PP e PSL disputam indicação para presidência do BNB

A indefinição do Governo Bolsonaro em torno do Banco do Nordeste (BNB) aumenta as especulações sobre o futuro da instituição e a cobiça de lideranças partidárias pelo seu comando. Com sede no Ceará e responsável pela maioria dos financiamentos na Região, PP e PSL disputam a indicação de nomes para presidir o órgão. Interlocutores do governo sustentam, no entanto, que a escolha será “criteriosa” e pessoal do ministro Paulo Guedes.

Nesta semana, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, apresentou aos integrantes do governo o nome do ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Nelson Antônio de Souza, para a sucessão do BNB. Ele já presidiu o banco em 2014 no governo Dilma Rouseff.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, teria gostado do currículo dele, mas não bateu o martelo. Nelson comandava o banco quando foram realizados empréstimos a empresas que são investigadas pela Polícia Federal e pela Controladoria Geral da União.

Por outro lado, aliados do PSL tentam emplacar a indicação do atual presidente do BNB, Romildo Rolim, para a permanência dele à frente da instituição. O principal argumento colocado a integrantes do Palácio do Planalto, inclusive ao ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e ao ministro da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, é de que Romildo não tem escândalos no banco e também tem perfil técnico.

Segundo o secretário da Casa Civil, Carlos Manatto, um dos braços-direitos de Onyx Lorenzoni, as definições sobre o BNB estão a cargo do Ministério da Economia. Ele frisa que a equipe de Paulo Guedes está sendo muito “criteriosa” e a decisão final será do ministro.

Pode até ter indicados políticos, mas tem que ter indicação técnica. O nome vai ter que passar pela aprovação do Senado também. Isso tá na mão da Joice (Hasselmann, líder do Governo no Congresso) e do ministro”

Além dos nomes apresentados, aliados não descartam que Paulo Guedes poderá tirar da cartola alguém que esteja fora desse circuito. Nos bastidores, a lista que circulava com os cotados para comandar a instituição tinha nomes como o do diretor de controle e risco do BNB, Nicola Miccione, e do ex-ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira.

Respostas

Na semana passada, parlamentares cearenses afirmaram que, em uma reunião das lideranças partidárias com Onyx Lorenzoni, o ministro entregou uma lista com os órgãos federais disponíveis para indicação política, inclusive o BNB. Essa foi mais uma tentativa de negociação do Governo Bolsonaro com o Congresso por apoio, principalmente para a votação da reforma da Previdência.

Sem uma definição sobre o futuro do BNB, parlamentares do Nordeste formaram uma frente em defesa do banco, liderada por deputados cearenses. Na semana passada, eles estiveram com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), e com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), para tratar de provável extinção do BNB ou fusão com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). Eles ainda aguardam uma reunião com o ministro Onyx Lorenzoni.

Negociações 

Enquanto isso Carlos Manatto disse que os nomes para outros cargos de segundo e terceiro escalão nos estados já estão sendo indicados pelos parlamentares e, ao mesmo tempo, averiguados pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), para checar se eles têm conduta ilibada.

O secretário afirmou ainda que o governo disponibilizará aos parlamentares da base aliada verbas dentro de programas existentes nos ministérios para que que eles indiquem obras e projetos.

Não vamos liberar R$ 40 milhões de emendas, isso é mentira, essas emendas já são impositivas. Agora os ministérios tem programas, que vão ter mais recursos, que serão comunicados. Nós vamos aproveitar melhor esses programas, vai fazer um extra-orçamentário. Sem toma lá dá cá”

Com informações: Diário do Nordeste

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *