Rodrigo Maia ameaça deixar articulação política da Reforma da Previdência

A troca de farpas entre o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), ameaça provocar mais uma crise no Governo de Jair Bolsonaro (PSL). A tensão se elevou depois que Carlos Bolsonaro (PSC), vereador do Rio de Janeiro e filho do presidente, criticou o deputado federal. De acordo com informações obtidas pelo Estadão, Maia pretende deixar a articulação política para aprovar a Reforma da Previdência.

O impasse entre membros do Executivo e do Legislativo começou depois que Moro cobrou Maia na madrugada de quarta-feira, 20, para uma tramitação mais célere do Pacote Anticrime, apresentado pelo ministro em meados de fevereiro. As mensagens enviadas pelo ex-juiz teriam causado insatisfação ao deputado, que reagiu.

À imprensa, Maia disse que o ministro é funcionário de Bolsonaro, pediu respeito e afirmou ainda que Moro estaria “confundindo as bolas”. Usando redes sociais da esposa, o ministro apresentou uma tréplica à discussão. Afirmou que a única intenção é de que o projeto tenha tramitação regular.

“Talvez alguns entendam que o combate ao crime pode ser adiado indefinidamente, mas o povo brasileiro não aguenta mais. Essas questões sempre foram tratadas com respeito e cordialidade com o Presidente da Câmara, e espero que o mesmo possa ocorrer com o projeto e com quem o propôs. Não por questões pessoais, mas por respeito ao cargo e ao amplo desejo do povo brasileiro de viver em um país menos corrupto e mais seguro”, disse o ministro.

Zero dois

Em meio à tensão já instalada, Carlos Bolsonaro colocou mais lenha na fogueira ao criticar Maia nas redes sociais na última quinta-feira, 21. O filho “zero dois” de Bolsonaro escreveu no Twitter: “Há algo bem errado que não está certo!”. A mensagem veio seguida da nota de Moro. No Instagram, Carlos questionou: “Por que o presidente da Câmara está tão nervoso?”

Conforme a reportagem, ao ver as mensagens, Maia “explodiu” e telefonou para Paulo Guedes, ministro da Economia, avisando que deixará a articulação política para aprovar a Reforma da Previdência. A conversa teria sido ouvida por integrantes do Centrão.

Em outras situações, tanto Maia quanto outros políticos que se dispuseram a ajudar na aprovação da Reforma se mostraram insatisfeitos com a desarticulação do Governo Federal com a proposta. No caso do presidente da Câmara, soma-se ainda à pressão contra ele nas redes sociais arquitetada por integrantes do Executivo.

“Eu estou aqui para ajudar, mas o governo não quer ajuda”, disse o presidente da Câmara, segundo deputados que estavam ao seu lado no momento do telefonema. “Eu sou a boa política, e não a velha política. Mas se acham que sou a velha, estou fora”, teria dito Maia, segundo informações do Estadão.

 

Com informações: O Povo

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