Suspeita envolvendo amigo dos Bolsonaros é prática bem conhecida no Ceará

A prática é velha e bem conhecida da política cearense: o parlamentar preenche suas vagas de assessores com assessores que não assessoram pouco ou coisa nenhuma. Geralmente, cabos eleitorais. Paus mandados. Antes, um acordo. Para ganhar a mamata, o “aspone” repassa para o parlamentar uma parte do salário que recebe para não trabalhar ou trabalhar muito pouco. Aqui, a coisa recebeu o singelo batismo de “dobradinha”. No último caso conhecido, o ex-vereador Leonelzinho Alencar (foto acima) acabou com uma condenação de mais de 11 anos.

Pois é. A dobradinha tem a cara do caso que envolve nada menos que nove assessores de Flávio Bolsonaro, que era deputado estadual no Rio de Janeiro e se elegeu senador nas últimas eleições. O fato é que não houve até aqui nenhuma explicação razoável para as transferências e a movimentação financeira na conta do ex-policial que servia como “segurança” do deputado Flávio. A coisa toda foi parar no colo do futuro morador do Palácio do Planalto com a informação de que R$ 24 mil foram depositados na conta da futura primeira dama.

É óbvio: a transferência de parcela do salário de funcionários de um parlamentar para o titular do mandato constitui crime. É por essa suspeita que o Ministério Público Federal tende a entrar no imbróglio. Caso o órgão determine a abertura de um inquérito policial, esqueletos podem sair do armário. Afinal, todos os envolvidos, incluindo os “aspones”, serão convidados a dar explicações.

 

Com informações: Fábio Campos

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