Mascote Tutuba, do Ferroviário, foi morto por espancamento em Fortaleza, aponta laudo

O laudo médico do Instituto Dr. José Frota (IJF) conclui que Ronierbson Gomes e Silva, que interpretava o mascote do time Ferroviário, Tutuba, foi morto em decorrência de acidente automobilístico e espancamento. Tutuba morreu em 5 de novembro. A família acreditava que a causa da morte teria sido somente a colisão, mas testemunhas disseram ter visto Roni ser agredido por policiais militares. O espancamento foi confirmado pelo laudo do IJF.

Tutuba voltava da comemoração do título da Taça Fares Lopes, na madrugada de 5 de novembro, quando colidiu com um poste no Bairro Cristo Redentor, em Fortaleza. Segundo testemunhas, ele saiu do veículo andando, embriagado, mas sem sangramentos, e parou em uma pizzaria, onde pediu ajuda para falar com familiares, mas começou a ser agredido por policiais que estavam no estabelecimento.

O documento médico do IJF diz que Ronierbson apresentou “traumatismo cranioencefálico (TCE) e lesão corto-contusa em couro cabeludo, evoluindo para insuficiência renal oligúrica e parada cardiorrespiratória”.

Já o exame cadavérico expedido pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), no último dia 11 de dezembro, indica “edema cerebral leve”. Segundo laudo da Pefoce, o mascote do Ferroviário morreu “em virtude de acidente de carro”.

Em nota, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) informa que foi instaurado inquérito policial no 7º Distrito Policial, no Pirambu, para apurar as circunstâncias acerca da morte de Tutuba. Sobre o resultado do novo laudo, a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) afirmou apenas que “determinou a instauração de processo administrativo disciplinar, que só foi possível após conclusão da investigação preliminar”.

Tortura

Segundo as testemunhas, uma viatura da polícia militar foi ao local, mas Ronierbson teria negado a ajuda dos PMs. A partir daí, conforme as testemunhas, os oficiais começaram a agredi-lo. “Ele não foi agressivo, só pediu um telefone pra ligar pra esposa. Ele não desceu do carro com uma mancha de sangue. A gente tem fotos que provam isso. A tortura foi dos policiais. Foi muita ‘peia’. Arrastaram ele pela pista, espancaram muito, diziam: ‘Que cachaça doida foi essa que tu tomou?’”, conta Clarice Gomes, tia de Ronierbson.

Segundo a tia, Tutuba ainda foi espancado na porta de casa. A viúva Nivanda Ribeiro acha que espancamento também é a hipótese mais plausível. “(Os policiais) chegaram dizendo que foi acidente de carro. Depois que eles saíram, eu e meu filho começamos a ver que o joelho dele tava inchado e ele tinha muitas marcas. Também vimos como tava o carro, e não tinha nada a ver”, explica.

Inquérito

Segundo a polícia civil, “oitivas e diligências estão em andamento, com o objetivo de esclarecer o ocorrido. O resultado do laudo cadavérico, que apresenta a causa do óbito, foi entregue à autoridade policial. Exames complementares estão em andamento e, ao serem concluídos, serão encaminhados à unidade da PCCE, para auxiliar nas investigações”, afirma o órgão.

 

Com informações: G1 Ceará

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