Uso correto da cadeirinha é importante para postura e segurança da criança

As férias de julho já chegaram e as famílias estão intensificando os passeios e viagens de carro com a criançada. Entre os itens indispensáveis antes de pegar a estrada, está a cadeirinha.“A cadeirinha infantil nos veículos é essencial para o transporte de crianças”, afirma Francisco Vasconcelos, ortopedista pediatra e cirurgião do Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), do Governo do Ceará. De acordo com o especialista, o equipamento também ajuda a imobilizar, evitando lesões graves, além de dar conforto.

Já é de conhecimento comum que, em caso de impacto, a cadeirinha evita a projeção das crianças para fora dos veículos, impedindo que o acidente se torne fatal. No entanto, segundo Francisco Vasconcelos, a proteção da cadeirinha é ainda mais ampla. “O bebê-conforto, por exemplo, é fundamental para apoiar a cabeça do bebê, evitando o risco de trauma da coluna cervical. Mas para isso o dispositivo deve ser instalado corretamente, virado para o banco traseiro e bem firme”, orienta o médico.

Entre um e quatro anos, a criança já pode usar a cadeirinha. No entanto, o especialista alerta para o peso da criança e altura, fatores que também são importantes antes de mudar de dispositivo. “A cabecinha tem que passar da altura do bebê-conforto para haver a mudança. Se a criança for pequena demais para a cadeirinha, pode escorregar ou ficar numa posição ruim. A criança tem de ficar bem encaixada, firme no assento. Dessa forma, ela mantém a postura adequada”, explica.

Carmem Figueiredo, mãe do pequeno Oliver, diz usar o bebê-conforto dentro e fora dos carros. “Meu filho é um prematuro extremo, ele não cresceu igual aos outros. E sei que o bebê-conforto ajuda na postura, então, uso até em casa. Ele fica bem encaixado e fico com as mãos livres para fazer outras coisas quando preciso”, fala. Carmem deixou de trabalhar como gerente de vendas para cuidar do filho em casa.

Oliver nasceu no quinto mês de gestação, com pouco mais de 700 gramas. Passou um longo tempo internado no Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e, no Albert Sabin, realiza o teste do suor. “A gente veio de Uber e vai voltar de Uber. Uso o bebê conforto em todos os carros”, diz Carmem, afirmando saber que pela idade dele, já poderia ter mudado para a cadeirinha. “Mas ele é pequeno por causa da prematuridade, pelo que pesquisei na internet, é melhor ficar com o bebê conforto”.

Mas, nenhum desses cuidados será efetivo se os pais não escolherem a cadeirinha corretamente ou se o dispositivo for instalado de maneira errada. “Pesquise o modelo adequado para seu carro e leia o manual do equipamento, é para o bem do seu filho”, ressalta, complementando, “um lançamento para fora de um carro pode ser fatal para uma criança ou, no mínimo, deixar sérias consequências”, alerta.

Alberto Pereira, pai do pequeno Beni Ravi, de dois anos, entende a advertência do cirurgião. Ele e a esposa trazem o filho regularmente ao Albert Sabin para se consultar com o ortopedista. Beni nasceu com o pé direito torto, fez a cirurgia de correção e agora faz acompanhamento ambulatorial. “Ele é pequeno, não tem como se segurar no carro. Agora, você imagina quando estava com a perninha engessada ou com a botinha. A cadeirinha ajuda, né? Ele ficou seguro de acidentes fora do carro, mas também dentro (sic.)”, enfatiza.

Uso em todos os transportes

Como unidade de atenção terciária da rede estadual de saúde, a maior parte dos pacientes atendidos pelo Albert Sabin é de baixa renda, utiliza ônibus e vans municipais para se locomover. “Carro não é a realidade de todos. Mas aqueles que têm podem e devem usar a cadeirinha. E os adolescentes e adultos que usam bancos traseiros devem usar cinto de segurança também, têm a mesma função: segurança. Aliás, se o ônibus e a vans municipais tiverem cinto, usa também”, orienta o médico.

Ortopedia

O ambulatório de ortopedia do Hias funciona de segunda a sexta-feira, das 7 às 17 horas. Em média, 766 consultas por mês são realizadas. Para o primeiro atendimento, o paciente é encaminhado de um posto de saúde ou outra unidade de saúde por meio da Central de Regulação. O Hospital Albert Sabin é referência no tratamento de crianças com doenças crônicas e raras, como pé congênito e escoliose grave, por exemplo.

Lei nacional

Em 2008, a Resolução nº 277/2008, do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) definiu as regras para o transporte de crianças menores de 10 anos em veículos, ratificando o uso obrigatório de dispositivos de retenção: bebê conforto, cadeirinha auxiliar ou assento de elevação para crianças de zero a 10 anos. A resolução entrou em vigor em 2009 e, de lá para cá, os números de acidentes envolvendo crianças registram a eficácia desses equipamentos de proteção, pois apontam uma redução de 40% nas vítimas fatais, além de uma diminuição de 74% no número de feridos nessa faixa etária.

Para Lorena Moreira, Diretora de Planejamento do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE), o uso de equipamentos de proteção no trânsito deve ser sempre reforçado para os pais e as próprias crianças. Isso é feito também pela Escola de Educação para o Trânsito do Detran-CE, que existe desde 2009, com duas sedes, uma em Fortaleza e outra em Sobral.

“No trabalho que os educadores desenvolvem com as crianças que visitam as nossas escolas, enfatizamos o comportamento seguro, reforçando atitudes corretas como atravessar na faixa de pedestre, respeitar a sinalização, usar o cinto e a sua cadeirinha. É muito comum recebermos depoimentos de pais que dizem estarem mais atentos, uma vez que os filhos passam a cobrar deles o que aprenderam conosco. Isso é o principal fruto do nosso trabalho formar futuros condutores mais conscientes e auxiliar na mudança de comportamento dos condutores atuais através das crianças”, ressalta Lorena.

 

Com informações: ASCOM do Governo do Estado do  Ceará

 

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