O jeito Camilo de fazer a política avançar – Opinião, por Guálter George

O governador do Ceará, Camilo Santana, já faz por merecer uma análise mais cuidadosa em relação ao seu estilo pessoal, desafiado que é quase todos os dias por situações políticas, algumas partidárias. A impressão que dá é que ele está sempre testando e sempre sendo testado, algo que se torna ainda mais desafiador pelo jeitão conciliador, que abre mão de gritos, arroubos e outros tipos de performances para ir impondo uma marca às questões nas quais se vê envolvido. Silenciosamente, assim, um modo próprio de fazer política começa a ganhar força e contornos.

O movimento dele em plena semana de tensão entre o presidente Jair Bolsonaro e os governadores do Nordeste, indo a Curitiba para encontro com o ex-presidente Lula, preso na superintendência da Polícia Federal no Paraná, parece um indicador importante da ciência que move os passos do petista cearense. Por mais que se entenda que era um encontro acertado lá atrás, numa outra perspectiva de ambiente político, mas, também é certo, reprogramá-lo seria objeto de um fácil acordo entre as partes. A opção de Camilo, em especial, por manter a data há de ter algum significado.

É caso de aprofundar mais o estilo, por outro lado, em razão de outros movimentos que parecem complicadores à vida do governador cearense na paz que ele certamente busca dentro do seu partido. Convenhamos, é conhecida a complexidade que envolve a vida orgânica do PT, em meio a tendências e grupos, dos quais Camilo mantém uma cuidadosa distância. Cuidadosa e, em muitas circunstâncias, necessária.

Certo é que, o que de início parece uma virtude, esse espírito conciliador, em momentos acaba surgindo como defeito, pela sensação de neutralidade excessiva diante de situações que parecem exigir postura mais decisiva, especialmente tratando-se de um governador. O equilíbrio que consegue manter diante das escaramuças frequentes entre seu partido e os irmãos Ferreira Gomes, Cid e Ciro, certamente responde por alguns dos muitos fios brancos a mais que passou a ostentar na cabeleira desde quando chegou ao posto.

Finalmente, nada é mais revelador do jeito Camilo de ser do que encontrar registrada na sua agenda de compromissos da sexta-feira, um dia depois do encontro com Lula e já de volta ao Abolição, uma audiência com o deputado federal Capitão Wagner, do Pros. Não chega a ser um bolsonarista radical, mas, de fato, um bolsonarista. A girada de chave que o governador consegue fazer o tempo todo, conforme o que exige cada momento enfrentado, é, até agora, o trecho principal do seu exitoso manual de sobrevivência na política.

 

Com informações:  Guálter George

 

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