Presidência e diretorias do BNB entram em lista para indicação de parlamentares

Indefinido até agora, o futuro do Banco do Nordeste (BNB) começa a se esboçar depois de mais de três meses de governo. Após derrotas do Planalto no Congresso, os cargos de presidente e diretorias do BNB foram incluídos em lista de postos que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) colocou à disposição para indicações de lideranças dos partidos na Câmara dos Deputados.

Deputado federal pelo PSD e coordenador da bancada do Ceará, Domingos Neto confirmou que o BNB faz parte dessa lista, entregue na última terça-feira pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), aos dirigentes de legendas aliadas.

 “Esses cargos de segundo escalão são só do Nordeste”, esclareceu o parlamentar. Questionado sobre o BNB, Neto respondeu que o banco “está dentro”, referindo-se aos postos listados pela articulação do Planalto para serem negociados.

A respeito da dúvida que havia sobre a permanência da instituição financeira, sediada em Fortaleza e fundamental para os investimentos da região, o deputado disse ter conversado com o ministro da Economia, Paulo Guedes, há dois dias.

Segundo ele, Guedes assegurou que o banco não será anexado ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), como se havia especulado.

“O BNB fica, essa história de anexar (ao BNDES) morreu”, acrescentou Neto. “Não há a menor possibilidade disso. O Guedes me disse que nem existe estudo sobre essa possibilidade.”

O preenchimento de cargos do BNB, continua o congressista, está sendo discutido diretamente com lideranças e presidentes dos partidos da base governista e que esse processo, que “começou agora”, ainda vai demorar algum tempo.

Colega de Casa e presidente do partido de Bolsonaro no Ceará, o também deputado federal Heitor Freire diz “que o banco (BNB) continuará como está” e que não há nada que o faça crer que a manutenção do órgão será alterada por Guedes. O pesselista admitiu ainda que, “em breve, teremos definições” sobre a gestão da entidade.

Perguntado se a negociação dos cargos era estratégia do Executivo para abrir caminho para a reforma da Previdência, Freire respondeu que “já está claro que o toma lá dá cá não é a linha adotada pelo governo”.

Líder de uma frente que defende instituições de fomento no Nordeste e aliado do Governo, Roberto Pessoa (PSDB) descartou indicações para cargos no BNB neste momento. Para o tucano, “quando o assunto é BNB, a prioridade agora, como sempre foi desde que começou o movimento, é de manutenção e fortalecimento da instituição”.

Na última semana, deputados estaduais cearenses peregrinaram por Brasília na tentativa de pressionar o Governo Federal a manter o BNB. Conforme relatos, todavia, a recepção não teria sido favorável, e a comitiva retornou ao Ceará receosa de que a instituição acabe extinta ou fundida ao BNDES.

A lista com funções de segundo escalão de estatais no Nordeste encaminhada aos parlamentares é parte de um esforço do Planalto para mobilizar votos a favor da reforma no regime de aposentadorias.

Na última quarta-feira, o Governo foi novamente derrotado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, primeira etapa de tramitação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Previdência.

A votação da medida, que estava prevista para aquele dia, foi adiada para terça-feira da semana que vem depois de pressão de deputados do PP, PR e PRB, que integram o bloco do centrão.

 

Com informações: O Povo

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