Partidos iniciam montagem do planejamento para o ano eleitoral

A mais de um ano para as eleições municipais de 2020, partidos políticos já estão montando as estratégias em meio a planejamentos e projeções otimistas. O comando do Executivo de Fortaleza, maior cidade do Estado, é o ponto alto da pirâmide de interesses, mas as cidades estratégicas do interior também são parte da lista de desejos. A disputa pelo Palácio do Bispo, base administrativa da Capital cearense, movimenta diálogos entre partidos e estabelece nova formatação política.

O primeiro e mais claro exemplo envolve Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o Partido dos Trabalhadores (PT), ambos da base governista estadual. A exemplo das últimas eleições municipais, os dois aliados históricos devem trilhar caminhos opostos.

O presidente do PDT Ceará, deputado federal André Figueiredo, afirma que a sucessão do prefeito Roberto Cláudio em Fortaleza não apenas é uma prioridade estadual, mas nacional. Para o primeiro mandato, a sigla enfrentou o petista Elmano Freitas, escolhido pela então prefeita Luizianne Lins. Na reeleição, o PDT teve como adversário o deputado estadual Capitão Wagner, que estava no Partido da República (PR). O PT decidiu lançar a própria ex-gestora, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno.

Figueiredo defende a continuidade do projeto do seu partido. “Reconhecemos a força de alguns adversários, mas vamos lançar uma candidatura forte”, resume o presidente estadual do PDT. Nos bastidores, nomes de destaque do partido dizem ser consenso de que o PDT precisa apresentar um nome ainda não testado em eleições majoritárias.

No interior, o partido também comanda Sobral, Iguatu, Brejo Santo, Jaguaribe e Baturité, por exemplo. “Queremos estar presentes, senão na cabeça de chapa, pelo menos na vice, em todos os municípios considerados estratégicos no Estado”, projeta Figueiredo. Para as Câmaras Municipais, o PDT, que elegeu 392 vereadores em 2016, espera alcançar a marca de 500 parlamentares.

Retomada

No PT, o sonho é retomar o poder em Fortaleza. Um dos nomes mais citados é o da deputada federal Luizianne Lins. Agora em situação oposta, ela enfrentaria o candidato do prefeito Roberto Cláudio. Segundo o presidente estadual do PT, Antônio Filho, também concorrem os deputados Elmano Freitas e Acrísio Sena, além do vereador Guilherme Sampaio. O maior impasse no partido, no entanto, é a posição do governador Camilo Santana, atualmente, aliado de primeira hora do prefeito Roberto Cláudio. No início do ano, ventilou-se a possibilidade de ele trocar de partido, hipótese ainda não descartada.

Ao todo, o PT administra 14 cidades cearenses. A ideia, hoje, é ter candidaturas competitivas em, pelo menos, 50 municípios. “Consideramos estratégica a manutenção das prefeituras que já detemos e a retomada de municípios que já governamos”, comentou Antônio Filho.

Novo cenário

A expectativa pelas próximas eleições no Ceará se justifica pelo componente novo no cenário: a presença de Jair Bolsonaro na Presidência da República. Isso, apostam opositores do atual grupo no poder estadual, pode significar um crescimento da oposição e um reequilíbrio das forças. Atualmente, Camilo diz contar com o apoio de 181 dos 184 prefeitos no Estado.

O deputado federal Capitão Wagner, presidente do Pros no Ceará, deve voltar às urnas em 2020. Ele é o principal nome de oposição na Capital – citado com forte potencial em pesquisas. A construção de alianças também vem sendo discutida. Além do PSDB, aliado de Wagner no último pleito, há conversas com o Solidariedade (SD), Partido Social Liberal (PSL) e Partido Novo.

O foco do partido será a Região Metropolitana. Para isso, está reformulando diretórios e realizando reuniões desde dezembro. O dirigente citou, além da Capital, Maracanaú, Caucaia, Maranguape e Horizonte como alvos. “O planejamento é eleger, no ano que vem, uns 10 prefeitos, e dando foco grande na Região Metropolitana, que é onde a gente tem bom potencial de votos”, comenta Wagner. Para a eleição de vereadores, ainda não há meta estipulada.

Tucanos atentos

Atual presidente do PSDB Ceará, Francini Guedes cogita lançar um nome próprio para concorrer à Prefeitura de Fortaleza, ainda que reconheça a possibilidade de construir chapa com outra sigla. “É possível (coligar). Temos nomes, com toda a certeza”, diz. Pesquisa interna, feita recentemente, mostrou o ex-deputado estadual Carlos Matos como potencial candidato. O tucano, inclusive, deve assumir o comando estadual do PSDB.

No interior, o partido, que tem como principal liderança o senador Tasso Jereissati, projeta eleger 15 prefeitos. “É possível que a gente faça mais”, conjectura. Jaguaribara, Eusébio, Maracanaú, Barbalha e Horizonte já estão no ninho.

O MDB, comandado pelo ex-senador Eunício Oliveira, está reestruturando as zonais de Fortaleza e fortalecendo diretórios no interior. Na última eleição, o partido se reaproximou de Camilo Santana. A tendência é que permaneça na base.

Fortalecidos

Legendas com recente protagonismo, como o Partido Novo, chegam fortes. Dez cidades estão na mira, onde serão montadas estruturas sólidas, a citar Fortaleza, Caucaia, Maracanaú, Sobral, Juazeiro do Norte e Iguatu. “Representam cerca de metade do eleitorado. Vamos começar trabalhando essas, depois vamos ampliando”, destaca o empresário Geraldo Luciano, presidente estadual do Novo e pré-candidato na Capital. Para concorrer, entretanto, Geraldo precisaria se desvincular do Diretório Estadual até junho, ou seja, 12 meses antes das convenções de 2020.

Partido do presidente Bolsonaro, o PSL promete chegar forte no próximo ano. Tanto que a sua participação ou não na chapa de Capitão Wagner é considerada decisiva pelos analistas da cena local. Atualmente, há divergências entre as partes. Na Capital, o partido apresentou o deputado André Fernandes como seu presidente municipal. O presidente estadual é o deputado federal Heitor Freire. O parlamentar foi procurado pelo Diário do Nordeste para comentar a articulação do partido, mas até o fechamento desta reportagem, não havia respondido.

Encontros e redes sociais na mira

Os partidos políticos lançam mão de todo o tipo de artifícios para se aproximar dos filiados e dos eleitores, apesar deste período ainda distante do pleito. Encontros são realizados em municípios importantes para reunir potenciais candidatos e mapear as estratégias certas. O PDT, por exemplo, vai iniciar uma série de encontros regionais a partir do mês de abril.

O PROS também realiza reuniões e aposta na eficiência das redes sociais. “A gente acredita muito no crescimento desse tipo de mídia, Facebook, Instagram, Twitter, e a gente tem feito esse trabalho já a algum tempo”, afirma Capitão Wagner. O Novo, sempre presente na internet, também promete ações de mídia. Para o PT, segundo explica o presidente Antônio Filho, é fundamental que os candidatos apresentem “valores progressistas”. Enquanto o PSDB instala um Conselho Consultivo para a tomada de decisões.

 

Com informações: Diário do Nordeste

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