de Sarto foi colocada pelo ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e reforçada pelo senador eleito Cid Gomes(PDT). Tin é primo legítimo dos dois irmãos.

“O PDT e o projeto tinham uma dívida muito grande com o Sarto. Sarto tem sete mandatos, já foi preterido várias vezes à presidência e, como desde o começo a gente sempre disse que procuraria fazer um consenso entre as candidaturas, a gente está fazendo hoje uma justiça e uma gratidão pelo serviço que o Sarto já prestou ao projeto como um todo”, afirmou Tin, que ocupa a primeira vice-presidência da Casa, mas não deverá compor a Mesa Diretora que será eleita no próximo primeiro de fevereiro.

Tin não participou da reunião com os demais deputados governistas, no gabinete da Presidência da Assembleia. Ele chegou à sede do Legislativo, após a reunião e foi direto para o gabinete do deputado José Sarto. Eles conversaram por aproximadamente uns 15 minutos. Ele não falou mais com a imprensa depois de ter conversa com Sarto. Este, por sua vez, disse que Tin está tranquilo e que o diálogo entre eles foi bom.

Tin, que também estava na disputa pela sucessão de Zezinho Albuquerque, assim como o correligionário Evandro Leitão, disse ainda que vai “esperar para ver” o cumprimento do acordo sobre a não reeleição de nenhum membro da Mesa Diretora, para o biênio de 2021/2022. “Foi dito que quem participasse da Mesa nesses dois anos não participaria da próxima, mas eu sou macaco velho na política e vou esperar para ver. Mas honro esse compromisso”. Para o próximo mandato, o pedetista afirmou que existe a possibilidade de se afastar da Assembleia por um ano, mas ainda não há nada definido.

Sarto quer a Assembleia mais aberta

O deputado José Sarto (PDT) afirmou que a composição da Mesa Diretora e a divisão das comissões da Casa deverão ser estabelecidas levando em consideração tanto o princípio da proporcionalidade quanto as alianças políticas. “O Regimento (Interno da Assembleia) não é só matemática, é uma conformação política”, declarou o pedetista, que citou como exemplo o deputado Renato Roseno (PSOL), cujo partido só tem um parlamentar na Casa, mas poderia comandar uma comissão.

Sarto disse ainda, que após confirmado no cargo, atuará para abrir a Casa para parcerias com universidades públicas e privadas. “Eu quero usar esses equipamentos para o bem público. Inclusive, se houver ociosidade de uso, usar com a academia, trazer para cá as universidades que precisam de espaço, porque isso aqui é público. Parcerias com universidades públicas e privadas na área de orçamento, por exemplo”, disse Sarto, que vê a abertura como uma oportunidade de qualificação para servidores e assessores.

Sarto afirmou também que a Assembleia deverá se aproximar dos Poderes Executivo e Judiciário no debate sobre a crise na segurança pública e no combate às facções criminosas. O pedetista disse ainda que a Comissão de Recesso da Casa poderá ser convocada, caso necessário, para tratar sobre os recentes ataques do crime organizado.

Com informações: Edison Silva

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