Rodrigo Maia descarta risco de ruptura institucional e destaca força das instituições democráticas

Em entrevista a um site de notícias concedida nesta segunda-feira (01), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, reafirmou que não vê risco de ruptura institucional e destacou que a sociedade rechaça qualquer ameaça à democracia.

Ele avalia que nem mesmo as Forças Armadas dariam respaldo a esse tipo de movimento antidemocrático. Maia afirmou também que o momento histórico atual é muito difícil.

“Vivemos uma pandemia que vai chegar a 30 mil mortos, a econômica derretendo, os resultados do primeiro trimestre muito baixos, a necessidade de gastos pela recessão por que vamos passar e, junto com isso, uma escalada de movimentos próximos do presidente muito autoritários, sempre no ataque a quem diverge, de quem contraria a posição do Governo”, criticou o presidente da Câmara.

Manifestações

Rodrigo Maia também criticou duramente a manifestação ocorrida no último sábado (30) contra o Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Cerca de 30 pessoas protestavam com tochas e máscaras contra as decisões do STF de investigar aliados do presidente da República, Jair Bolsonaro, pela disseminação de fake news nas redes sociais.

“É grave, um grupo minoritário, racista, com esse simbologismo da Ku Klux Klan [grupo suprarracial que existiu nos Estados Unidos]. É inaceitável isso. Intimidar o STF pelas decisões que ele toma? As instituições não devem e não podem aceitar o que está acontecendo”, afirmou Rodrigo Maia.

O presidente da Câmara também lamentou a participação de Bolsonaro nas manifestações pró-governo do último domingo (31) e afirmou que esses atos dão uma sinalização muito ruim para a sociedade. Ele cobrou mais união dos agentes públicos no enfrentamento da pandemia do coronavírus.

“O último que andou a cavalo na esplanada dos Ministérios foi o general Newton Cruz, de quem o Brasil não tem boas lembranças. O ministro da Defesa andar de helicóptero com o presidente para ver uma movimentação contra o STF não é uma sinalização positiva”, disse Maia.

“Não é possível que, chegando a 30 mil mortos, caminhando para uma recessão histórica, a gente passe o domingo, em vez de ver como vamos salvar vidas, retomar a economia, fique vendo cenas de ataques à democracia totalmente desvirtuadas”, disse.

Reação da sociedade

Maia destacou que a sociedade está perplexa e reagindo à onda de movimentos autoritários no Brasil. No domingo, vários movimentos em defesa da democracia ocorreram no País e houve confrontos entre manifestantes. Ele também rechaçou a possibilidade de as Forças Armadas arbitrarem o conflito entre os Poderes e destacou que os militares têm uma função constitucional de defender a soberania dos Poderes.

“Chega um momento em que a sociedade se manifesta, se não parece que só um grupo que vai às ruas atacar o Supremo e o Congresso. Agora, imagina que as Forças Armadas vão arbitrar um conflito entre os Poderes. Quem garante a nossa democracia são as nossas instituições“, defendeu Maia.

Impeachment

Rodrigo Maia reafirmou que não vai se posicionar no momento sobre os pedidos de impeachment do presidente Bolsonaro. Segundo ele, não cabe gerar mais crise no País no período de enfrentamento à pandemia.

Maia disse que é o juiz que defere ou indefere os pedidos e, por essa razão, não pode ficar tratando desse assunto. “O tempo [do impeachment] é o tempo da política, não podemos colocar mais lenha na fogueira. No momento adequado eu vou decidir”, finalizou.

 

Com informações: Edison Silva

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