Heitor Freire aponta André Fernandes e Delegado Cavalcante como mentores de “Gabinete do Ódio” no CE

Apartado de Jair Bolsonaro (sem partido) desde o ano passado, o deputado federal Heitor Freire (PSL) incluiu os aliados do presidente no Ceará, os deputados estaduais André Fernandes e Delegado Cavalcante, como principais articuladores de uma versão cearense do que se convencionou chamar “Gabinete do Ódio”.

O depoimento dado por ele ao Supremo Tribunal Federal (STF) entre o fim do ano passado e o início de 2020 (ele não soube precisar a data) foi citado pelo ministro Alexandre de Moraes em 26/5 para embasamento de decisão que apreendeu celulares e computadores de influenciadores simpáticos a Bolsonaro que operam com mentiras nas redes sociais, como Allan dos Santos, do Terça Livre.

O trecho destacado por Moraes faz menção a Matheus Sales, criador da página “Direita Vive 3.0” em Fortaleza, Mateus Matos Diniz, também associado ao grupo, e Tercio Arnaud Tomaz. Todos são assessores especiais da Presidência da República. Heitor Freire também alega ter citado a estrutura que diz existir nos gabinetes de André Fernandes e Delegado Cavalcante na Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE).

O deputado federal e a equipe de assessores escreveram dossiê — ao qual  tivemos acesso — contra os dois com duas frentes de acusações. A primeira é de que membros dos gabinetes bolsonaristas comandam páginas disseminadoras de conteúdos difamatórios, inclusive contra Heitor, mas também contra membros do STF, alvo preferencial de aliados do presidente nos últimos meses.

A segunda é de que a Verba de Desempenho Parlamentar (VDP), destinada para uso exclusivo com atividades relativas ao mandato de deputado estadual, estaria sendo usada por Cavalcante para custear viagens dos assessores a Brasília para militância pró-Bolsonaro.

De acordo com Heitor Freire, Kawan Miranda, Inspetor Alberto e Tancredo dos Santos, todos assessores ou ex-assessores de André Fernandes, alimentam as páginas “André Fernandes Opressor”, “Inspetor Alberto Opressor” e “Kawan Miranda, o Bolsonaro Sobralense”.

Assessores de Delegado Cavalcante, Jessely Duarte, Manuela Melo e Alex Melo, esse último ex-servidor do gabinete, dariam conta das páginas Endireita, com versões Iguatu, Aracati, Maracanaú e Ceará. A denúncia de Freire também cita Guilherme Julian e José Henrique Cardoso Rocha, os dois ligados ao gabinete do deputado federal Hélio Lopes (PSL-RJ), o Hélio Negão.

Toda a teia pertence ao grupo Endireita Fortaleza. Freire atesta que, do grupo, partem “os trabalhos de promoção e ataques baseados em fake news.” “Se for comprovado que cometeram crimes, que sejam punidos com o rigor da lei”, comentou sobre os adversários.

O deputado federal também estampa no dossiê um encaminhamento de mensagem de Delegado Cavalcante em que ele compartilha vídeo sob os dizeres “Toffoli mamadão” comemorando a “liberdade do patrão”, que segundo a mensagem seria o ex-presidente Lula. Ele ponderou ser contrário a controle de redes sociais ou da imprensa profissional.

Indagado sobre evidências concretas que provem o manuseio das redes por servidores dos dois gabinetes, ele respondeu que reuniu um conjunto de indícios para que a Polícia Federal ou o Supremo possam solicitar estes dados ao Facebook, de modo a materializar as denúncias feitas.

Sobre os gastos de Cavalcante com passagens, ele faz um comparativo com os meses de fevereiro e março de 2019, quando as despesas giraram em torno de R$ 3 mil a R$ 3,5 mil, com junho do mesmo ano, também citando os meses de novembro e dezembro.

Nesse recorte, os gastos passam a ser R$ 12,2 mil, R$ 15,9 mil e 23,5 mil, respectivamente. Ele lança sobre o adversário a suspeita de que os valores financiam idas de assessores a Brasília para mera militância política. Freire afirma que, ao STF, o teor de sua fala foi integralmente sobre o Ceará, e não falou sobre o presidente. Solicitamos a especificação da data do depoimento e a íntegra. Ele respondeu que estará em Brasília nesta semana, quando irá à Corte fazer o pedido.

 

Com informações: O Povo Mais

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