Nordeste nunca esteve tão unido. E, por isso, tão forte – OPINIÃO

Para mim, está decidido que um dos fatos políticos mais relevantes do ano de 2019, e olha que a concorrência é forte, inevitavelmente será o movimento articulado dos governadores do Nordeste. Hoje legalmente constituída como consórcio, aspecto que a torna apta a iniciativas objetivas importantes aos interesses administrativos de cada um dos nove estados, a ideia chega ao final do ano fortalecida como algo mais do que uma simples união de políticos “hostis a Brasília” ou que são “mal vistos” pelo poder central do momento.

A semana apresentou uma demonstração importante de resultado real dos encontros mensais entre os governadores nordestinos e do movimento articulado que protagonizam. Não é pouca coisa o que se anunciou com a compra conjunta de produtos para a área da saúde, dentro de um processo de licitação que possibilitou aos combalidos cofres dos estados da região uma redução nos gastos de mais de R$ 48 milhões. Uma espantosa economia, tanto quanto parece espantoso que algo do tipo nunca tenha sido possível antes, visto que demonstra-se hoje de maneira bastante clara que os interesses comuns são, de fato, comuns. Era apenas questão de vontade política para eles prevalecerem.

Vontade política e, claro, uma razão motivadora de uma união no nível que está acontecendo. Neste ponto, é forçoso que se agradeça ao presidente Jair Bolsonaro, determinante para que os governadores de uma região que deu maioria ao candidato de oposição, ao qual estiveram ligados na campanha todos os que conseguiram se eleger, entendessem ser momento de um tipo de entendimento novo entre eles. Como primeira razão, a necessidade de se criar uma eficiente e preventiva estrutura de defesa em relação ao que poderia vir, considerando a incógnita que era nesse aspecto o governo que se instalava em Brasília.

E não se diga que era um medo infundado. O presidente Bolsonaro coleciona, desde a transição, comportamentos e ações equivocadas em referências ao Nordeste, lembrando-se suas falas iniciais sobre a crise da segurança pública no Ceará, já nos primeiros dias de janeiro, quando chegou a declarar que ajudaria o Estado, apesar de ser governado por um petista etc. Sinal evidente de que dias difíceis esperavam a região, tornando necessária, mais do que apenas possível, o estabelecimento de uma articulação política para que estivessem todos juntos. Para a circunstância que viesse, boa ou má.

Hoje, no entanto, o movimento do Nordeste é muito mais do que somente uma preventiva defesa diante do fator Bolsonaro. É a mais bem engendrada estratégia política de bloco na conjuntura nacional do momento e talvez ainda não tenha sido muito bem entendida pelas forças da sociedade, cujo engajamento e entusiasmo permanece tímido. É momento de estender a conversa para além do espaço dos governos e dos governantes.

Tá preso e tá solto

Claro que os mais assanhados correram às redes sociais do senador Cid Gomes (PDT) na sexta-feira para lhe devolver a marca que consagrou, como frase, a campanha de segundo turno presidencial em 2018. O petista saia da carceragem e, quase simultaneamente, apareceram nas páginas do parlamentar o singelo recado: “Lula tá solto, babaca”. Pior foi vê-lo respondendo, ou, tentando.

O aceno de Lula para Ciro

Aliás, enquanto a militância apresenta dificuldade de absorver o estilo de ser dos Ferreira Gomes, Lula volta a dar demonstrações de que não desistiu de Ciro, o irmão de Cid. Apesar de atacado sem piedade por ele nos últimos tempos, enquanto estava preso, o colocou na lista das primeiras conversas que pretende ter na retomada da agenda política. Um problema: há sinais de que a ideia não entusiasma Ciro.

A política no seu pior

Os relatórios que a promotora Antonia Lima Sousa assina com impugnação de candidaturas na eleição para vagas no Conselho Tutelar da Criança e o Adolescente de Fortaleza apresentam demonstrações robustas de que a política, no seu sentido menos nobre, de fato parece ter avançado sobre o processo. Este não é um tema com o qual se pode brincar, portanto, é fundamental que os eleitos sejam as pessoas certas, dedicadas e alinhadas com a causa.

É o caso sim de discutir

Nesse sentido, a reflexão que a representante do Ministério Público tem proposto, acerca do modelo atual e da conveniência de mantê-lo, deve ser considerado. O que aconteceu agora indica que algo precisa ser feito para conter o avanço crescente do risco de contaminação da briga por vagas no Conselho Tutelar pelos vícios do processo eleitoral, esse que leva à escolha de parlamentares, prefeitos, governadores, presidente da República.

O planejamento dos tucanos

No que depender de planejamento, pelo menos, o PSDB tem tudo para fazer um bom papel nas próximas eleições municipais. Em Fortaleza, sabe-se, já está com o bloco na rua e o pré-candidato definido, Carlos Matos (também presidente da executiva municipal), mantém uma agenda intensa de atividades em áreas periféricas. No que isso vai resultar é outra história, mas o que é possível planejar está sendo feito.

O mapa das prioridades

No Interior, os tucanos construíram um mapa eleitoral próprio no qual constam 60 municípios onde considera-se possível disputar a prefeitura, diretamente ou através de alianças que já estão sendo costuradas pelo presidente estadual, Luiz Pontes, que usa da experiência de ex-deputado estadual e federal e ex-senador para conseguir os melhores acordos possíveis. Mesmo sem número projetado de metas a perseguir, há muito otimismo.

 

Com informações: Guálter George

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