Gasolina fica mais cara em Fortaleza e chega a R$ 4,69 após alta do petróleo

O aumento do preço do barril de petróleo no mercado internacional, em razão dos ataques às principais refinarias de petróleo da Arábia Saudita no último sábado, 14, já começou a refletir nos postos de combustíveis de Fortaleza. Três dias após o ocorrido, o valor do litro da gasolina comum, que custava em média R$ 4,57, já chega a até R$ 4,69 em alguns estabelecimentos, conforme pesquisa, na tarde desta terça-feira, 17. Uma alta de 2,6% até o momento.

A alta acontece apesar de a Petrobras anunciar que não irá repassar o reajuste do mercado internacional neste primeiro momento, o que mostra a antecipação dos donos de postos de combustíveis. A tendência é que a gasolina fique ainda mais cara nos próximos dias. O consultor na área de Petróleo, Gás e Energia, Bruno Iughetti, diz que os ataques geraram um impacto significativo no mundo todo, pois os árabes cortaram em 50% sua produção. O mercado da Arábia Saudita é responsável por 6% do consumo mundial de petróleo. O barril teve aumento acumulado próximo de 30% desde os ataques.

Iughetti acredita que a Petrobras deve manter o preço por, no máximo, uma semana. O reajuste, projeta, deve ser de 10% para as distribuidoras e de 6% a 8% para os postos de combustíveis. Se a previsão se confirmar, o preço da gasolina pode chegar a R$ 4,93.

“Esperamos que esses efeitos internacionais façam-se notar no Brasil em reflexo da política de preços da Petrobras, que leva em conta o preço do petróleo cru no mercado internacional e a variação cambial. A estatal não conseguirá estocar o aumento por muito tempo para que o valor não fique represado e quando o reajuste tiver que ser repassado não seja extremamente elevado”, analisa.

Sobre os aumentos de preços já observados no mercado local, Iughetti diz que “não existe uma lógica que seja atribuída ao petróleo da Arábia Saudita”. “Não há conotação de uma coisa com outra”, mas entende que os empresários estão antecipando um aumento, pois os preços do mercado internacional ainda não foram absorvidos pela Petrobras. Não tem nada a ver uma coisa com a outra”.

Até o fim da última semana, o preço médio cobrado pelo litro da gasolina nos postos de combustíveis era de R$ 4,57. Agora, já é possível encontrar por R$ 4,66, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O economista professor de Economia Internacional e vice-presidente do Conselho Regional de Economia, Ricardo Eleutério, diz que concorda com o posicionamento do Governo de fazer com que a Petrobras aguarde passar “a volatilidade do mercado internacional”, pois a instabilidade acaba afetando toda a cadeia econômica.

Eleutério ressalta que, após um primeiro momento de grande turbulência no mercado, com alta do preço do petróleo comparável ao período do início da Guerra do Golfo, em 1990, o valor do barril caiu 6% ontem, disse. O aviso da Arábia Saudita de que vai conseguir restabelecer a produção com as reservas, “está acalmando o mercado”, mas que a crise pode afetar até a definição da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central hoje. A expectativa era que houvesse redução de meio ponto percentual, mas agora ele espera uma definição mais cautelosa.

“A Arábia Saudita é o segundo maior produtor e maior exportador do mundo. Depois de um impacto muito violento no mercado com os ataques, já temos um aceno mais favorável, um contramovimento. Precisamos aguardar um pouco mais, pois existe um conflito político por trás”, comenta.

Em entrevista, o assessor econômico do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Ceará (Sindipostos-CE), Antônio José Costa, disse que o aumento de preços se deve ao já comum sobe e desce do mercado. “Vivemos em um mercado livre, onde cada distribuidor e revendedor faz o seu preço”.

“Com relação a esse fato novo, dos ataques no Oriente Médio, ainda não se refletiu aqui e, por sinal, a Petrobras ainda não repassou nenhum preço referente às mudanças no mercado internacional”, acrescenta.

Ele ainda diz que os preços podem começar a variar em pouco tempo, mas não é possível cravar se em dois dias ou uma semana, por exemplo. Certo é que nos postos de combustíveis da Cidade já é possível ver preços díspares. Alguns ainda comercializando o combustível por R$ 4,57 – na avenida Aguanambi, a média da semana passada, e outros por R$ 4,69 – na mesma avenida, próximo ao Hospital Antônio Prudente.

O POVO conversou com um gerente de um posto de combustível de bandeira BR, que confirmou que a distribuidora ainda não repassou o aumento. A alternativa do gerente para a eminente alta foi realizar uma promoção do combustível. Vendia a R$ 4,54 o litro. “Vamos manter o mesmo preço até vir o aumento concreto por parte da companhia. Fizemos a promoção até para não perdermos o nosso cliente”.

O gerente ainda confirma que um novo estoque deve chegar em um ou dois dias e será avaliado se o preço deve aumentar. Há chances que sim: o novo valor cobrado deve variar entre R$ 4,65 e R$ 4,67. (Colaboraram Jullie Vieira e Vitor Magalhães)

A VARIAÇÃO DO PREÇO DA GASOLINA

Shell – Avenida Aguanambi

R$ 4,54

Shell – Avenida Aguanambi (próximo ao Hospital Antônio Prudente)

R$ 4,69

BR – BR 116

R$ 4,54

BR – Posto HB / GC – BR 116, KM 3

R$ 4,67

BR (Washigton Soares)

R$ 4,69

BR – (Próximo a Unifor)

R$ 4,69

Shell – (Uece) Serrinha

R$ 4,52

Multiposto Expedicionários (Aeroporto)

R$ 4,53

BR – (Osório de Paiva / Terminal do Siqueira)

R$ 4,67

Preço médio

R$ 4,61

Maior preço

R$ 4,69

Menor preço

R$ 4,52

 

Com informações: O Povo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *